terça-feira, 29 de dezembro de 2015

UM MUNDO SOZINHO





Foi há uma hora.
Mais ou menos uma hora,
mais minuto, menos minuto.
Só o vento foi testemunha.
Talvez as árvores,
Os bancos do jardim e,
A sombra das nuvens também.
Não reparei na multidão,
Estava sozinho e feliz.
Só os ombros, os meus ombros
Sentiam algo mais que Eu.
Empurrões e encostos,
Uns "é cego", "não me viu",
E era verdade. Não via nada.
Não via ninguém.
Vi que existia o mundo
De uma forma simpática
Egoísta também, mas meu.
Era bom ter um mundo.
E eu tenho-o. Um mundo!
Todos os outros eus,
Nos outros meus mundos.
Só o vento é testemunha.
Eu, não ligo ao que me dizem.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

IMPOSSIBILIDADES





Atrasei o relógio
Mas não parei o tempo.
De desilusão em desilusão,
Tento equações diferentes
Sem resultados práticos.
Prefiro fechar o cérebro
E usar a imaginação
Que anda mais que fértil.
Misturar os trópicos
Com areias e corais
Onde possa mergulhar
Sem precisar de oxigénio.
Trocar as necessidades
Do corpo humano
Por situações patéticas,
Impossíveis e irreais.
Conversar com os peixes,
Argumentar com os símios,
Correr à frente de gazelas
E gozar o espanto.
Uma surpresa a Deus,
Com a criatividade
Que nem ele se lembrou.
É engraçado ser absurdo
Tornando a realidade
Em abstratos e fábulas
Tão reais como a minha sede
De entrar pelo mar adentro
E ficar. Não voltar.
Talvez para lá da estratosfera
Também seja interessante.
Tudo que me tire daqui,
Desta realidade atrofiante,
Será a viagem mais desejada.
Sonhar. Eu sei sonhar, claro.
E é acordado que tenho este
Pensando nos próximos sonhos
Com motivos programados.
Impossível nada o é.
Não acredito na impossibilidade.



28DEZEMBRO2015

domingo, 27 de dezembro de 2015

NADA





Nada.
Apenas nada.
Tanto nada.
Nada.
Vazios,
Espaços vazios.
Cosmos,
Galáxias
Ausência de
Gravidade.
Ausência de
Oxigénio.
Ausências,
Viagens vazias.
Nada.
Tudo nada.
Cheio de nada.
Farto de nada.
Tanto nada.
Apenas nada.
Nada.



27DEZEMBRO2015

sábado, 26 de dezembro de 2015

DIÁLOGO COM OS SEIXOS






Já da idade, sinto frio.
Os pés gelados,
Dos saltos que dou
De margem em margem,
Falhando o firme e,
Saboreando as águas.
Será da idade sentir mais.
Será banal cair mais vezes.
É no chão que vejo tudo
O que me rodeia,
Em cima e em baixo.
A vontade de ficar,
Cheirar a relva,
Olhar o Sol que me cega
Com toda a fragilidade.
O som do riacho
Tem palavras escondidas.
À tona de água,
Na corrente,
No estuário.
Os seixos estão vivos,
Testemunhas do meu e
De todos os passados.
E falam. Ó Deus se falam.
Basta ficar debruçado,
Em silencio
Com a mente aberta;
Olhar a refração dos sólidos,
Os toques da mosquitada
Que gera ondas e círculos
Nano proporcionais
Ao som que ouço
Com os olhos fechados.
O dialeto das pedras
É directo, sem redomas
Mas acho, que só eu as ouço.
Estórias que fluem e,
É pena. Tenho pena
Que só eu as ouça.
Vocês, acreditem
Não sabem, nem imaginam
As estórias que perdem.




