terça-feira, 11 de abril de 2017

SINAPSES E O CAOS DA FELICIDADE




É verdade!
As minhas sinapses estão num caos.
Um estado caótico positivo
Alimentado pela Felicidade!
É tão estranho este paradoxo.
Ora, se os meus neuronios,
Individualmente, comunicam
Com sensações e energia
Que as minhas sinapses despacham
a uma velocidade virtiginosa
Via neurotransmissores,
Neuronio por neuronio,
Se a minha sensação é
De reais e crescentes degraus
Galgados na Torre da Felicidade,
Porquê e para quê, este caos interno,
Que se compara de forma oposta,
Mas com reacção final semelhante,
A outros tipos internos de caos?
Os negativos, que não sinto agora?
Quem sou eu e esta massa estranha
Num craneo cheio de uma matéria
Tão ignóbil, e imprescindível
Mas que não se deixa conhecer?
Como sou de Soberba,
Posso comparar num grosso modo
Com um bife fantástico, à minha frente,
Mas que só tenho capacidade
De consumir dez por cento.
Sadismo divino? Egoísmo do Criador?
Arquitectura emocional ?
Venha de lá  Senhor,  Criador,
E tire lá esta coisa a limpo!
Para quê desperdiçar o Tempo?
Eu sei uma resposta. Para que não pare,
Mas não deixando de existir,
Não parando o Tempo,
Porque não alterar a forma?
Altere os porquês e a ignorância.
Esta sensação de "coisas" que sinto,
E tantas vezes se movem
A velocidade não sei se quântica
Se como é criada ou como existe,
Com uma louca velocidade,
Escondida, disfarçada,
Impossíveis de ver a olho nu,
Qual é a minha função real?
Serei eu sinapse de outro neuronio
Num qualquer outro lugar?
Não acredito. Sou pesado e lento.
Mas penso como as sinapses,
E entro em caos como o que elas
Criam em mim.
O Caos está criado,
Mas é bom senti-lo como Felicidade.
Tudo se transforma, nada se perde,
Apenas o caos e as suas formas.
Fico à espera da resolução?
Se tiver o Tempo comigo,
Se o centro neste meu círculo,
Quiser mostrar que o que está em cima
É o que está também em baixo.
Caro Senhor,
Claro que espero!
Com ou sem caos,
Mas Feliz por favor!



11ABRIL2017



domingo, 26 de março de 2017

PARA LÁ DA SAUDADE





Apercebi-me algo importante.
Tão importante como a saudade.
O que é a saudade?
Porque a sinto tanto que me pergunto,
O que há para além da saudade?
Será que tem um fim,
Um limite indeterminado
Uma meta impossível?
A saudade é a reticência da presença,
Não sendo quando já a tenho do futuro.
Queria entender este sentimento,
Ou sensação, ou doença, ou dor,
Ou o que seja esta hiper pulsação.
O que há depois?
Há uma saudade ainda maior?
Será a morte mais forte?
Será que eu sei que sim
Que sei o resultado no subconsciente
E me embrulho nestas duvidas?!
Se é diferente, o que existe
Para lá da saudade, se ela tem poder
De se metamorfosear sem que o entenda,
Porque será que me sinto incompleto?
Só pode ser saudade...



26MARÇO2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

É O AMOR, ENQUANTO DURA





Trazer-te por dentro
É uma espécie de fermento
Cresces, e cresces, e cresces,
Até que a pele doa.
Mas não é a pele que me dói,
É esta sensação ilusória
De te sentir cá por dentro,
De onde nada te tira,
Nem o vento, nem o tempo,
Muito menos pensamento,
Pois só a paixão perdura.

Se o tempo fosse adiado,
Nada em mim, seria passado
Nem as memórias existiriam,
Pois aquilo que me faz falta,
O que me faz mesmo falta
É esse género de fermento,
que me faz sentir-te crescer,
Crescer, crescer, e crescer,
Dentro deste meu peito.

Talvez por isso não acredito
Na pureza de todo o Homem,
Toda a pele que me dói
Pela pressão do teu crescer,
Me envolve este invólucro-pele
Já de si tão volúvel.

