segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O BEIJO




Como eu gosto do beijo!
Tudo o resto é complemento.
O beijo é limiar de sensações,
no infinito prazer do corpo.
Os lábios, são portal de desejo.
Os lábios, abrem todas portas,
as fáceis, as tímidas, as inibídas.
Sensibilidade e erotismo, o simples
descontrolo, controlado por um beijo.
Nem sempre se comunica por palavras.
Beijar, é um canto sem frases,
um poço iniciático de prazer,
que a minha boca transforma em arte fina.
Amante, o beijo, entra no outro corpo,
onde todas as estribeiras se perdem,
onde o sagrado vira profano.
Apenas e só, com o poder de um beijo.
E eu beijo, todo o corpo nu.
Todos os poros, todos os vales
onde as águas rojam das fontes,
que me saciam toda a sede e,
eu bebo sem qualquer freio.
O amor, a carne, o sexo,
refina o prazer na experiência do beijo.
E eu beijo, e beijo, e beijo...
Meu Deus, como eu gosto do beijo!

30DEZEMBRO2013

EUFORIA DA MISÉRIA




Acredito que tudo faça sentido.
Acredito que sim!
Tudo depende da perspectiva.
Mas sim. Posso dizer que entendo,
isto ou aquilo faz sentido.
Tudo é movido pelo destino. Nada!
Viver é um fingimento!
Viver é um conjunto
de coisas com sentido,

de coisas sem sentido.
Tudo passa pela euforia da miséria.
Euforia da miséria. É o ponto
onde a adrenalina me assalta.
Tudo o que circula na derme,
abana-
me a ânsia e a calma. 
Toda a adrenalina compete, comigo,
a cada momento real que chega,
sempre que me apercebo da hipocrisia
(dos outros).
Há tantas formas de acreditar,

que a euforia só faz sentido.
Talvez seja isso o "fazer sentido".

O fazer, o sentido, o sentir,
sentir o que é feito.
Será lógica a cumplicidade,
a partilha, ou a falta de vontade.
Talvez falte sentimento,
talvez tanta coisa, já inerte,
que faz todo o sentido ignorar.
Comigo, pouca coisa faz sentido,
se o avaliar a partir da minha lógica.
Há um vazio que faz todo o sentido.
Aborrece-me a distância.
Entre mim e o cosmos, tudo sem sentido.
Tudo porque levantando a mão aos céus,
a perspectiva é estar tão perto. 

Puder agarrar o Sol. Fácilmente.
Puder mover as núvens, girar a mão e
criar remoinhos de vento.
Pará-los de um sopro.
Tudo faz sentido na existência.
Tudo depende da perspectiva.
Tudo depende de mim.
De toda a minha euforia,

de toda a minha miséria.


30DEZEMBRO2013

domingo, 29 de dezembro de 2013

GERIR O SILÊNCIO




Não é novidade o silêncio!
Todo o tempo recorre ao dito.
Indignidade de um santo?
Poder ambíguo do vazio?
Não!

Gerir o passar dos dias!
Por imposição de uma vida,
Tudo tem uma saída.

Basta bom senso!
As causas perdidas,
transformadas em letras.
Misturar quanto baste.

Apenas sai,
sai o que penso,
sai o que sinto!

Se fico equidistante da fala,
será tentativa inútil de atenção?
Será que me disfarço e fecho,
numa energia translúcida, numa nesga,
tão corrosiva como a profundidade da vala?
Não!

A morte persegue-me em vão.
Não a quero, nem desespero.

Nem tudo é dito quando se fala,
nem tudo se esconde,
nem quando se cala!

Se sair por aí, ébrio de ar,
será oxigenada a calma.
Um passo em cada passo, que passo,
há um chicote de vida que me remexe a alma.
A alma não tem pele, mas sangra!

Não é novidade o silêncio!
Não!

Nada me tortura mais que a palavra,
especialmente a que não é dita,
e é só na ausência, que pode ser descrita.
A saudade, é tão indelével.
Mais alegre se sente uma escrava!

Uma postura de nada, é pio,
neste mundo execrável,
que me arranha compulsivamente
com desprezo. É cobarde silêncio!
Sim!

Nada neste mundo pára,
nem de consternação maldita,
nem um pouco de nada ainda,
bem mais importante que a fala.
Quando tudo me cala, a palavra está dita.
Sim!

Algo me obriga,
por enquanto,
a gerir o silêncio?

Sim!



29DEZEMBRO2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O CIRCO DA VIDA




Vivo num espaço pequeno,
não micro cósmico que o é,
apenas a minha micro importância.
A desilusão abana-me a mente,
tempos a tempos já sem surpresa,
para manter o meu mundo acordado.
Há sonhos que já não procuro.
Há realidades por demais evidentes.
O que me circunda, apenas circula,
desisto da esperança? Nunca!
Toda a minha felicidade é simples.
Toda a minha felicidade tem um rumo,
além dos rumos individuais que lhe dou,
atinjo esses pontos altos, que direciono.
Limito-me à natural insignificância,
que finaliza por isso, a minha entrega.
Quando aprendo  o rumo,
torna-se tardio o retorno, já não regresso!
Poucos casos existem que tento.
Vivo neste meu pequeno espaço,
Ego e Alma que apenas eu entendo.
Sem lamúrias estúpidas, existo
com um qualquer propósito que decido.
Mas decido! Torno-me diferente,
pela rotina da minha própria história.
A desilusão, já não surpreende.
Visto-a como peça de roupa,
que troco quando amarrotada.
Peça após peça, peça após peça...
Ser feliz é inevitável, é um hábito,
que divido por pequenas fases,
por pequenas coisas diferentes,
pequenos gestos, amor insistente,
um pensamento, um sorriso,
qualquer coisa simples que sinta,
que preencha o espaço que esvazia.
Desisto de querer alguma coisa,
quando chegou a hora inevitável
de não ter mais nada para dar!
O circo da vida, sem bastidores,
traz o aparente prazer do sorriso.
Tanta mentira nas pessoas,
Uma vida de cosmética circense.

26DEZEMBRO2013

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ARREFEÇO NO NATAL



Arrefeço no Natal.
Talvez por ver tanto calor,
nos outros, mas não em mim.
Sorrio quando vejo outro,
de uma criança feliz,
nem que seja por um dia.
Toda a minha história,
inventa Natais felizes.
Só as crianças me transformam,
me encantam e, fico feliz.
Se enquadrasse o Natal,
seria frio como o tempo,
com esta vontade urgente,
de que passe depressa.
Sinto inseguro o Natal.
Não por negativismo,
apenas por os outros tantos,
que só lhe sentem o cheiro.
Olhar para os outros, sorrindo,
será ingrato e deslocado,
quando as faces estão rijas,
tão sinceras como a falsidade,
mas sem movimento indicador,
de uma qualquer felicidade.
Mas cantemos a dias melhores,
com ou sem poemas, a magia,
com ou sem música, a alegria,
mas cantemos à razão da vida.
Um beijo, um abraço, talvez
esses, a diferença e confiança.
Espero por ambos, indiferente e,
sozinho como todos os Natais.
Sorrio e imagino, "estrelas"
quando os olhos se fecham,
porque sei onde algures reina,
o brilho da felicidade!
Por aqui, está frio...


24DEZEMBRO2013

domingo, 22 de dezembro de 2013

QUANDO ME SINTO ASSIM...



Às vezes não sei o que sinto!
Isto não é uma lamúria,
deixem-se de mérdas de auto intelecto.
São tantas as dúvidas que tenho,
é tão pouco o meu tempo de vida.
O que me frustra é a limitação.
Tudo o que não depende de mim,
além do limite do corpo,
para além do limite do mundo,
como Dali mostrou,
fugindo da crosta do mundo,
assim eu me sinto.
A carne apodrece, é inevitável.
A Alma, persiste além do tempo
apesar de todas as minhas dúvidas
que continuo a ter e nunca saberei.
Quem responde a esta dúvida?
Quem? Nem Deus que o devia saber.
Tudo o que foi arquitectado se altera,
a desilusão da inteligência,
é tudo o que me ultrapassa,
sem qualquer controlo possível.
Até mesmo o que criamos,
adiamos porque o perdemos um dia.
Proporcionalmente, tudo se torna cruel.
Não poder estar com quem amo,
não poder ouvir quem quero,
não poder interagir com os mestres.
Às vezes não sei o que sinto!
Quando me sinto assim,
nada tem qualquer razão de ser.
Nem eu, que só por aqui passo!

22DEZEMBRO2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

TRANSPARÊNCIAS



A transparência ultrapassa-me
seguindo uma direcção.
Isto faz-me pensar. Será essa coisa,
o ultrapassar inocente dos limites?
Talvez seja uma fronteira. Um teste
que violo, sem saber como, nem porquê.
As horas, o tempo, têm uma cadência
infernalmente monótona. Previsível.
A transparência, é algo inesperado,
que torna agradável atravessá-la.
As palavras, são quase sempre transparentes,
especialmente sarcásticas, metafóricas
ou até mesmo irónias. E gosto!
Mas transparente, é tanta coisa.
O vidro que é frágil e quebra,
o ar que é invísivel e respiro,
as almas que não vejo mas sinto.
Pessoas são as que menos entendo!
Prefiro a transparência do sonho,
tenho a dúvida do "dejá vu",
o suor da alma hiperactiva,
tudo, tudo enquanto o corpo dorme.
Ultrapassar motivos que não conheço,
com histórias que afinal não invento,
sempre voando para um mundo paralelo.
Depois outro, depois outro,
ainda  mais outro, e ainda mais outro.
São tantos os meus mundos.
Viajando nessa transparência,
toco sempre a felicidade.
A transparência não me trava.
Serão portais, gelatinosos e turvos,
apenas ao toque que não sinto, e avanço.
As cores são reais, apenas alteradas
pela lógica de todo o real, o outro...
Meu Deus,
Sem blasfémias,
tendo eu o poder de escolha,
obviamente, optaria pelo outro lado!


