domingo, 21 de maio de 2017

O TOQUE DA PEDRA




Vou-me encostando ao chão.
Sabe-me bem o frio da pedra!
Devagar, não me quero assustar
Com os gritos do frio na pele.
Idealmente,
Será um bloco de mármore, de
Ferrara ou Pero Pinheiro,
Não importa a zona.
Importa-me a Pedra,
A vida de todas as pedras.
São milhões de anos
Por cada veio polido.
Pode ser Granito,
A dureza da vida, que
Sinto no veludo da pele.
Cada vez mais tenho raízes
Que saem do corpo
De dentro para fora.
Invisíveis, mas reais.
São a evolução do Eu,
Sem nervos transmitidos
Pelas sinopses que me tormentam.
Sou mais pedra de água.
Cada vez mais pedra de água.
Polido e metamorfoseado
Em seixos, pedras sem arestas,
Onde nada encrava nem empanca.
A água tem a força do Mundo,
Da existência viva, e
Por maior seja a pedra,
Nada a pára, porque contorna.
A água é o choro da Pedra,
Do Homem, das nuvens,
De tudo o que eu penso.
Porque sou água,
Porque ouço as pedras,
E os pássaros, e o Mar.
Sou a escultura da vida,
Esculpido sem método ou ordem,
Sem mestria de obra prima,
Mas pela mão do anjo que amo.




21MAIO2017


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