26DEZEMBRO2015


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

SIMBOLISMO SECULAR





Entretenho-me aqui a voar
Onde as asas não existem
Só um pouco de vento
Que me corre por dentro
E me alimenta o sangue.
Estou revoltado com tanta coisa.
Pessoal, impessoal,
Com o Mundo e o Homem.
Natal é o que se chama
Á festa da dádiva dos Reis
Ao simbolismo secular
Onde nasce a Humanidade.
Humanidade de ser Humano.
Humanidade sem nexo
Porque existe tudo menos Nós.
Somos um desperdicio numerado
Em regulamento financeiro
Imposto por impostos e obrigações
Que perderam a noção da vida.
Há que ressarcir a falta básica!
Todos pecamos com a falta de acção
Que lamentamos mas choramos
Quietos no meio de multidões fartas
A real miséria de quem nem imagina
Que existimos e nos preocupamos.
Será mesmo que estamos preocupados?
Eu rasgo o grito com algumas palavras
Que me deixam ainda mais frustrado
Porque não me apetece parar de escrever.
Tenho vergonha de ser Homem.
Não de mim porque tento e ajudo
Apesar do pouco que vou conquistando.
Tenho vergonha da Humanidade
Essa que mais uma vez se bombardeia
Sem preocupação de inocências
Senão a desculpa colateral.
A miséria quando chega ao corpo
Começa no idealismo de quem manda.
E porquê governar não governando?
Porquê existir destruindo?
Porquê? Porquê? Porquê?
Não conheço resposta...



22DEZEMBRO2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MONÓLOGO




Escrever é o monólogo
Silencioso e quase herético
Onde o opúsculo ainda virgem
Se suja de tinta transparente,
E eu, num curto repente,
Já não entendo se sou gente
Operoso das pequenas coisas
Nestes hieróglifos decifráveis.
Há um cenário barato e
Produzido de forma fácil,
Onde realçar o poder atuante,
De um qualquer personagem
Torna as decisões mais difíceis.
Talvez adensar o carácter
Provoque maior atenção...
Mas eu desgasto-me, estas "coisas"
Que quero tão simples
Apesar de gestos hirtos,
Me dão um tesão enorme
Para actuar sozinho!
Não sei se perturbo
Se sou perturbado,
Ou mesmo até, ignorado.
A cena não pára.
O acto muda amiúde,
O cenário fica.
E eu parto!



21DEZEMBRO2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

DO PEITO AO INFINITO





Perder o método de qualquer coisa,
Criando a razão de qualquer coisa!
Lá vem a noite e a névoa, tão boas
Que me enredam, desfigurado, num cais.
Um cais deserto, abandonado,
Cheio de pequenos "frames" perfeitos
Com fotografias a preto e branco.
Até a cor sépia, fica encantadora!
Será um estado cinzento o que vivo,
Com admiração por estes fundos,
Que me preenchem sonhos e vida.
Serão revelações irreais da mente?
Uma realidade subconsciente assumida?
É partir para uma guerra.
Um amor que fica em terra, a saudade,
Uma tempestade no mar, o vazio do medo.
O enorme vazio do medo. Escondido...
Ser feliz é dominado por imprevistos,
Podem ser mentiras tão fortes e tão frágeis,
Que me enrugam o poder do efémero.
E fico nu. Ser mortal é potentissimo,
É este estar aqui, um momento,
Com a vontade de não fazer nada,
Querendo fazer tudo o que é quase impossível.
Viajar por desertos sem hipótese de sede,
Soltar ventos e os véus com todas as cores
Sem abutres hipócritas de sentimentos
Nem corvos que encontrem a segurança.
Só a lágrima cria o oásis necessário
A uma sobrevivência não subserviente
A uma liberdade pessoal e sem regras
Sem impedimento de gritos profundos,
Lançados do peito ao infinito.
O suficiente!
Preciso só o suficiente!
Perder o quê, se só perdendo se acha?
Morrer para quê, se só morrendo se renasce?
Estar aqui, beliscar-me e sentir dor,
É sinónimo de uma qualquer coisa
Mística e inqualificável por ignorância?!
Vejo o que quero ver,
Sou o que quero ser.
Só assim, atinjo alguma coisa.
Sinto o que posso sentir,
E são estas sensações,
Separadamente juntas,
Me fazem amar a vida!
São todas as dúvidas e,
Todas as certezas possíveis,
Que me criam mais dúvidas.
Oiçam com a Alma,
Gritem por mim!
É assim
Que um dia qualquer,
O meu Peito volta do Infinito.
Sei que sim!




20DEZEMBRO2015

sábado, 19 de dezembro de 2015

PORQUÊ A DÚVIDA ?





Porquê a dúvida?
Começa aqui.
O talvez é ilusório
mas é uma defesa.
Não me canso
de pensar nisto
porque a conclusão
é sempre diferente.
A dúvida faz parte
de tudo. Mesmo tudo
é aí que nasce o algo.
Saltar certezas
é tornar frágil
as indulgências
de todas as culpas.
Não há pecado.
Há erro. Há errado.
Tentar reparar o erro
é descuidar o certo
e o certo só existe
depois do erro.
Sei que erro
com "mea culpa"
sem preconceitos
em assumir a vida.
Porquê então a dúvida?!
É simples,
Nada é o que é.