20DEZEMBRO2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

NATALÍCIO




Perdi-me na essência do Natal.
Há muito que o não gozo,
mantenho o respeito simbólico.
Apenas as crianças me fazem sorrir,
são únicos os momentos de real felicidade
que o abrir de uma prenda consegue.
Consumismo antecipado, mas bom!
Não critico o empolgar das pessoas,
lamentando no fim apenas uma data.
Faz falta a fé, faz parte da humanidade.
Faltam-me as pessoas perto de mim.
Falta-me a alegria da presnça,
falta-me o toque e um olhar.
Como tantas outras vezes,
convivo aqui, feliz por uma folha,
conversando com um pouco de tinta.
Assalta-me a saudade,
com a violência do vazio.
A família passou a ser das palavras,
está aqui, cada vez mais perto de mim.
Este é o meu cheiro,
o meu sorriso e o meu toque.
Esta é a essência adquirida,
de todos os meus Natais.

18DEZEMBRO2013

O MEU CAMINHO




O meu caminho é abstrato.
As minhas certezas, não sei.
Prefiro andar descalço,
Onde a areia me beije os pés,
Onde o mar me chame o corpo.
Todos os caminhos são dúbios,
Biforcados, estranhos,
escolhidos, quentes, bons,
frios e cruéis. Mas vou...
Porque nem todos são assim.
Os passos, podem ser simples,
Fáceis e dissimulados na areia,
Numa braçada, num passo, num beijo.
A areia que me atrai é que me mata.
O meu caminho é tão imprevisível.
Estar aqui hoje não é Bula,
Certeza de absolutamente nada.
Hoje, estou aqui, assim.
Amanhã, estarei onde estiver,
Sem certezas ou dores por gozar.
Livre, solto, feliz por andar.
A manutenção do meu caminho,
Serve apenas para manter a verticalidade.
De resto, tudo é abstrato e organizado,
Onde tudo se une como peças de puzzle,
Onde o caos é apenas ordem,
Que ontem odiei e hoje admiro.
O meu caminho,
é estar aqui!

18DEZEMBRO2013

TODAS AS MEMÓRIAS



Hoje é dia de lembranças.
Até porque a nostalgia,
nem sempre presente,
tem rasgos desta fartura assumida.
Apesar de tudo rio-me da vida,
sem escánio nem hipócrisia,
apenas porque a amo, sem demasia.
Amo-a em espaços concretos,
além de um imaginário frequente,
em lugares comuns e definidos.
Não condeno a imposição de estar vivo.
Nasci por alguma razão,
talvez temporária,
talvez irreversivel,
sem saber qual a finalidade.
Por isso me lembro de todas as memórias,
acumuladas, em crescimento e maturação.
Sinceramente, quando paro e penso,
deixo de me preocupar com resultados.
Nasci, sem ser interrogado,
sem me pedirem qualquer opinião.
Quase me sinto abusado!
Voluntário, sem opção de escolha.
Toda a minha memória me atraiçoa.
Todas as conclusões são subjectivas,
mais e, mais, por cada vez mais que pense.
As lembranças são necessárias, eu sei.
Regulam a imaturidade e falta de senso.
Lembro-me de coisas boas,
de pessoas insubstituiveis e,
imensa saudade de tudo, ou quase tudo.
Toda esta vida é curta e incerta.
As lembranças e memórias,
são o depósito de combustível
que me move até que a exaustão me traia.
Apesar de toda a memória, ´
há um espaço imenso, um vazio enorme.
Lembrar-me de todas as coisas,
é escrever uma enciclopédia itinerante,
em tomos desproporcionados,
onde sinto falta de valores reais,
onde sinto a lembrança fútil,
realidade que já não sei se existe.
Amo a vida!
De todas as formas,
com todos os conteúdos
que me façam sentir feliz.

18DEZEMBRO2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

TUDO O QUE TENHO




Hoje chove.
Há cor cinza no céu.
Não há tristeza.
Talvez um dia diferente
Regando consciências.
Realmente é interessante,
A diversidade sensorial.
Pensar na diferença.
O bom e o mau,
O frio e o calor,
A fome e a fartura.

Hoje choveu.
Se fossem lágrimas,
Não veria a diferença.
Alegria ou tristeza.
Orgulho ou desilusão.
Apenas chuva.
Apenas senti a cadência,
Um ritmo que me acalma,
Com um quê de mistério,

Hoje choverá.
O tempo que não se conta,
As horas que não param,
Mas o outro tempo.
O tempo que me atrai,
O mesmo que me afasta.
O escuro, se for ovazio,
Já não me tormenta.
Faz-me pensar.
São formas de vida.

Se ainda chover,
Estarei por aqui,
Sózinho, como gosto,
Ouvirei o som da chuva,
Embalado nesta inércia.
São só palavras,
Tudo o que tenho!

15DEZEMBRO2013


sábado, 14 de dezembro de 2013

PORTUGAL FRÁGIL




Transtorna-me ver tanta redoma.
São de vidros frágeis,
vidros fuscos, martelados,
mesmo até sem vidro algum.
Todas as estruturas generalizaram
uma fraqueza assustadora.
Fracas terão de ser as redomas,
porque as estruturas não aguentam.
Mas lá por dentro,
no espaço da esperança,
reina um mundo diferente.
Vivem um dia por dia,
sem ligar ao poder da estrutura
que aos poucos se abate.
Vivem por viver,
nunca olham para cima
com medo que o Sol os castigue.
Sabe bem sentir o calor no corpo,
sem saber como nem porquê.
Assim se coleccionam vidas,
culturas e gentes subjugadas
sem reacção nenhuma à própria dor.
Passeando por este mapa,
vejo lugares embutidos em panteões
vulgarizados pela perda de identidade.
Vejo tudo o que condeno,
não encontro nada que se ajuste.
As sobras são "best sellers"
no mercado da sobrevivência.
Não se reage a nada.
A dor institucionalizou-se.
A submissão tornou-se vulgar.
O amanhã virou "tabu".
Custa-me andar na rua,
cercado por tanta redoma.
Fora de casa, cresceram telhados
todos de vidro velho e rachado
que se partem a todo o momento.
Ficam as ruínas dos castelos,
única memória de carisma irreverente.
Fica a história que já não se faz,
senão por folhas que arderão rapidamente.
Neste momento, pouco ou nada existe
muito menos orgulho por ser diferente.
Mas fica a minha gente,
fica um Portugal que se vende,
um Sol que os deuses nos deram
e serve ainda como única esperança.
Fácil seria sermos conquistados,
por inércia de defesa própria
por incompetência desleal e assídua.
Morrem as pessoas,
fica um país desgovernado,
sem governo que se veja.
Mas...
Apesar de tudo,
ser Português é ser maior!

14DEZEMBRO2013


PRECISO PARTIR DAQUI




Precisei um dia, de respirar,
talvez mais que deveria.
Uma sensação grogue
que adorei e, me deixou a
caminhar de forma estranha.
Num outro mundo, perto,
disforme, paralelo e pouco rígido,
cheio de personalidades inanimadas que,
apesar de tudo se movimentam, ali...
Talvez alucine sem o saber.
Talvez ultrapasse este mundo,
de vez em quando, por uns segundos.
Cada segundo, preenche o meu tempo.
O meu tempo real transforma-se,
numa medição cronométrica do sonho.
Segundos que se tornam dias.
Envelheço devagar, assim.
O pior de tudo, é que não quero acordar.
Se é que isso seja negativo, quero envelhecer.
Trocar de boa vontade o sentido da vida.
Viver dentro dos sonhos,
sonhar dentro da vida.
Misturar-me em mim mesmo,
como quem mistura um cocktail de álcool,
com mérdas tão mortíferas, que me fazem sentir bem.
Cores, sabores e sentidos diferentes...
Tudo sem um respirar básico, tudo diferente.
Respirar é uma perda de tempo,
apenas alimenta o compasso mecânico,
onde todas as peças do meu corpo,
se sentem bem só pelo movimento.
Sei que sou uma invenção evoluída
a um exponencial incrível, louco,
mas acima de tudo, ainda desconhecido.
Respirar para quê?
Perder o meu tempo sem razão aparente.
Preciso descansar todo o corpo mecânico e,
preciso partir, para onde o tempo não existe.

14DEZEMBRO2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

AMAR A VIDA




O cheiro da água.
A madrugada.
Caruma seca.
Raiar do dia.
Aquecer do corpo.
Acordar a alma.

Histórias por contar,
Que me lembro,
Que me esqueci,
O meu redor.

Se saio do medo,
Rezo por vida,
De toque de ombro,
Em toque de ombro,
Misturado na multidão.

Acordar do Ego,
Com pequenas frases.
Com pequenas coisas.
Com cheiros de vida.

Estar perdido,
Nos cheiros,
Nos toques de pele.
Ao fechar os olhos,
Ao Inalar, ao sentir,
Ao encontrar-me.

Abrir as mãos,
Sentir o mundo.
Tocar o horizonte.
Ouvir a música.
Amar a vida.

Tocar.
Sentir.
Sonhar.
Provar.

E devagar,
Amar a vida!

13DEZEMBRO2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

APENAS EU




Parei,
Por um pouco.

Um espelho,
Nevoeiro denso.
A silhueta,
Sendo eu,
É desfocada,
Insignificante.
Ressurge,
Paralela a um nada.

Parei,
Por um momento.

Repeti
Um episódio.
Uma pitada,
Um mistério.
Um sorriso.
Submisso
A uma realidade.

Parei
Neste canto do tempo.
Um soalho que range,
Um quarto vazio.
Apenas um espelho,
Uma névoa espessa.

Um sonho estranho,
Ecos vazios,
Sorrisos que aquecem,
Lentos, muito lentos.

Um espelho arcaico,
Prateado sumido,
Baço como névoa.

E eu.

Sonhar,
Sonhei,
Nada é simples.


12DEZEMBRO2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ATÉ SER LOUCO!