Torno-me neste corpo volátil,
É o amor, enquanto dura.



08MARÇO2017


segunda-feira, 6 de março de 2017

SAUDADE






É tanta a elegância da saudade!
A inspiração cresce a cada minuto,
Desenhar a imagem
É um mistério que surge
E me faz sentir a originalidade.
Tem como base, esta elegância,
A memória das imagens vivas
Sentir uma atracção turbulenta
Pelas linhas com que alinhavo
Todo um pensamento que idolatro
De preferência, fechando os olhos.
Há um palpitar que estrangula.
Não é falta de criatividade
Mas antes pelo contrário
A impossibilidade do toque.
Não corto nada a eito,
Nem ao revés, nem de outra forma
Até por não ter o jeito
Senão alinhavar a sensação
Comigo vestido, noutra roupa
Que me faz falta tocar e cheirar.
Quanto aos corpos,
São imensos como o mar
O brilhar diferente das estrelas,
E a paixão dos dois unidos.
É no horizonte a união,
Aqui e aí tão perto
Como o provar da tua lágrima.
É esse o sal que faz falta
Esse mineral essencial
Que me alimenta a saudade!



06MARÇO2017



quinta-feira, 2 de março de 2017

COMUNHÃO DOS CORPOS






Antes de adormecer,
Venero a pele nua.
Confesso ao meu corpo
O quanto amo o teu.
A sensação de cansaço,
É o final refinado
Como o teu sabor a sal.
Só assim o sal é doce,
E não dilui na nossa pele.
Percorrem-se caminhos,
Em tons de rosa,
Que se afastam no toque.
Sobrevivemos unidos
Beijamos os socalcos
De cumes hirtos,
Mergulhando nos rios
Que nos sobram.
O estuário é corpo e alma,
É a loucura das estrelas
Quando de olhos fechados,
Gememos ao divino desejo.
É um mapa geométrico,
De curvas e razões para ficar.
Só o silêncio transporta
As sobras da génese.
Tão etéreo é o momento
Temente à dádiva da vida.
E jorram flores vivas
De uma cor escondida
No frenesim de um abraço.
E somos um!



03MARÇO2017





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

RAÍZES ESTÉREIS





Fazendo justiça ao que penso,
Sobram falhas de felicidade
Distribuidas por tantos motivos.
As notícias. A Imprensa...
Reduzo-me a absorver negatividade,
Na certeza que muito do que vejo
É pura realidade e manipulação.
Sei que o fulcro das questões
É certo pela abusiva acção humana.
O sofrimento é extremo,
Existente e persistente,
Sem vias de extinção.
Só o Homem está em vias de extinção.
Mutila-se num suicídio consciente
Que não é admitido como real.
Os políticos;
Quem são os políticos?
Um virus criado à imagem da História,
De uma forma desfuncional.
Quando me interiorizo,
Procuro analizar a boa parte,
A melhor parte e até a felicidade.
E encontro. Encontro partes.
Encontro cada vez menos partes,
Mas encontro. E planto-as.
Vejo-as como raízes férteis,
Onde o defeito está no solo estéril.
E penso na esterilidade da vida.
A virose pandémica da hipocrisia
Contra a inocência pura e,
Os sorrisos das crianças. O encanto.
A nostalgia de o não ser,
De não poder viver no mundo delas
Tão diferente, por naturalidade
Como formação sádica da vida
Que as leva à idade adulta.
E tudo roda na vida, no mundo,
Recicla-se a entrada no indesejável,
Nas obrigações e prejuízos,
Na luta pela sobrevivência plástica.
No fundo, a sociedade, é uma instalação
Que se torna cada vez mais abstrata,
Cada vez mais possessiva e ambivalente.
É aqui que a Arte é específica
Sem ser específica absolutamente.
É o prolongamento da vida,
O mimo das almas, na fuga à realidade.
Não se pode fugir. Não vale a pena tentar.
Não se pode desistir. Não vale a pena ter pena.
Fazendo justiça ao que penso,
Gosto de estar vivo, Eu, vivo...
A conclusão é feita de garantias.
E a única garantia quando se nasce,
É uma morte certa, nesta vida material.
É assim que o aproveitar do Sol,
Da chuva, do vento, do mar, do céu,
Das crianças, do dia, da noite, do Amor...
É a razão de termos nascido!
Aproveitemos a benção,
E não choremos o fim.