Será isto o que penso,
Como forma extra de vida.
Apreciar e recusar,
Tudo o que não preciso.
Preciso de tempo,
Preciso de vento.
Serei fraco ou forte,
Com as pequenas coisas,
Com pequenos passos.
O ritual de existência,
O Sol e a Lua
O dia e a noite.
São fases assim,
Caminhos de preto e de branco.
Ser simples é isto.
Dizer tudo num pequeno nada.
Quando grito com a vida,
Grito de forma pouco saudável,
Comigo. Sinto revolta.
Sinto a frustração do Mundo.
Saudável, será a ironia.
Toda esta dor com alma e,
Já pouca coisa me acalma.
Ser positivo,
Abusar da ilusão.
Sonhar um pouco,
De tudo. De nada,
Até ser louco!

11DEZEMBRO2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

PALCO PARCO




Nunca a liberdade foi assim tão alta.
Os regimes, são feitos de nada
que não mais consciências,
que congestionam pensamentos.
Sempre se censuraram as ambições.
Liberdade, essa não se perde,
não existe por tentativas.
Apenas existe!
Para ser livre basta sonhar,
basta ter o sonho vivo.
Mesmo o degredo é palco parco,
nunca as grades privaram vontades.
Abençoada a coragem dos homens.
Os que a têm ou desejariam ter.
Iluminadas as mentes visionárias,
coragem, é passo de quem é grande!


07DEZEMBRO2013

APENAS SOU...




Eu sei que tudo se confunde,
basta a luz reflectir o mundo.
Estalando os dedos,
a magia apenas se atrapalha
com o mistério da vida.
Suprimir o adquirido não é fácil.
Substituir o que é evidente,
leva-me ao fundo do mar,
onde tudo se torna escuro,
onde toda a vida se transforma.
Adaptarei os níveis necessários.
Serei anfíbio sem noção disso.
Apenas me confundo sózinho,
quando paro, inseguro de tudo.
Tantas ocasiões perdidas,
cuja dádiva é a aprendizagem.
Tanta coisa ultrapassável,
tanta coisa desnecessária,
tudo me faz pensar até à exaustão.
São apenas momentos,
soluções imediatas sem lógica.
Nada de lógicas interpretadas
mesmo que previsíveis. Apenas nada.
A sucessão de todas as palavras,
resumem o instinto do pensamento.
Nem sempre é preciso escrever,
imaginar, sonhar e entender.
Eu sei que tudo se confunde.
Eu sei que a magia faz parte,
de um mundo imaginário.
Eu, não sou mágico.
Eu, apenas sou estranho,
inseguro e imprevisível!

07DEZEMBRO2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

INCOMPLETO




De nós, a saudade.
De mim, não sei dizer.
Esta sensação de vazio.
Escrever estas letras,
Passar o tempo,
Cruel, lento e rotineiro.
Tudo o que faço,
Tudo o que digo,
O pouco que escrevo,
Nada faz sentido!
Sou defeito inventado,
sempre imperfeito,
sempre incompleto.

05DEZEMBRO2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SOBREVIVÊNCIA




A cadência do vazio,
Aumenta o desespero.
Passa o tempo inocente,
Numa calamidade anunciada.
Previsão de um fim.
Euforia de um início.
Venham os anjos,
Misturados entre nós,
Alimentando a esperança!
Falta-me a paciência,
Já tanto tempo de espera.
O stress da multidão,
Transforma a ansiedade
Em comum mecanismo ávido.
Apenas um denominador comum.
Sobrevivência egoísta assumida.
Tantas formas de vazio puro.
Tantas mentes sugadas,
Em corpos mecanizados
Por impulsos cardíacos.
A estrutura, corroída pelo tempo,
Arrasta-se, em objectivos
Raramente alcançados.
O som dos passos aumenta,
Por  pressão mecânica do corpo,
Mais leve de peso esfaimado,
Mais pesado em ombros caídos,
Sem sorriso que altere a existência.
Nascem as crianças como luz,
Um aquecer de almas perdidas,
Que de soltas se encontram,
Na procura desesperada de um sentido.
Alimentam-se e crescem,
Sádicamente rumando à tristeza da falta.
Recicla-se o tempo perdido.
Sossegam as mães exaustas,
Incertas do dever cumprido.
O sorriso é cópia da felicidade,
Tentando resgatar a origem da alma.
Sobrevivência!
Reencarnação de mais um dia.

04DEZEMBRO2013



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ATRACÇÃO!



Tenho medo!
Tenho esta atracção.
Tenho medo e,
Este medo não me larga.
O mar,
Sempre o meu maravilhoso mar!
O azul,
Sempre o atraente azul.
O frio,
Sempre um toque medonho.
Mas já não sinto.
Já não sinto frio.
Tenho medo,
Funciono fora daqui.
O meu calor,
Não o sinto, só sinto frio.
Tenho medo!
Tenho mesmo muito medo.
Todo este medo de continuar aqui.
Os azuis frios de mar,
Que me puxam, que me abraçam.
Preciso fugir desta atracção!

03DEZEMBRO2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ABSOLUTAMENTE NADA





Apenas o "destino" me acalma.
Adivinhar o que já foi escrito.
Neste momento estou solto.
Desfibrilado em batidas cardíacas,
tão certas e mecânicas que aborrecem.
À minha volta, tudo é hipótese,
solto que estou de paixões e coisas assim.
Estou vazio, seco e sem vontade...
Há tanto espaço para preencher,
tudo me parece absolutamente nada.
Tenho medo da introspecção, juro!
Tenho medo de pensar tanto. Em tudo.
Deixei de ter o meu mundo, não posso.
Ando sempre à frente de mim próprio.
O meu crucífixo é este, os outros.
Falta-me vontade para tanta coisa.
Falta-me força física,
falta-me força que admiro,
falta-me vontade de respirar.
Sobra-me dez gramas de alma.
As palavras passaram à solidão,
sózinhas, sem resposta inteligente.
O que era já não o é.
A paixão, dobra-me o corpo,
não pelo peso que teve, mas
por esta falta de ar dolorosa.
Mas tudo passa, tudo muda.
Todas as dores são mínimas.
Todas as dores são corpo,
e o corpo é absolutamente nada!

02DEZEMBRO2013

sábado, 30 de novembro de 2013

TODAS AS PALAVRAS



Todas as palavras são incompletas.
Não invento subjectividades.
Apenas são!
O bonito, o positivo, o apetecível.
Bardamérda para estes conceitos.
Chamem-me nomes. Chamem-me!
Não estou minimamente preocupado.
Desde novo, muito novo, que fujo.
Fujo a este meu mundo iluminado.
Procuro. Sim, eu sei que procuro,
todo o Iluminismo possível, mas hoje.
Digo muitas coisas, escrevo outras tantas,
com toda a inocência que me apetece.
Quando acordo, não vejo nada.
É o pandemónio personificado,
onde todos os positivismos teatrais,
me envolvem como o cheiro a café quente.
Sabe bem, sim.
Sabe bem absolutamente.
Mas a mistura, a acidez e o palato,
é tantas vezes acre demais para o meu gosto.
Sei que fica bem.
Sei que é bonito gente bonita.
E eu?
Desengonçado desdenho alguns elitismos.
Nem todos, mas o que não são,
todos os que gostavam de ser.
Todos os gestos são bonitos,
até comunismos caviares de trazer por casa.
Há idealismos que ficam bem.
Parafrenália de sapos fumadores,
que rebentam à primeira tussidela.
As palavras, são o que são.
Muitas, boas, más, horríveis,
lindas, afáveis, sonhadoras, tudo...
Tudo neste mundo nasce e morre,
tudo é incompleto!

30NOVEMBRO2013

A QUEDA DE UM ANJO




Voam todos os anjos,
mesmo de asas escondidas.
Caindo, não se perdem,
há apelos a todas as memórias.
Perde-se o corpo, desfeito,
choram-se lágrimas de saudade,
misturados sorrisos, estranhos
indiscriminadamente incrédulos.
Ser humano é a base inquieta,
o afogar de todas as margens,
nem sempre um só Deus chega.
Perder estúpidamente um amigo,
pela queda de todos os anjos.


30NOVEMBRO

(Dedicado ao amigo e companheiro de andebol
 leonino, José Carlos Soares, falecido ontem
na queda de avião entre Angola e Moçambique)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CRIANÇA




Servil razão,
pedaço crú,
vida vil.
Esfomeada.
Desprezada.
Nada me aquece,
nem a alma.
A dor fica,
imatura e inerte.
A memória,
cruel,
nunca esquece,
são imagens.
A dor é pranto,
o meu, de seco,
corroi-me a vida.
Sorriso...
Um sorriso que seja,
preciso!
Um beijo,
um só beijo,
na primeira criança.
Desprezível mundo,
abusadora essência.


28NOVEMBRO2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

SOBREVIVO



Particularmente, repito-me
Sobre todas as coisas.
Este ritual próprio,
Ecoa como papel amarrotado.

O acto de pensar.
Respostas que serão
Talvez, um dia minhas.

Papel químico de todos os dias.
O vácuo da perspectiva,
Um ponto imaginário,
Como todas as dúvidas.

A simetria dos sonhos,
Deixa-me abstrato do sério,
De toda a geometria lógica,
Onde as permissas subtraidas,
Já não fazem sentido.

Perseguirei eu o quê?

A repetição, eu sei.
As dúvidas ficam,
Certezas já não existem,
Respostas são rituais.

Sobrevivo.


25NOVEMBRO2013

QUERO IR !




Simples, a vida.
Adiada a permanência,
Todos os desejos.

Um brilho nos olhos.
Um acordar lento.
Um sorriso solitário.

Um "bom dia".
Um beijo,
Uma mão,
Insegura a pele nua.

Um cheiro no ar,
Um corpo encostado.
O sol que aquece.
Fantasiar e permanecer.
Penetrar.

Morrem as folhas,
Piam os pássaros.
Nem felizes nem tristes,
Mas piam.

Apetece sair daqui.
Sem sonho,
Indefinidamente.
Partir!

Simples a vida.
Adiado o grito.
Simples a saída.
Só eu, o aqui aflito.

Quero ir!