23FEVEREIRO2017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

CANSADO







Cansado.
Do azul póstumo
De um mar lento
Que me anima
Que me sossega
E não tenho perto.
Cansado.
Desta cabeça estranha
De um interior inverso
À lógica da calma.
Cansado.
Um corpo fragilizado
Às rugas pertinentes
Da revolta da idade.
Cansado.
Simbolismo ancestral
De vitórias recentes na
Mítica existência quântica
Com Deus dentro de mim.
Cansado.
Do presente e do passado
Nesta permanente ansiedade
Porque hoje será o dia...
Cansado.
De amor e saudade
De ausência e distância e
Da tua pele nua.
Exausto de vivo.



19FEVEREIRO2017


A EXTENSÃO DA REALIDADE





Vou esperar que o sol se esconda,
Escorregar pelo musgo de um penedo
Até ao ponto que me pareça, o exacto.
São escolhas do meu esquecimento
Que nunca se apagam, que me fazem assim.
A água, o som do riacho,
O sossego induzido naturalmente,
O cheiro a pinhas, à resina e ao verde,
Amaciam o meu peito, por um olfato
Entusiasmado, e intimamente feliz.
Juntar todas as cores que me cercam,
É pintar um quadro, sem pigmentos reais,
Sem pincéis, sem tela, esponjas, espátulas,
E toda a parafernália de quem pinta.
Aqui, ao alcance da minha visão,
A pintura está feita, acabada,
Com a benesse dos cheiros reais,
Da alteração do horizonte
A uma velocidade que me adormece.
É a arte que amo que vejo agora.
A extensão da realidade, dos momentos,
Da interpretação e liberdade própria,
É este abismo de felicidade
Que me tira o fôlego, como se
Mergulha-se neste abismo hipotético
E senti-se as sensações de queda num vácuo.
O corpo e os elementos.
Apenas o corpo, os elementos e sensações.
Bem hajas vida, enquanto te vivo;
Assim!



19FEVEREIRO2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ALGURES, NO FRIO




Saí à rua e
Tudo o que encontrei
Foram ecos.
Ecos dos meus passos
No granito rijo
Ainda molhado da chuva.
A ladainha das casas
É o propósito da aldeia,
O cheiro a madeira queimada,
As lareiras e fumeiros
Plenos de um orgulho ancestral.
O silêncio é quase profundo.
Ouve-se o rastejar de pés
Cansados, novos ou idosos
São pés cansados.
Arrastam os bancos
À beira da lareira e
Ouvem-se estórias de avós.
Adormecem as crianças
Nos aventais de colo
Correm festas nos cabelos.
A pele fica quente
A lareira é o centro
Ouve-se crepitar a lenha,
A tenaz arrasta os toros
Une as brasas num vermelho vivo.
Uma malga de sopa,
Aquece um ou outro estômago
Mais esfaimado,
Com um travo a fumo,
Do calor lento das panelas de ferro.
As chouriças e presuntos,
Jazem penduradas no tecto,
Num leito de madeira,
Indo curando a fome futura
Com uma lentidão ainda maior.
Uma navalha, um casqueiro
Um tomate e pedras de sal,
Uma malga de vinho tinto.
Um primeiro fechar de olhos.
A cozinha escura,
A roupa impregnada
Ao cheiro da fogueira.
Um silêncio feliz,
Resignado e duradouro.
Fim de dia na aldeia.
Algures, no frio.



09FEVEREIRO2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ACTO PINTURA




Hoje
Fechei-me.
A chave,
Atirei fora.
Condicionado
A uma redoma
De Gel.
O som é uterino.
Renascer
Retorno
Fuga
Sonho?
Nem eu sei bem.
Sabe bem!
É meio quente
A sensação oleosa
De movimentos
Ligeiramente travados.
Os olhos fechados
Quatro arestas
Quatro paredes
Ou precipicios...
Movimento,
Simples,
Agressivo,
De alto a baixo;
Hermético.
Pigmentos e óleo
Espátulas e pincéis,
Panos e esponjas...
Já sei!
Afinal,
Alegre e feliz,
Entendo.
Sou pintura!
Sou o acto.




08FEVEREIRO2017

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

LONGEVIDADE




Será que a vida é curta?
Será que é mesmo curta
Como o cliché que se conhece?
Talvez não seja!
Talvez a vida humana
Seja a periodicidade certa
Com os devaneios de saúde
Física, mental e imprevista.
Quando penso em mim,
Sou estranho a tudo!
Sou diferente, sem querer ser.
Apenas sou.
Umas vezes gosto,
Outras vezes não.
Porque tenho de pensar nisto?
Para quê ser inteligente
Quando a inteligência complica
A modos que nem sempre para o bem?!
E há o amor,
O amor dos seres inteligentes,
Além do instinto.
Muito além do instinto
Onde o egoísmo pessoal
Ultrapassa a lógica básica do Mundo.
O Amor!
O que se dá e o que se recebe,
O que se quer e o que se tem,
A entrega e a inércia oposta,
Os porquês?
Há a família, o sangue
A magnetização emocional
O ter medo
O querer ser amado!
Os porquês!
Amar é a coisa mais fácil,
Ser amado é imponderável
É um acto de expectativa
Sem necessidade de realização.
Eu!
Eu amando, sei que sim
Que amo e que não quero nada em troca
Para além do amor
Apenas reciprocidade!



06FEVEREIRO2017

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

FOI O AMOR





Foi calor
O que senti
Contigo.
Foi amor
O que senti
Contigo.
Basta não ver
Fechar os olhos
Sentir-te.
Basta saber
Todos os toques
Sentir-te.
Foram os lábios
Os meus e os teus,
Em todos os poros
Alucinados.
Foram os fluidos
Os meus e os teus,
Que bebemos.
Foi a pele
Foram os corpos
O teu e o meu
Colados
Que se amaram.
Foi o auge
Que vivemos
Tremendo
Dentro do outro
Que renovou o mundo.
Foi o amor,
Que palpita e temos
Que fica!



01FEVEREIRO2017


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

SOMBRA HELÉNICA





Quase petrifiquei
Contra o espelho.
Olhar-me...
Sim,
Olhar-me.
Há uma névoa
Que não é inerte.
Algo, de pouco nítido
Se move. Uma auréola
Em movimentos translúcidos.
Os sons, são silvos
Como os que já imaginei
Talvez em sonhos,
Em realidade ou pesadelos.
Seguem-me entrelaçadas
Estas sombras que emergem
De mim, para mim
Com um aumento gradual
De nitidez e realidade!
Sei o que vejo,
Não acreditando, sei!
Sei também,
Que me confundo.
Misturo fases
De locais paralelos,
Sensações e medos,
Desejos e segredos,
Ou um sonho estranho!
Tinha uma medusa enorme,
Na entrada do meu prédio.
Faz anos. Faz muitos anos.
Sempre me impressionei
De tal forma
Que a tocava sempre.
À entrada e à saída do prédio.
Havia um arrepio manso,
Que se criou hábito e necessidade.
Um pouco de dependência
Uma sensação imensa,
Miscelânea entre realidade
E um mundo Olímpico
De falsidades Divinas
Onde me toco e me encolho.
É a profundidade da ignorância,
Sentir o evanescente corpo
Arrepiar na inspiração eterna.
Era isto.
Era esta imagem trémula
Embaciada e desfocada
Que vi ao enfrentar o espelho.
Será manhã ainda,
Ou noite, ou morte.
Será o aziago olhar
De um dia cheio de paralelos
De corpos e almas perdidas
Juntas, somadas, coladas
Neste Eu que me consome.
Sou a sombra helénica
Da hégira do corpo.
E fujo...