25NOVEMBRO2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A RAZÃO




Facilmente me distraio com o tempo e,
De fio a pavio pouco ou nada encontro.
Perco-me de tudo, até de mim próprio.
Distraio-me com os comportamentos,
até tornar o meu secundário.
Ninguém tem culpa de nada!
Ninguém! Absolutamente ninguém.
Toda a gente procura o que é certo,
Toda a gente assume a sua indiferença.
Eu, disfarço com (alguma) falta de atenção,
Pretendo não fazer aquilo que faço.
Às vezes, já não sei se estou certo.
Confundo-me tanto!
Confundo-me essencialmente a sós,
Com a confusão de tantos outros.
Mas assumo a minha razão,
Arriscando um carimbo crítico.
Apesar de tudo, convicto.
Estou certo da indiferença que presto.
Este hábito é polémico, eu sei.
Deveria preocupar-me comigo.
A conclusão a que chego,
Tem um "cordão" comum a todos.
Há algo de ínicio ou final comuns.
Há uma linha invísivel que nos une,
Mesmo na crueldade da indiferença.
A realidade é um conceito sensível que,
"Justifica" todas as reacções humanas.
A razão. A atitude da vida,
Tem de ser vivida "in loco" para ser sentida.
O imaginário, mesmo memória,
Mesmo presente ou futuro,
Tem as sensações alteradas, em créditos
Adaptados à vontade e previsão do aceitável.
A multidão atrai-me por isto.
A panaceia de comportamentos que,
Isolados e provocados pela Humanidade,
Se concentram em actos individualistas,
Quase homogénios e previsiveis.
O Homem nasceu complicado.
Muito complicado!
A Humanidade cria um exame permanente,
Sem filtrar a real razão da existência.
Em grupo, é-me sempre difícil
Atingir o equilíbrio da simplicidade.
Afinal nascemos simples,
Afinal nascemos inocentes mas,
Crescemos ao contrário da razão.
A razão, é ser simples!

21NOVEMBRO2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

TANTOS NADAS




Depois,
porquês,
respostas,
um nada.

Despedidas.
Religião,
fé e conforto,
um nada.

Amor,
desejo,
saudade.

Tantos nadas.


20NOVEMBRO2013

TÃO PERTO...




Deixarei passar estes momentos,
Como pequenos passos incertos
Na aprendizagem da verticalidade.
A admiração recorrente será simples,
Como todas as pequenas inimosidades,
Que se aprendem por desconfiança.
Apenas soletrar o verbo certo,
Acreditar na composição da vida,
Ouvir um som divino intemporal.
Serenidade absoluta como destino,
A tal sincronia cósmica individual,
Que só mesmo alguns entendem.
Porque pensam
Apenas porque pensam!
São momentos tão próximos,
São toques indeléveis e supremos.
São maestros de todo o sempre,
Eleitos por egoísmo consciente.
E ainda bem!
Ainda bem que existe egoísmo.
Todo o egoísmo divino,
Que afunila a criatividade.
Assim se concentra o virtuoso,
Assim se sente a genialidade.
Assim eu oiço um trecho de Bach.
Agora,
Tão perto do dívino.

20NOVEMBRO2013

NÃO SEREI EU O ÓDIO



Nunca serei eu o ódio,
Depois de todos os finais.
Vil enfermo sentimento,
Cada vez mais imenso,
Por tanta falta de tacto.
Receio tanto este poder,
Que apenas o ódio provoca.
Receio as ruinas,
Os farrapos e corpos,
Tudo que no fim resta.
Estou ansioso, confesso.
Todos os adjectivos
Receosos que encontrem,
Me assentam agora.
Um país e um mundo,
Tão estranho e imundo,
No ódio que será criado.
Pois tenho receio,
Muito receio do Homem.
Prefiro os autores,
De letras e de cores,
Que me filtram a memória.
Tenho medo de proximidades
De apelos sem vontades e,
Resultados menos práticos.
Pelo que sofre o meu país,
Tenho receio do que se diz
Do que se fala e se abusa.
Não serei eu o ódio,
De mim sei esta certeza,
Dos outros... não.

20NOVEMBRO2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

VOCÊS CRIANÇAS



Apenas vocês crianças me atrapalham.
Apenas vocês crianças me tornam frágil.
Tenho repulsa pelas notícias que leio,
Crianças como resultado da fraqueza humana.
O resultado não são as crianças,
O resultado é o que sofrem por imposição,
Apenas por nascerem sem saber disso.
Mete-me nojo esta apatia degenerada,
Mete-me nojo o crédito dado,
A todas as causas desta peste humana.
Mete-me nojo a fome premeditada.
Sinto-me frustrado por estar impune.
Já não sei se o estou, ou se também a mim
Me falta a coragem de partir,
Para um qualquer lugar e amparar os inanimados.
Será medo! Tenho a certeza do meu medo.
Da falta de forças que me irá assaltar,
De perder estribeiras e matar alguém que o mereça.
Ninguém o merece eu sei.
Mas então, porquê as crianças ?
Tanta possibilidade que existe realmente,
Tanta opção real que todos sabemos.
Então, porque não? Então?!
Às vezes apetece-me ser cruel,
Invertendo os polos sociais,
Fazer dos filhos de quem governa,
Os esfomeados de amanhã. Deus me perdoe!
Será que só assim reajam?
Se o for, que seja pois já chega.
Já chega de tanto sofrimento ultrapassável!
Queria tanto ser Deus e fulminar os idiotas.
Queria tanto ser Deus e beijar as crianças.
Vocês crianças, são o que falta.
Vocês crianças, são o que existe.
Vocês crianças, são a alma do Mundo!


19NOVEMBRO2013

MAIS UM DIA

Talvez me apeteça a dor.
Um laivo de saudade,
Uma sensação de estar sózinho.
Por estranho que pareça,
Sabe bem uma dor disfarçada.
Quando acordo, acorda o vazio,
Que afinal me preenche o corpo.
Não me regulo pela diferença,
Não consigo evitar rituais.
Invadem-me os sons da Vida,
Internos e absolutistas,
Externos abusadores da paciência.
As imagens sucedem por si só,
A realidade de mais um dia.
Perdem-se as outras, a ilusão
Adormecida que me renova a alma.
Preciso de coragem para acordar.
Existir não passa de um desafio,
Tão permanente como o tempo.
O cheiro a café, faz a diferença
onde o ritual me acalma e me desliga
de tantos pensamentos estranhos.
Interrupção de sonhos, a manhã.
Realidade e os desafios que preciso,
E é mais um dia, vivo, por este mundo...

19NOVEMBRO2013

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CHEGAR OU PARTIR



Cheguei.

Sem saber,
Apenas cheguei.
Não incomoda a razão,
A apreciação ou o sentido,
Apenas usurpo um espaço.

Saio à rua.
Saio do útero.

Cheguei,

Sem saber,
Sem querer, mas
Cheguei.

Se foi difícil?
Não por muito tempo.
Chegar, só por si,
Não justifica a permanência.

Estar,
Existir,
Nem sempre é bom,
Há dependência,
Inocência imposta,
Fragilidade abusiva.

Até partir.

Só o chegar é imposto.

Não pedi nada!
Estou preso;
Ainda preso à chegada.

Se fosse eu,
Agora e imediatamente,
Partia sem ter chegado!

18NOVEMBRO2013

sábado, 16 de novembro de 2013

A FALTA



Tentei fugir
a este mundo.
E tento
Tantas vezes!

Tudo é transparente,
Paredes,
Portas fechadas.

Doi-me o corpo
Por tentar
Tantas vezes!

A redoma,
Supostamente frágil,
Prende-me.
Quase sempre.

Só a luz não chega.
Falta-me o ar,
Falta-me o cheiro,
O tacto.
Falta-me tanto!

Não fiz mal,
Nem fiz nada
Absolutamente nada.

Falta-me tudo.
Falta-me...
Tanto!

16NOVEMBRO 2013

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

SEI QUE FAÇO PARTE



Desencantam-me por martírio,
As formas penalizantes da vida.
A sofreguidão da dor.
Incansável  mistério desejado,
Afunilando choros falsos,
Em barris de intenções, já
Afogados na miséria dos outros.

Servirei algo supremo,
Com o ânimo das obrigações?
Arcaico seja o exemplo
De tanta certeza inexplicável.

Rumam feixes de luz,
Em carapaças arquitetadas
Por zenites milenários,
Abençoados por todos
Os equinócios do tempo.

As linhas que me magnetizam,
Paralelas a todos os mundos,
Hemisférios, latitudes e longitudes,
São as linhas que unem os "mistérios".

Mesmo neste meu Mundo, agora térreo
Desviado por gravidade paralela,
A memória filtra-me a alma,
Muda-me as cores do Ego,
Apenas pelo sentido frágil da vida.

Esta vida, que reconheço e sinto,
Não me oferece certeza de futuro.
Outra vida, talvez ambígua e reencarnada,
Na perseguição da existência,
Talvez se resuma a um desenlace,
Que apenas prevejo diferente.

Sei que sim!
Sei que faço parte!
De Tudo e de Nada.

15NOVEMBRO2013

BAIRRO VELHO




Só oiço o eco de passos.
Não vejo absolutamente ninguém,
Resisto a este mundo paralelo.
De longe um som metálico.
Carroças que galgam calçadas,
Em basaltos desordenados e soltos.
Menos intensos, outros metais
Crianças empurrando rodas,
Uma correria saudável no tempo.
Toda a imagem tem uma névoa,
Uma moldura viva amarelada,
Um tempo gasto pelos séculos.
Os pregões competem, um vibrato,
Seguido por risos escondidos,
Tossidelas de tabaco barato,
Que o corpo habituado na tasca,
Conspurca o ar frio da manhã.
As varinas competem, airosas
Mão na cintura fugosa e manhosa,
Num arredondar de saiote peixeiro.
Sem dar nas vistas, nem perdendo pitada,
O padeiro apenas enche sacos vazios
Adormecidos nas portas velhas e rombas.
Ainda há bêbados chatos na rua,
Quase rendidos ao brilho do Sol e,
Às chagas das quedas da noite que,
O corpo cansado se vai rendendo.
Assentam os caixotes de legumes e fruta,
Na azáfama da mercearia de portas abertas.
Entregam-se as caixas às freguesas,
Pelos miúdos que procuram tostões.
Há uma vitrina que separa a sabedoria,
Do mestre mais admirado do bairro.
Enquanto a razura das barbas amolece
Em panos quentes, cabelos varridos na sargeta
São despojos de conversas iluminadas,
Por confusões criadas na vizinhança.
Há um cheiro saudável no ar,
O perfume não tem nada senão pestilento,
Apesar de sentir a pureza deste quadro vivo,
Imaginado num sonho de saudade.
Os bairros deixam apenas paredes,
Envelhecem a uma velocidade doida,
Que nós humanos não entendemos.
Falta-nos o espírito de aldeia nas gentes,
Falta-nos o respeito pelo mais simples e arcaico.
Falta-me a mim tanta coisa, que sonho...
Sonho que não tarda, estarei atrás do tempo
no reverso de um espelho rachado de velho.
Sonho... Apenas sonho.

15NOVEMBRO2013

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

EU E DEUS II




Talvez o meu corpo não sirva de nada.
Passo o tempo questionando tanta coisa.
Leio Pessoa, Ramos Rosa, Júdice ou Gedeão,
apenas fico mais desfocado pelo que sinto.
Leio tantos autores que não conheci,
mas no final do dia, depois do fim,
parecem os meus amigos de infância.
Puros e inocentes como eu, ou talvez não.
Todas as diferenças, eram para outras almas.
Só pensei no que penso sempre,
gosto de quem gosta, respeito quem respeita,
com todas as amizades por consequência.
Sei de tantas formas de tocar a felicidade.
Sei redigir uma página em tinta de limão,
oxidada pela sinceridade que só eu leio.
Neste momento, talvez me apetecesse fugir.
Fugir do mundo e das pessoas sem excepção.
Terei desfazamentos de personalidade, talvez.
Sigo toda a verdade do que sinto, não minto.
Apetece-me ficar aqui por meses seguidos.
Escrever as maiores hipócrisias possíveis,
sem ver um final premeditado. Desabafar...
Não sei o porquê mas apetece-me correr,
salpicar-me de água salgada à beira mar,
onde só as gaivotas se revoltam comigo.
Apetece-me uma ilha isolada do mundo.
Apetece-me festejar com todas as pessoas,
onde a boa intenção seja o salvoconduto.
Apetece-me apenas tudo, porque tudo faz parte.
Todas as premissas são a resolução do problema.
Todos os químicos que me podem ou não sarar,
são a base alquímica da minha pedra filosofal.
Tenho uma chama no peito, que me doi!
Tenho um fervor no sangue, que me agonia!
Talvez o corpo não me sirva de nada!
Talvez só eu e Deus nos entendamos.

14NOVEMBRO2013

PREFERÊNCIAS




Prefiro a inconsciência,
Sendo catálogo do desespero,
Com várias opções para dar.

Prefiro a irresponsabilidade,
Sendo fruto de tanta mentira,
Que nem sei como me chamo.

Prefiro a irreverência,
Sendo autómato de ilusões,
Gritando sempre que não.

Prefiro a indulgência,
Sendo vítima dos meus pecados,
Perdoados apenas com um sorriso.

Prefiro a falência,
Ser o provável desespero de causa,
Em todas as minhas impossibilidades.

Prefiro o Sonho!
Ser protagonista inconsciente,
Viver de forma irresponsável,
Continuar a irreverência,
Conduzir falências mentais
Alimentando o amor pela vida.

Sonhar é tudo!
Prefiro Sonhar!

14NOVEMBRO2013

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O FRIO



O frio fez-me sério.
Acutilou atitudes adormecidas.
Qualquer pensamento adormecido,
cresceu em afazeres temperados,
onde as formas e cores, me alteram.
Sou o mistério de mim próprio.
Uma fase sem alteração prevista,
sem ciência ou sagrada sofreguidão
que me altere margens de inteligência.
Amo a diferença das coisas.
Pintura, apesar do inanimado,
mexe toda a alma disponível,
quando só o poder da existência,
me aconselha o beijo da calma.
O frio que sinto,
é a fase premediatada dos objectivos.
O frio que sinto,
é calor fingido ou inanimado,
que por mais que queira, nunca existe!
O frio.
Sou eu,
O frio.


12NOVEMBRO2013

AMO TUDO



Cheguei ao final desejado.
Não sei se morro ou não.
Aliás, sei. Mas não quando.
Sei que vivo sem demasiadas regras.
Não ínfrinjo as que não devo,
mas abuso de todas que possa!
Sei sentir o que me rejuvenesce,
sei definhar o que me apoquenta.
O final, está aqui. Comigo.
Superstições inacabadas,
esperanças hipócritas,
interpretações silenciosas.
A miséria despropositada.
A chave do pensamento,
torna este movimento peculiar.
Nada do que me faz feliz,
me transforma por outros.
Sinto um egoísmo enorme!
Um egoísmo muito meu,
de tudo o que ofereço.
O Ego é como estômago vazio,
um estado letárgico,
apenas porque parece bem!
As pernas fraquejam,
o tronco ilumina uma auréola,
por força quase inexistente.
A muralha de uma vida fraca.
Quero acabar aqui!
Já!
Amo, mas apenas,
Tudo!

12NOVEMBRO 2013

A ESCOLHA




Desci à cidade.
Cheia de brilho e cor.
Não deixa de ser bom
Este sentimento cimentado.
Há imagens tão boas,
Como boas são todas as outras imagens.
O rio, enérgico imparavel,
Dá-me um rasgo de admiração
Que impulsiona o amor pela vida.
Admiro o que é belo,
Dentro e fora da conveniência.
Toda a política correcta,
Apenas serve a imagem que detesto.
O espaço do cimento
Pode ser tão bonito como a natureza.
Natureza humana, é arte
Interligada a toda a necessidade.
Sei que o necessário é subjectivo.
Sei do devaneio desnecessário,
Que sempre abusa da minha paciência.
Sei de tantas coisas e não sei de nada.
Apenas me adapto.
Apenas e instintivamente humano.
Descer à cidade,
Arte criativa sem penalizar a vida,
É uma outra forma inteligente
De tentar ser um pouco como gostaria.
As cores dos reflexos,
São como a sombra que me deforma e,
Por mais que tente nunca me altera.
O campo é natura assumida por Deus.
A cidade é o devaneio do Homem
Em pleno teste divino de existência.
Prefiro viver em comum,
Admirar respostas que não encontro,
Perseguir perguntas que me confundem,
Admirando o que tem de ser admirado.
A alternativa, é uma forma de vida,
Escolher é ser livre e pensamento,
Viver escolhendo,
É ser livre;
Vivendo.

12NOVEMBRO2013

domingo, 10 de novembro de 2013

AMEI O MUNDO



Apenas ouvi o tempo que
Passou devagar.
Passou o firmamento
Imenso.
Estrelas e brilhos
Cores que só a noite tem.
Definhei no meu nada
Desde madrugada
Na minha pequenez
Imensa.
Todo o tempo do mundo
Transformei eu aqui.
O selvagem domado
Em glaciares idos
No degelo de tantas almas.
A minha, subiu e voou
até aos píncaros da felicidade.
Fui águia
Planei no campo dos Deuses
Onde todas as presas
Não servem de alimento.
Todo o frio, não foi causa
Que me acordou a pele;
Só a sofreguidão dos olhos.
O Fogo foi terno e acolhedor
Um aconchego dominante
Que me afagou a dor.
O Ar alimentou a perspectiva
De toda a existência.
A Água desfilou
Como lágrimas possíveis
Que desaguaram em memórias.
A Terra foi poiso de sensações
Todas, as que ninguém esquece.
Natureza pura
Homem verde interligados.
Ligaram os Mundos
Sonho e realidade paralelos.
Amei o mundo.
Amei a vida
Como nunca!
E fico!

10NOVEMBRO2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

SUFOCO




Ser ligeiro
como vento,
sem sufocar.

Além de tudo,
um naufrágio subtil
num horizonte perdido.

Ficção envelhecida
em duas bocas de veludo.

Do céu e da terra,
um toque de nevoeiro,
o beijo perfeito.

Falta-me oxigenar a razão.

Apertar rochas de água salgada
e beber o destino.

Talvez haja um momento,
lento, muito lento
que me embriague o ego.

Saber ser leve
e ligeiro,
como o vento.

Sem sufocar.


31OUTUBRO2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

IMPRESSÕES





Deixem murmurar os rumores,
Há excesso de impulsos.
São curtas as horas!
São pequenos os dias.
Fala-se muito de pouco.
A palma da minha mão,
É como um retrato.
Uma árvore seca enrugada.
As folhas, de tão verdes,
Murcham exaustas. E caem.
Uma árvore nua e crua,
Como nua te amo, mulher.
Imóvel como uma pedra,
Uma composição selvagem,
Uma qualquer vida própria.
São rumores. Suposições.
Só os meus poros gritam,
Incomodados do ciúme.
Suo como a chuva,
E crescem árvores e flores.
Da boca cuspo fogo,
O que mata e renova vidas.
As horas são curtas.
Os dias cada vez mais pequenos.
Falta-me tanto de tudo!
Já me falta o tempo.

30OUTUBRO2013


PORMENORES




Prestem atenção aos pormenores.
Aprendam como é simples coexistir.
Olhem as flores como exemplo,
Deixem de misturar a mariquice,
Apenas por apreciar o que é belo!
Tão simples que é crescer sozinho,
Num campo de espécie semelhante.
Toda a flor representa um indivíduo,
Solitário mas replandecente e feliz.
A felicidade sorri apenas no existir,
O crescimento simboliza a Beleza.
O brilho áureo sem espírito,
Existe apenas com um olhar.
A cor e a forma reluzem de creação,
E não se atrapalham entre elas.
Não há ciúme nem concorrência,
Quantas mais forem melhor,
Maior será o impacto do conjunto.
Tenho inveja das flores!
Apesar da inércia aparente,
Ensinam-me o valor da multidão.
Ainda mais que isso, conseguem
Algo inédito que só aprecio
Quando observo comportamentos.
Mas com elas, com as flores,
Perco-me por apatia não aparente,
Mas por admiração sem limite.
Agora entendo as telas dos mestres.
Agora percebo o valor de toda a cor.
Agora sim, presto atenção a tudo,
Tudo o que me traga felicidade.
Parto para um novo caminho,
Onde ignoro sem desprezar a crítica.
Todos os pormenores contam.
O infímo é o filtro de algo enorme.
E aprendo a ser feliz...