01FEVEREIRO2017

sábado, 28 de janeiro de 2017

NÃO QUERO NADA




Todas as reacções têm um equilíbrio
Que me define a sustentabilidade.
Sou ou não sou viável,
À vista dos outros?
Pensar no pensamento dos outros
Em relação a nós, é ridículo.
Eu só quero saber o que é afecto,
Inteligência emocional,
E pouco mais que tudo isto.
Todos os pequenos eus e euforias
Desânimos, inseguranças e... nadas,
São olhos secos num mar de letras
Sem a continuidade do corpo.
São memórias em que me misturo
Sem saber princípio e fim,
É uma miscelândia de sensações
Que me condicionam os dias
Pois por mais que os pesadelos
Se transformem em sonhos,
As metamorfoses não param
Nem eu cresço, nem me mantenho
Nem me torno velho ou eterno.
É tudo um somatório de nadas,
Tão pessoais como inertes.


Hoje tenho o mar!
Basta olhar para o lado e está ali,
Um elemento eterno, mesmo à mão
Com a banalidade da frequência
Do hábito, ou regularidade acessíveis.
A espuma que vejo crescer
Na turbulência do final das ondas,
O desgaste e cansaço do mar,
Ao adormecer no leito da areia,
É um conjunto de pequenas eternidades
Onde o corpo efémero tem acesso
Com todos os sentidos que possui.
E isto é tão raro!!!!!!
É aqui que o equilíbrio se perde,
Por tanto equilíbrio evidente
Aqui ao alcance da minha mão.
Hoje é dia de serenidade.
Depois do amor, de todos os amores
E da minha singularidade humana,
Pequeno e, básico na leitura do Mundo,
Sou enorme na minha capacidade.
Dou tudo, não quero nada!
Sou um Homem Feliz!



28JANEIRO2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O SOL PERMANECE




Pelo interessa das terceiras partes,
Ultrapassam-se as primeiras,
Ultrapassam-se as segundas e,
Ficam as conquistas disfarçadas.
Desde que existam partes,
Nunca haverá uma união de facto.
Todas as partes são divisionistas
Com a capacidade da ironia
E prevalência do confortável.
Nunca haverá uma parte
Que a própria origem
Da ideia inicial seja plena e cumprida.
Há o Sol,
O calor envolvente,
Apesar de existir frio e gelo e chuva.
O Sol permanece,
O resto finge-se em pleno estado
De uma igualdade que não existe.
Nunca poderá existir. Nunca existiu.
O bluff, é a ideologia hipotética,
É a utopia do desejável.
O que me dói, é o irrealismo individual.
Toda a gente sabe o que é impossível
Toda agente sabe o que é utopia
Toda a gente sabe de ideologia.
O que me incomoda, é a continuação.
Não de um desejo mais justo,
Não de uma atitude mais humana,
Nada disso tem a ver com o resto.
Falta a atitude concreta,
Para além da exigência ficcional.
Falta a realidade,
Para além dos Tomos irrealistas.
Falta a prática,
Para além das ideologias ultrapassadas.
Falta olhar para o povo,
Para todos os Povos e sentir.
Sentir que o Mundo é diferente
Que não pode ser o que foi,
Mesmo não sendo o que poderia ser.
Nem o que poderia ter sido,
Nada disto faz sentido agora.
Ideologias são só isso.
Ideias, coisas ideais,
Coisas irreais, que se procuram.
Quero só uma coisa!
Quero mesmo só uma coisa!
Que a Humanidade, quando acabar
O que será rápido,
As crianças no mínimo,
Não tenham ideia do mal a que foram condenadas.
Basta nascer para estar condenado,
Bastava nascer para morrer, e o é!
Agora dói, o que não doía.
Vejo Aleppo, Palestina,
Quénia, Namíbia, Somália,
Nigéria, Angola...
Vejo tanto e sou pobre.
Vejo o que os ricos vêem.
Vejo um Mundo
Pouco Humano.
E é aí que fico doente,
Que me dói a Alma e,
Morro ainda vivo!