30OUTUBRO2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

FIM




Se a palavra matar a injustiça.
Afio todas as letras como facas,
Tão cortantes e aniquilantes,
Como uma folha qualquer.

Nem toda a palavra mata.
Tenho pena porque a usaria.

Quero o fim do purgatório.
Tanta pena que não tenho,
De quem morra por punidor.

Todos os pecados sofrem.
Todas as dores corroem a carne.
Todos os assassinos morrem.

Tudo acaba numa palavra,
Fim!

29OUTUBRO2013

ACORDAR SIMPLES





Poderei acordar todos os dias,
Apenas me falta capacidade,
Vontade permanente e geral,
Para gozar a plenitude da vida.
Impossível e infeliz porquê.
Disfarçadamente vivo feliz,
Sempre que o Sol entra janela dentro.
O invísível toca-me concentradamente,
Acabando com a preguiça fácil
Que me invade ao primeiro respirar do dia.
Não me faltam forças. Nada disso
Nada me falta para qualquer finalidade,
Apenas disfarce ou desprezo ambíguo.
As notícias transformam a esperança,
Sendo única alternativa, ignorar sem ignorância.
Resta-me tudo, nada de choros parvos,
Tudo resta ou falta, por inércia,
A inércia que combato e me revolta.
Sei ser homem de atitudes discutíveis,
De feitio alterado por impulsos.
Sei ser assim, sei ser muito mais que isso!
A resposta, se for d'outros, será diferente
De todas as minhas respostas a mim mesmo.
Sempre diferente e ambígua, e quero isso.
Quero pensar de várias formas,
Quero que o assunto central se divída.
Apenas acordar todos os dias não chega.
Apenas respirar por sobrevivência não chega.
Apenas mais um dia não chega.
Cada vez mais, me chega tudo como suficiente.
Estou no limite da paciência com o Mundo.
Falta-me paciência para aturar a arrogância,
Falta-me paciência para aturar os "iluminados",
Provocadores só porque acham que sim.
A Humildade continua a ser difícil de alcançar.
Não de herda nem se compra, procura-se.
Luto contra tanta coisa estranha que passa por mim.
Apenas a simplicidade me interessa,
E essa tem sido a maior dificuldade da vida.
Ser simples não se herda nem se compra, conquista-se.
Poderei acordar todos os dias,
Todos dias serei simples por opção de vida.
Que se danem as opiniões dos outros.

28OUTUBRO2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

PEQUENEZ



Percebi finalmente a minha pequenez!
Sou ínfimo aqui, neste espaço medonho,
Quase tão enorme como o meu sonho,
Mas tão pequeno à vista do Arquitecto.
A essência de toda a vida,
Todas as vidas de pés na terra,
Têm geomancia como arca, indefinida,
Demasiada. Demasiada com tanta gente,
humilde, que sofre e impera sem o saber.
Os rios que não separam as margens, são
Oceanos que nos unem em linhas rectas.
A fraqueza, está em corpo e carne,
Apesar do sustento das almas,
Que sempre os renovam.
São os mistérios que movem a alquimia,
A procura de todas as pedras filosofais.
A Humanidade, essa, divide-se negativamente,
Pelos próprio meios que a sustentam.
Sei da destruição de almas que renascem,
Sei do menosprezo à vida terrestre.
Apenas a pobreza se perde em crescendo,
Apenas me dói sentir que sou humano,
Ver crianças morrerem famintas,
Ver a doença evitável e ignorada,
Ver um mundo mentiroso e utópico,
Ver a continuidade da ignorância,
Por desleixo profano e egoísmo!
Pudera eu ser Deus por um dia!
Juntar todas as chamas individuais,
Juntando a minha própria,
Só de uma chama faria fogo.
Queimaria as ideias idiotas, a amargura,
Destruiria todos os pecados solucionáveis.
Apesar de tudo, vivemos nesta contradição.
A de destruir para voltar a criar,
Sem conhecer esse poder de origem.
Morrer para voltar a nascer.
Sofrer na procura da felicidade!
Estou farto!
Perecebi a minha pequenez!

28OUTUBRO2013

sábado, 26 de outubro de 2013

EFÉMERA ROTINA



Ando assustado com a rotina.
Já não é a mesma que era.
Os mecanismos estão corroídos,
as engrenagens guincham sózinhas,
adivinho um final doloroso.
Já não há manutenção a esta alma,
a engenharia imaginária enrijou
gretando a pele que a sustenta.
As rugas crescem por lubrificar,
secam os processos do tempo.
Fica o sadismo da inteligência.
Fica a alma que pensa e vê,
sem remédio mundano ou milagre.
A dor da noção que tenho,
não se altera, antes se afina,
corta-me ilusões efémeras.
Um devaneio, é peculiar,
normalmente não me ralo.
Desvio o consciente para as artes,
distraem-me. Sem grande frenesim,
da realidade, e o envelhecer do tempo.
Abnego-me a todas as alterações,
as minhas e de outros que estimo.
Além de tudo, é a felicidade que conta!
A rotina, apesar de tudo, fica.
Uso-a indescriminadamente por defeito.
Nada contra. Só o susto da (in)diferença.
Que tudo de novo surja. Depois da rotina,
sorrio à novidade. Uma outra ruga.
Tão previsivel como a morte.
O potencial do ânimo está aqui,
no próximo sorriso sincero, sem teatro,
a todas as imprevisibilidades do Mundo,
a todos os finais científicos previstos,
a todas as indefinições e incertezas,
que nunca alcançarei, por falta de tempo.
Mas amo tudo o que me merece,
todos os que me querem, na minha rotina.
A vida não passa de rituais consagrados,
nós efémeros, dependemos de rotinas.
As rotinas são para cumprir!


26OUTUBRO2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

AS NORMAS





As normas que me regulam,
Começam por pequenas coisas.
A "obediência" é ritual costumeiro,
Por alcance diário de Sabedoria.
Venham todas as cores possíveis,
Caleidoscópios abrilhantados por mim,
Que a glória da felicidade me inunde,
Assim fosse possível ao Mundo.
As feições são inundadas de alegria,
Sorrisos inocentes são de crianças.
Um berreiro nas brincadeiras de rua.
Siga a vida. Há esperança todos os dias.

As normas, as que me regulam,
São simples como todas as coisas.
Toda a rotina inata do corpo,
Regras a que a alma se adapta.
Um espelho. O meu paralelo,
A sombra que me desafia,
Desregulamentando os meus passos.
Todas as dúvidas são necessárias.
A certeza por adquirido é enfadonha.
Os aromas da manhã, rejuvenescem
Toda a preguiça ainda por eliminar.
A vida, essa, segue impávida e serena,
Apenas eu preciso de a acompanhar.

As normas que me entusiasmam,
São tentativas que copiam sonhos.
São espaços preenchidos por um vazio,
Onde a harmonia é mestra no dogma,
que automatiza crescer por si mesma.
Tudo se resume a finalidades.
Desejos. Objectivos alcançáveis.
A felicidade vive-se por fracções,
A alma, absorve-a por necessidade.
Eu fico no sossego dos deuses,
Não só por gostar deste Mundo,
Mas por o querer viver. Feliz.
Com toda a serenidade!

É atingível!
Sigo também, as minhas normas!

25OUTUBRO2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O TEMPORAL




Mesmo quando a chuva cai assim,
O temor do relâmpago, de tão longe
A distância, do som do trovão em mim.
Já não há nostalgia de Inverno.
Apenas o ritmo de gotas no vidro.
Forte, muito forte, cada vez mais forte.
Cai uma chuva poderosa abraçada ao vento.
O ritmo assustador, tal como o meu receio,
Tortura a vidraça corajosa e indiferente,
Resistente a todo o fustigar dos elementos.
Todos os sons são únicos! Funcionam
Como orquestra de metais em crescendo.
Uma debandada de chuva sem compaixão.
Cai o mundo a meus pés, liquidificado.
O pó do caminho, deixou de saltar
Absorvido pelo poder da borrasca.
Soltam-se rios e ribeiros pequenos, lutam
Com a alma que lhes vale em crescendo.
Nascem socalcos e margens,
Controlam a torrente que acalma.
Fica fresco o ar. Respira-se melhor.
Choram pelo calor os que choravam suor.
Soltam-se raios e coriscos de bocas mal lavadas.
A chuva cai. Não pára nunca, indiferente.
Sobrevivam ou morram, tanto se lhe dá...
Apenas o Outono tem um fim antecipado.
Apenas as folhas mortas vivem na corrente.
E chove. Chove muito. E reza-se.
Nasce a pobreza da fartura nefasta.
Já não se pede o que foi pedido.
A hora, apenas esta hora conta.
Apenas eu me interrogo. Para quê?
Para quê acreditar na necessidade?
Que venha o Sol, o calor e a seca.
Porque se chove, chora-se sempre
Como quem chora por outra coisa qualquer.