18JANEIRO2017


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

FUGIR À SOMBRA






Não consigo fugir à sombra!
Hoje fiz um jogo, apalermado
Quando saía do café.
Lembrei-me enquanto me perdi
No vapor que voava da chávena
E a perda encadeada da intensidade.
Foi esfriando, claro
Eu, consumi esta imagem
Com maior prazer, que o café em si.
E saí do espaço adjectivado
A um acto diário, recorrente
Que podia ser usado
Em qualquer outro lado.
Estava frio. Mesmo bastante frio
Para quem sai de um local aquecido
Tanto por dentro, como fora do corpo.
Estava sol, brilhante, maravilhoso
Como é a sensação de enfrentá-lo
De frente, de olhos fechados
E receber a energia quente
Que nos alimenta, tudo!
E veio a sombra,
Com um puxão discreto
Na bainha das calças
Só para dizer que estava ali.
"Está sol, estou aqui."
Tentei fingir que não
Que não existia, tentei frustra-la
Sem lhe ligar um segundo que fosse.
Tentei não mudar de direcção,
Para não me passar à frente,
Para não me contorcer o corpo,
Dobrar-me numa esquina,
Ser atropelado por um automóvel,
Tentei tudo para não a ver.
É impossível fugir à própria sombra,
Mas mesmo tentando, o gozo existe
A sensação impressiona
O desiquilibrio permanente,
O descontrolo gritante do corpo!
Sou um caos na minha sombra.
Deixo-me envolver
Sem perceber que me olham
Quando esses olhares me acusam
Em silêncio repulsivo
De uma certa loucura própria.
Mas não é! É admiração!
É a Física que me goza,
Que me faz gostar o que outros ignoram
E é esse Eu que quero ser.
Ser como a sombra
Irreverente, deformado à vista
Desarmada pelas atitudes,
À impossibilidade de ser controlado,
À surpresa seguinte, e às seguintes
Sempre que me concentre em algo diferente.
Ser diferente, não faz a diferença,
Apenas o é, e há que gozar as pequenas coisas
Que nos atraem, mesmo que estranhas.
Tudo porque bebi um café,
E lhe segui o esfumaçar,
E tropecei na minha sombra.
Hajam sol e vida,
Haja loucura suficiente!



17JANEIRO2017


domingo, 15 de janeiro de 2017

É ASSIM...






O vidro.
A janela fechada
Que me separa do outro lado.
Costumo ter receios
De espelhos.
De separações retorcidas
Que o reflexo atraiçoa.
Tocar um espelho,
É diferente.
Tocar um vidro,
É diferente!
É sentir entrar o corpo num.
É sentir rejeição do corpo noutro.
É tudo elemento.
Sopro, areia e fogo.
É a metamorfose.
É a criação científica do divino.
É essa prosa que me interessa.
É a desproporção do mal,
A Beleza da Alma,
A imaterialidade do amor.
É o pouco a pouco que nos separa,
Que faz da luz a estrada.
Já nem sei como o sinto,
Mas sinto!
Basta fechar os olhos,
Sair do mundo
E entrar na realidade!
É assim...



15JANEIRO2017

RODOPIAR




Sabes o que me apetece?
Rodopiar!
Rodopiar como louco,
Sentir um eixo invisível
Onde o meu corpo ganha velocidade.
Rodando.
Rodando,
Rodando tanto
Até sentir desequilibrio.
Até sentir desfalecer
Todo o corpo,
Pelas fronteiras da pele
Até à extremidades.
Os dedos, colam-se numa membrana
Que fará nadar como os peixes.
As mãos, interligam-se aos braços
Que me fará voar como os pássaros.
Os pés, criam raízes,
Nas extremidades dos dedos
Que me farão sentir como árvore.
E rodopio em mim,
De olhos fechados,
De Alma aberta como nunca
Porque sentir-me assim
É um passo mais perto da felicidade.
A utopia corporal é um luxo
É um poder que não se entende facilmente.
Por isso,
Enquanto escrevo isto,
Não escrevo nada.
Apenas falo com os dedos
Escrevo com os lábios
Enquanto o corpo goza.
Os sentidos são irreverentes
Porque não param de rodopiar.
E crio uma tempestade boa,
Um tornado de pequenas coisas
Que me fazem feliz.
O eixo sou eu.
Sem nexo, sem reflexo,
Sem o pouco que me faz Deus.
É divino o que sinto
Quando estou assim.
Fora de mim,
Em todo o Universo
Que começa e acaba aqui.
Aqui mesmo!
Dentro de mim!