24OUTUBRO2013



domingo, 20 de outubro de 2013

A LUZ




Uma luz ao fundo do túnel.
Um mistério que o sonho reproduz.
Mas não foi sonho o que vivi!
Vivi o brilho sem caminho,
caminhei por impulso sem movimento.
Apenas um brilho,
um filtro de luz purificado,
atraente como a beleza,
magnetizante como a morte.
O bom da viagem,
foi poder gozá-la na volta.
Não saber porquê,
não saber onde estou,
acordar vazio de tudo!
Os ecos das palavras,
potentes como timbres fora de tom,
passaram por mim,
rápidos como o tempo,
todo o tempo de vácuo que senti.
O encontro com Deus,
uma dúvida sem resolução,
apenas um espaço de nada.
Foi um túnel sem paredes,
sem estrutura aparente,
apenas um espaço quântico,
do tamanho do cosmos.
Só a luz existe!
Uma só luz existe,
lá no fundo que se aproxima.
Abrir os olhos, ainda desfalecido,
rever humanos desfocados,
não deixou de ser desilusão.
Ficou a curiosidade,
o outro lado da luz,
mais uma viagem interrompida.
O vazio encheu-me a alma,
incrívelmente calma.
Ficou esta sensação de veludo,
onde tudo faz sentido,
onde nada justifica o mal.
O caminho da Luz,
ficou presente, incompleto,
como memória abstrata,
de algo tão surreal como a realidade.
Fiquei aqui, em compasso de espera.
Espero curioso, uma outra viagem.
A Luz,
fez-me perder qualquer medo!


20OUTUBRO2013

APENAS



Apenas um pouco,
de tinta,
de folha,
de Sol.
Apenas aqui,
respiro,
vivo,
fico.
Apenas alguém,
me abraça,
me beija,
me sente.
Apenas um dia,
serei homem,
serei alma,
serei eu.
Apenas não sei,
por todos os apenas,
por todas as dúvidas,
por todas as dores.
Apenas sou,
um pouco de tudo!

20OUTUBRO2013

sábado, 19 de outubro de 2013

UM BEIJO



Sinto a vida com paladar.
Um paladar arrepiante,
como vinho de reserva única.
O palato da vida é essencial,
por todas as sensações que sinto,
os tons, os cheiros, os toques.
A mistura é perfeita assim!
Um sonho perdido na noite,
um Sol que alimenta a alma,
um sabor a "não sei o quê",
que me apaixona por si só!
A música, a escrita e eu,
acordamos juntos num abraço.
Há um beijo sensível também,
como o escape do desejo
que se esvai ao abrir os olhos.
Basta-me pensar em ti,
e a vida faz todo o sentido!
O desejo que foi, fica.
O sonho que perdi, volta.
Apenas com um pensamento!
Se pintasse, serias modelo,
que copiava de todas as formas.
A melodia da tua fala,
eleva os sons a tímbres únicos,
como sinos em carrilhão,
que me custam controlar,
pela obra fantástica que sinto.
Sei que a paixão é assim,
que se altera tantas vezes,
mas no fim, tal como agora,
sirvo-me da felicidade
com egoísmo de todo o resto!
A vida tem um sabor.
A vida, tem vários sabores,
apenas os teus me transformam
num galopar de saudade,
onde toda a verdade nunca será dita.
Fica o espaço e o vazio,
a distância que ultrapasso sempre.
Ficas tu, fico eu,
duas estradas por galgar.
O final perfeito será simples,
sempre acontece por impulso.
Basta ver-te,
abraçar-te,
e um beijo.

19OUTUBRO2013

ALMA RENOVADA



O ritmo é vida.
Regula o corpo,
Mantém a alma viva.
Outros ritmos que amo,
São tão diferentes que,
Vivem de forma própria.
Interrogo-me aqui sentado,
Sobre uma árvore plena de vida,
Onde o contracenso da época,
Ilude a desfaçatez do final.
Sei que é Outono,
Que os ciclos se completam.
A magia das árvores,
Faz-me sentir diferente.
Todas as folhas são vermelhas,
Ou amarelas, ou pardas,
São cores de quase quentes,
Em fogo tão brando e belo,
Que atingem o auge da cor.
Vermelho vivo, polido,
Intensas de vida e morte.
O paradoxo está aqui,
Todas as folhas morrem,
Agora, no auge da beleza,
Caem, uma por uma,
Aqui, a meus pés.
São gotas de sangue,
De uma ferida aberta.
A cura, está no mistério
Onde a morte alimenta a vida,
A beleza mesmo morrendo,
Nunca morre; há outra vida.
Um retorno tão lógico,
Um esplendor reencarnado.
São os ritmos da vida,
Que nascem, em rituais.
São os ciclos naturais,
Que nascem imortais,
E morrem, vivos e mortais.
As folhas podem morrer,
Mas não lhes morre o Ego.
Morrendo se renasce, como
Aqui, numa simples árvore,
Ali será uma pedra, um eco duro,
Além será um comportamento.
Pensar, é dom que dói.
Que filtra prazeres,
Os privilégios da vida.
Só o sangue não pára,
Como as folhas,
Que morrem,
Que nascem.
São árvores velhas que,
Renascem com
Alma renovada!

19OUTUBRO2013


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O TEMPO





O Tempo.
Sempre o Tempo.
Preciso dele,
Como o fizeram.
Regulado,
Taciturno,
Previsível.
Preciso dele,
Sem alternativa.
Porquê o tempo?
Realçar a dor,
A quem o teme.

O Tempo.
O Tempo passa,
Sem lhe dar nome.
As rugas formam-se,
Tal carimbo de qualidade.
O saber,
A paciência,
A impaciência.
Porquê o nome?
Os mecanismos,
Os tique-taques incómodos.

Apenas o Sol.
Apenas a Lua.
Apenas as estrelas.
Um embrião,
Uma criança.
Para quê o Tempo?
Nasce quem vive,
Vive quem morre,
Alimentando o Tempo.

Ser partícula do tempo,
Nanoproporção cósmica,
Um pó perdido,
Um pouco do Sol.
Somos o Tempo,
Vivo e decisor.
Decidimos o Tempo,
Controlados por ele.
Até que a morte
Nos mostre a eternidade.

18OUTUBRO2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

FUGA À NORMA





Hoje, tudo é diferente!
Até eu, ritualista convicto,
quero sair da norma.
Da minha norma,
como as normas dos outros,
sair de todas as normas!
Quero ser "teenager" de novo,
por momentos de atitude
irreverente e acutilante,
inocente e deslocado do Mundo.
Acordei com um Sol brilhante,
abanou toda a minha estrutura.
O esqueleto ressentiu-se,
mas a alma acordou faminta.
Apetece-me passar por alguém,
abraçá-lo, talvez mesmo beijá-lo,
agarrar os ombros e abaná-lo,
fixar os olhos nos olhos e,
dizer convicto e feliz que,
"estás viva, estás linda,
és a pessoa que o Mundo precisa!".
Até ser diferente é estranho!
A norma, é um aborrecimento
que acato até que o sorriso chegue.
Já não sei que faça,
se seguir as normas,
se cumprir rituais,
se abraçar o desconhecido.
Morrer é a coisa mais certa.
Hoje será diferente!
Hoje vivo feliz!


17OUTUBRO2013


terça-feira, 15 de outubro de 2013

FALTA-ME TUDO!




Por vezes, apenas
tudo falta,
tudo!

Um piano,
calmo,
profanando o silêncio,
inteligente,
arrepio.

Paragem no tempo.

Um desejo simples,
efémero prazer,
de quem sabe,
de quem toca,
o que lê,
o que ouve.

São diabos no ar,
inofensivos,
suavemente
agrestes, comigo.

Rodo o corpo,
rodo,
e rodo,
de olhos cerrados.

Sofro a Boémia,
o acordeão,
o quartier latin,
livros velhos,
o cheiro a mofo.

Tudo!
Tudo faz falta,
às vezes,
tantas vezes.

Uma cidade,
um amor,
um desejo.

Falta-me tudo!

15OUTUBRO2013

INFINITO





Todo é possível, sorriso,
toda a luz me preenche
com alma e dor.

Floresce, o aroma a Sol
aquece a melodia da côr.
Todos os sentidos,
todos,
passam por mim,
assim,
como cavalos alados.

Liberdade é intensa,
é imensa,
como as horas,
os sussurros,
e até beijos,
que já me faltam.

Todo o prazer me sorri,
aqui,
depois,
um mar de suor
em ecos de vácuo,
dentro de ti.

O desejo, sinto-o,
infinito.
São murmúrios de ninfas,
musas encantadas.
As palavras,
apenas o fim.

O cheiro toca-me,
fé de impossíveis,
alianças,
retoques de dedos,
segredos,
eternidade!


15OUTUBRO2013

sábado, 12 de outubro de 2013

TUDO VALE A PENA




Às vezes fico assim.
Quem me não conheça
Pode catalogar-me na pior forma.
"Somewhere over de rainbow"
Musicado em versões jazzistícas
È um doce para o meu palato!
O repetitivo de sílabas e ecos,
A inevitabiladade dos metais,
A minha paixão pelo piano
E o silêncio necessário para ouvir.
Só uma boa sessão de sexo
Pode competir com este desejo.
São orgasmos melodiosos
Que me calam qualquer tipo de palavras.
Nestes momentos, quero tudo
Como a sofreguidão de algo fantástico!
Não há necessáriamente um padrão.
O único e coincidente, será a felicidade!
Mas, qualidade não tem preço.
Tem o bom senso da Soberba,
Individual ou interpretada por alguém.
Às vezes fico assim.
Com esta sensação de liberdade frustrada
Onde tudo o que para mim é utopia
Se torna numa realidade tão fácil.
E pergunto-me.
Serão os sonhos um caminho realista?!
A dúvida é apenas este momento,
Até que eu diga que sim!
Tudo vale a pena,
Porque a alma não é pequena!

12OUTUBRO2013

APETECE-ME TUDO!




Tudo o que me apetece é o apetite
Dos princípios da infantilidade.
Nunca sei, mas quero tudo!
As coisas mais queridas, variam
Tal como eu, sem saber a razão do porquê.
Daí, ou aqui, a explicação imediata e
Mais simples, é a do valor que dou à solidão.
Todos os sentidos e sensações se compram,
Compram-se e completam-se por si próprios,
Porque se influenciam nos resultados.
Mas nem todo o ser se vende. Eu não!
Escrever sozinho, com música de fundo,
Um estado de espírito muito particular,
Nunca é igual mesmo sendo eu o mesmo.
Há semelhança entre outros ambientes e sensações.
Tudo parece tão simples de explicar,
Mas não é. O simples é complicado.
Porque sorrio, estou feliz,
Porque falo, estou comunicável,
Porque oiço, sou inteligente,
Porque declamo, sou poeta...
A lógica não é esta, até porque
São tantas as hipóteses individuais.
Apenas isso, apenas interpretações.
Fica sempre o completar da felicidade.
O que se gosta, o que se ama,
O que se quer e, o que se recusa.
Apetece-me tudo o que gosto,
Tudo o que penso, mesmo sendo estranho.
A diferença está em mim!
Apetece-me tudo!

12OUTUBRO2013

TODA A PELE GEME




Toda a pele geme.

Um abraço calmo,
Um abraço longo,
Sons resignados,
Prazeres assumidos,
Um arrepio de saudade.

Apetece-me abraçar-te!

Agora,
Aqui e,
Sem palavras.

Só a pele,
Um olhar,
Um espaço,
O suficiente.

Ritmos cardiacos.
Nós os dois.

O vácuo.

Dedos perdidos,
Roupas que caem,
Cheiros que sorriem,
Pequenos toques.

A Estratosfera.
Tu e eu.

Um beijo,
Dois beijos...
Sem sons,
Sem imagens.

Apenas desejo.

Vem,
A pele geme!



12OUTUBRO2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DESCONFORTO DA ALMA



Todo o desconforto é pouco.
Estou como que do avesso
com o corpo e, o mundo inteiro.
As fases são um acumular  incontornável,
aparecem amiúde contra minha vontade.
Além do vómito mental que sinto,
ainda acrescento a dúvida da alma.
Será que estou a ficar senil?!
Cruamente pensando acho que sim.
Nada de incontrolável apesar de tudo.
Apenas o consciente me avisa ciumento,
que o inconsciente anda doido por espaço.
Espaço no meu interior, uma guerra interna.
Parece uma história mal contada,
seguindo laivos de qualquer coisa antiga
que me contaram e nunca acreditei.
O desconforto ás vezes incomoda mesmo.
Nunca estarei tal como o mundo,
em usufruto de tudo o que é ideal.
Alcançar a perfeição foi e será sempre utópico.
Os anjos e arcanjos de purezas dúbias,
resultam em fé mascarada de fogo frio.
Não pintei nem trepei aos símbolos medonhos,
pelos sonhos pecaminosos de quem pune.
Não transporto os dez degraus,
não os defino por fases de purgatório.
Os pecados mortais podem ter um número,
mas muitos mais ficam por catalogar.
Resta-me este desconforto, pelo gozo,
uma insanidade controlada e masoquista.
Pensar, tem o fervor da inconveniência,
doi o corpo; de dentro para fora tudo arde.
Ficam fantasmas que não sei se existem,
imaginários de metafísica controlada.
Fica o desconforto de algo inocente.
Saber que sou alma mas também gente.

10OUTUBRO2013


terça-feira, 8 de outubro de 2013

JÁ NÃO CHEGAM AS PALAVRAS




Nem todas as palavras chegam.
Nada que me encontre um caminho,
Nada que me abane a existência.
Não chegam todas as palavras,
Nem o tempo que me resta.
O que me apetece, não passa
De um apertar o Mundo na minha mão,
Espremê-lo em indulgências cruéis.
O perdão já não faz sentido,
Acusar não tem qualquer fundamento.
Sei que fico embevecido por pouco.
Detesto esta sensibilidade aparente.
Dirigir o momento que sinto,
Será um exercício difícil de gerir.
Prefiro acabar já isto.
Encolher-me na pele que enruga
A cada espasmo de amargura e,
Saltar fora novamente, como novo,
Ávido de um inalar imenso de ar puro,
Que me arrepie todos os pelos do corpo.
Sentir! Sentir que tudo não passa de nada.
Apenas mais umas pequenas coisas quaisquer
Que se associam a tudo o que já existe.
Esmagar as ilusões em almofariz e,
Deixar que a alquimia dê todos os frutos,
apesar de adormecida a alma que urge.
Já não tenho tempo para o que quero.
As palavras são muitas mas não chegam.
A existência fica, só porque sim!

08OUTUBRO2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A MINHA OPÇÃO





Estou perto de todas as facilidades.
Talvez por ser o caminho mais fácil
Escolha a preguiça como motivação.
Detesto-me no fundo quando o faço,
A resposta, é dura para comigo próprio,
Com as metas seguintes a que me imponho.
Tenho de me penalizar de vez em quando!
Preciso de acordar da maleita simplificada,
Não por ser simples, porque ser simples
É complicado o quanto baste...
Mas sinto que tenho de optar por vezes.
Seguir por caminhos mais longos,
Sentir que é mais difícil, o que afinal é óbvio.
Se aconselho ou não, é algo que ultrapasso.
Preocupam-me sempre os mais fracos,
Os reais, por mente e corpo debilitados.
Os que optam pelo que é mais fácil,
Já deixaram de me importar em absoluto.
Só os choros me arrepiam a alma,
De quem os sente como dor interna.
Suspirar já não é alternativa,
Só o mal que vejo me irrita a vontade.
Apetece-me responder violentamente.
Não por armas nem por guerras, mas
Por palavras e acusações direccionadas.
Já tenho medo ou vergonha de pouca coisa,
Se é mau feitio, se é revolta consciente,
Apenas a mim me diz respeito como o faço.
Deixei de me preocupar com opiniões
Que se baseiem em clichés hipócritas.
Sigo o respeito como coluna vertebral,
Como base de relacionamento e crítica.
Os outros são apenas os outros.
Apenas me preocupo definitivamente,
Com quem não tem opções de resposta.
Esta é a minha opção, não tenho outra.


07OUTUBRO2013

domingo, 6 de outubro de 2013

AS ARMAS




São as armas.
Todo o poder está nas armas.
Que seria eu sem armas?
Um desarmado mental,
Sem apelo nem agravo.
Limpo a minha diáriamente.
Repenso tudo o que penso.
Tudo o que pensei, já não chega.
Minha arma, minha mente.
Já não saem balas de metal,
Nem cartuchos de plástico,
Nem balas de borracha.
Disparo tudo o que penso,
Pela arma do pensamento.
Por vezes é mesmo isso!
Libertar o fel que arde por dentro.
Cada linha uma munição,
Reciclável e recomendável,
Até pela irreverência do acto.
E disparo, disparo, disparo,
Até que me doam os dedos,
Até que acabem as munições.
São sonhos e frustrações,
É tudo o que carrego no peito,
O que me rebenta a cabeça
Pelo acumular do desespero,
Pelas desilusões inesperadas.
São as armas,
Todas as armas que tenho,
Que limpo e recarrego todos os dias.
Um vício de bradar aos céus.
Um disparar em consciência,
Um alvo que sempre encontro.
São as armas de cada um.
As minhas são palavras,
Letras, municões, tudo junto,
Se transforma em arma.

06OUTUBRO2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

PRECISO DE POUCO




Apenas e talvez eu,
que escrevo devagar,
me sinto feliz pelas palavras,
básicas e tão simples como são.
Só o amor que é tão diferente,
os outros amores de quem sente,
entendem esta minha convicção.
Poetas são os outros,
grandes, dominantes, inspirados
com o dom de quem escreve.
Apenas e talvez eu,
que sinto deslumbre, que leio,
que escrevo e invento,
sinto o mesmo tormento,
mesmo sendo assim leve.
Não são cartas no correio,
são palavras que voam no vento,
que me fazem sentir este meio.
São as cores do campo,
os cheiros que sinto,
amores, um beijo, um seio,
transformam o mundo ao escrever.
Apenas e talvez eu,
incerto de comportamento,
entenda o que me vai por dentro,
mais que ninguém o venha a saber.
Só preciso do tempo,
uma hora, um momento,
porque sinto o tormento,
de um Deus que o mundo quer.
Preciso de pouco,
não por ser mais ou menos louco,
mas apenas,
para que possa escrever.


02OUTUBRO2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

COISAS SIMPLES




Já sei de que forma vivo.
Sei que o som me agride,
Sei que a luz me cega,
Sei que a dor me afasta.
A certeza de tudo o que sei,
é extraordináriamente pouca.
Cada vez mais me liberto,
de tantos clichés e imposições.
No mínimo tento. Penso o Sim.
Cada vez mais ligo menos,
só a simplicidade me serve.
Atingir esse estágio não é fácil,
reporta a opções irremediáveis.
Simplicidade não é ser fácil,
não é sinónimo de fraqueza,
antes um estado de espírito,
uma conquista de carácter.
Já sei de que forma vivo.
Vivo simples,
tomo opções,
busco felicidade.


01OUTUBRO2013


domingo, 29 de setembro de 2013

INÉRCIAS




O preço da inércia mata-me.
É tão barato que abunda por aí.
Há coisas que deveriam ser caríssimas,
Inatingíveis e detestáveis como a inércia.
Não quero confundir nada.
Preciso de um pouco de espaço
para que tudo mexa à minha volta.
O tudo pode ser pouco, uma imagem,
uma ideia, um olhar e até um beijo.
Preciso sentir um sopro de liberdade.
Deixar os compromissos que me afogam,
deixar de me sentir cada vez mais pequeno,
cada vez mais ínfimo dentro de mim próprio.
A felicidade começa nos dedos,
estes meus quando escrevo sem opressão,
sem medos de lesões e passos torcidos,
sem medo das horas que não param,
com a coragem liberta da minha alma.
Já era tempo de findar estas ocasiões.
Os martírios concentrados de tudo.
Que defeito este o meu, caramba...
Morreria eu de inércia,
para poder entender os outros.
Estou condicionado a tão pouco,
um todo que não preciso demais.
A fé perde-se na falta de respostas,
onde o antídoto não funciona,
onde as respostas não respondem a nada,
Onde a inércia se alastra a todas as coisas.
Nem o deserto é inerte,
disfarça ambiciosamente o poder do nada.
Os meus nadas, tento perdê-los com intenção.
Apenas me doi permanentemente,
a inércia dos outros, e dos outros ainda,
que sofrem pela inércia dos primeiros.
Morre-se lentamente, pela facilidade da inércia.

29SETEMBRO2013