15JANEIRO2017

sábado, 14 de janeiro de 2017

FOTOSINTESE





Sem dar por mim,
Dei-me conta de estar sozinho
Não eu, nem a minha imagem
Mas uma fotografia
Sem retoques nem margens.
Não sei onde, nem quando
Sei que me senti agarrado
A cinzas escorrendo das mãos
Num abrir e fechar de braços
Que deixavam um rasto de asas.
Asas de pó e cinza,
Ora cinzentas ora amarelas
Translúcidas como o purgatório.
Acho que era um pouco disso,
Até porque a imagem é irreal
Cheia de sonhos transformados
Filtrados de pesadelos idos.
Tudo se filtra afinal, até os sonhos
Porque é a partir deles
Destes meus sonhos,
Que vivo a minha realidade.
Sou criança, desde sempre
Desde que cresci. Não antes.
Sou o impulso da realidade
Com o sonho como raiz
Que rego com as lágrimas
Já secas agora, mas guardadas.
Em sonho, posso guardar as lágrimas
Numa redoma cheia de Sol
Onde o deserto não é árido.
É apenas seco, até chegar a madrugada
Até que as gotas de orvalho
Larguem as folhas satisfeitas
De uma seiva persistente
E caiam devagar, lentamente
Dividindo-se em proporções
Equivalentes às lágrimas secas.
E nasce a vida. Renasce a vida,
Onde parou antes, guardada
Com abanos de cabeça
No canto do quarto quase escuro
Sem encontrar a porta de fuga.
Não há choro nem gritos
Não há pânico nem ansiedade
Não há nada!
Há um agora, orvalhado
Resumido a raízes que brotam
De um peito hirto de amor
Que supera toda a violência.
Sou como uma árvore
Que cresce devagar
Sem dar nas vistas,
Rompendo e enrijando
Todos os membros.
O coração é o primeiro
Que enrijece e se cala
Porque aprende tudo
E finge tudo,
Golfando o brado da vida
Por todas as veias
Onde a minha seiva brota.
É a minha fotosintese
Brutal e animalesca
Que corre numa pista de veludo
À procura do Sol.
Já não me escondo
Já não tenho paredes à volta
Nem cantos de medo.
Sou a seiva pura
Que se me mistura
Para ser Eu.




14JANEIRO2017



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

ESTRELA




Diz-me porque brilhas
Tão perto, nesta distância
Quase inqualificável.
É o Ego do Universo
Que me faz sentir
O real, é o presente.
Sem memórias,
Nem a morte me trairia
Porque a saudação da vida,
É adorar o imaculado
A Fé.
É a história
De todas as vontades,
Que me habitam o subconsciente
Sem me darem razão suficiente
À procura dos meus porquês.
Quero a existência matura
Sem a maturidade da adaptação
Sem o resignar a todas as faltas.
Que posso eu fazer
Se o que me enche a emoção
É a falta de objectividade emocional?
Querer ser inteligente,
É uma tarefa impossível,
Pois pelo que leio, já existem
Tantos seres inteligentes
Que não sobra muito espaço.
E as memórias de Inverno?
A magia das Estações e Equinócios?
Do negro ao brilho
Do calor ao gelo,
Da solidão ao amor,
Os dois juntos?
Que fazer aos paradoxos?
Porquê alimentar as razões inadaptadas
Os sentimentos impossíveis
Que morrem numa gaveta vazia?
Para quê gastar papel e tinta,
Quando as folhas morrem queimadas?
Para quê ocupar o peito
De nostalgia que me alimenta a saudade?
Para quê amar o impossível
Se o possível está fora do meu alcance?
Pergunto-me porque brilhas
Porque é a pergunta que faço a todas as estrelas.
Pergunto porque brilhas
Porque a distância da luz é o toque da morte.
Já morri quando chegares,
Mas os que morreram antes
Deixaram que eu te encontrasse aqui.
Serão as palavras certas?
Peço desculpa se não forem.
Mas amo-te.
Enquanto o brilho me iluminar
E os outros que ainda vivam
Quando chegares.



11JANEIRO2017

ACORDAR






Acordar...
É acordar de um sonho,
Com tantos "talvez",
Sem exigência
De previsibilidade.
É  o doce do dia
Que me azeda a tristeza,
Porque a tristeza quer-se triste
E eu não sou assim.
Acordar é chegar a casa
De noite.
É abraçar-te e olhar
O ínfimo lugar da tua alma
Pelos teus olhos.
É um beijo pronto
Sem procurar os lábios;
Impulso.
É tão natural
Como acordar.
Não sei falar em lições
Empacotar aprendizagens
Nem alegorias de simplicidade.
É o que é e, apenas isso.
É. É-o.
Somos o preencher
De um espaço vazio,
Que já o deixou de ser há muito.
A sombra da diferença,
É a relatividade do tempo
A experiência da saudade,
O espaço entre o teu peito e o meu!
É o toque.
É a falta desse preconceito infeliz
Que a felicidade é difícil.
É!
É e não é!
Acordar é vida
Sem janelas abertas ou fechadas
Sem paredes ou fronteiras
Sem obstáculos invisíveis
Sem a prepotência da imposição.
Acordar é sentir-te
Seja a que hora for
Mesmo que a noite chegue.
Acordar é,
Esperar por ti,
Mesmo que sozinho
Mesmo que por uma eternidade.
Acordar é fechar os olhos
É ter-te na pele da saudade,
Penetrar-te com um sonho
E beijar-te quando preciso!
Acordar é amar-te
Todos os dias!



11JANEIRO2017



domingo, 1 de janeiro de 2017

QUANDO TE BEIJO







Nem o tempo sabe
Nem a chuva sente
Nem os rios correm
Nem o Sol brilha
Nem as aves voam
Nem os peixes nadam
Nem as crianças choram.
Não só o relógio pára
Quando te beijo.



01JANEIRO2017

QUE TE DIRIA EU?





O que eu te diria
Com a chuva das flores?
O vento, seria fraco
As portadas presas
Fingiriam um esforço.
Desnecessário.
Só te veria passar,
pelo canto do olho
Para que não me visses.
Nem um pestanejar,
Nem um movimento
Que me denunciasse.
Direccionado é o amor.
Nem eu o travo
Salta e voa
E encontra quem procura.
Nada a fazer
No que toca ao amor.
É o brilho das estrelas
Que chega atrasado
Por milhares de anos.
Mas vive
Como eu vivo
Como vivemos
Como nada mais alimenta
Uma fome que se torna sedenta.
E bebo-te os sentidos
As sensações
E todas as equações possíveis.
Que te diria eu?
Que te amo?
Claro que sim!



01JANEIRO2017

PENSEM!





Ok
Agora, vou-me sentar aqui
À vossa frente
A ouvir estes temas que me preenchem
A música preenche.
Oiço tanto mais que ouvia antes
Oiço as letras, devaneios individuais
Mas juntas,
São como eu, dividido nas horas do dia.
Depois,
Passou um ano
De outros cinquenta e tal...
Começo a não querer contá-los.
Não tenho pânicos,
Não é nada disso!
É fugir à monotonia do desespero
Da preocupação e choramingar comuns
De outros que me acusam.
Acusar de quê?
De merdas superfluas
Mimos perdidos e ansiedades.
Falta de... atenção? amizade?
Que tenho eu a ver com isso,
Se já me organizo neste meu labirinto?
Tenham dó!
Pensem na vida real,
Nos chocolates,
No champagne,
No café,
No jornal,
No livro no meio de tantos por ler.
Pensem no mar,
No vento e no clima,
Do frio terrífico
Ao calor insuportável.
Pensem nas crianças famintas,
Nas guerras diabólicas.
pensem em coisas reais!
Porra! Porra! Porra!
Pensem!
Pensem que este ano acaba para muitos
Que começa para mais ainda,
E muda muitos mais!
Pensem que pensar é ser Humano!
Pensem...




01JANEIRO2017