19DEZEMBRO2016

AMANTES POR UM DIA






Saber amar.
Quem sabe?
Amar,
Amor,
Amante.
Basta um dia,
Paixão,
O tempo,
Silêncio (e)terno
A fusão.
Tudo!
Paixão,
Entrega
Amantes.
Por um dia...



19DEZEMBRO2015

LOUCO POR MAIS UM POUCO






Corre-me o sangue nas veias
desenfreado e em ebulição
quando, como neste momento,
me apetece sair da carne  e
subir a eito muito para lá das nuvens.
Preciso de incorporar num alazão
selvagem, dominante, fogoso
em desmesurado galope alucinado
sem tento nas crinas e sons de cascos
até perder o fôlego e a força.
Olhos fechados, narinas no máximo
frescura do vento nos pulmões
desordenados pelo compasso louco
pela sensação abstrata e amante
do poder da liberdade pura.
Ó Deus, como quero fugir
deste redondo pouco hermético
de Beleza alucinante a que estou
obrigatoriamente magnetizado.
Despeço-me da vulgaridade
com as veias salientes do esforço
com o pulsar indiscritível da adrenalina
que me faz parar de pensar por um rasgo
onde o obstáculo do Tempo
me deixa galgar a fúria do passado.
Ó encanto dos encantados, dá-me o disfarce
das meias palavras e sarcasmos primários
que o puro sangue afugenta, simples
tão simples como a minha raça inigualável.
Tragam-me as estátuas de mármore
a perfeição dos Berninnis inimitáveis,
e dos corcéis e dragões espetados
por almas soltas de franquezas frágeis.
Ó mundo cão dos esfomeados
dos doentes para sempre inacabados
de tantas estas e outras vidas necessárias
muito mais que a minha necessidade
em testemunhar vivo, a morte viva dos outros.
Tira-me deste espelho negro,
traz-me prata e vidro novos sem reflexo
para que eu possa destruir com violência
as redomas desfiguradas e eternamente vãs.
Dá-me a força de ficar, de abandonar
a vontade de partir para outro lugar.
Dá-me Bach, Mozart e Vivaldi,
Sakamoto, Elgar e Paredes.
Dá-me mais arte e oxigénio
mais amor e dor efémera ignorante.
Dá-me tudo meu Deus. Dá-me tudo!
Dá-me a vontade de ficar ermo
com a alucinação óbvia e permanente
de um Mundo novo onde cavalgue
como o tal puro sangue, até que as veias
rasguem de esforço, como as pontas dos dedos
do pianista enlouquecido com pautas em branco.
Mantém-me louco por mais um pouco,
porque só assim consigo sobreviver.



18DEZEMBRO2015

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

É ASSIM...




Vêm?
O povo existe.
As pessoas respiram,
Os carros não param,
As luzes acesas,
Os óculos de Sol...
O deserto.
É assim o deserto.
Cheio de partículas
De erosão temporária,
De estradas e caminhos,
De nadas...
As gárgulas riem,
Os pombos grasnam,
Os porcos ladram,
O povo existe!
Vêm?



15DEZEMBRO2015

O SILÊNCIO







O silêncio.
Apetece-me dizer tanto,
Que se resume aqui,
Condensado,
Ínfimo e íntimo.
Imenso o pouco.
Bom senso
Paciência
E um rio de prata,
Um espelho vivo.
O mar é maior, a mim
Chega-me pouco.
É um feitiço constante,
Um grau hipnótico,
Uma qualquer regressão
Ao que eu não quero.
É a vida,
É o viver com vontade,
Não ligar à idade.
Não sentir saudade.
É!
É isso
O silêncio.



15DEZEMBRO2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

BOM DESASSOSSEGO






Não só a calma me atrai,
Atrai-me a atitude,
Com laivos de desafio.
Tudo me atrai
Desde que sinta
Desde que acredite
Desde que esteja calmo.
Afecto e mimo,
Nem sempre são precisos,
Basta que a calma entre
Basta que a amargura saia.
Estou com poucas palavras,
Não meias palavras, não as uso.
O bom senso agarra-me o ombro
Contra a tentação de caminhar.
É bom parar.
É bom ficar calmo.
É bom entender que sim,
Que o amor é mais forte,
Que desassossega e,
É bom desassossego,
Pensar-te.



14DEZEMBRO2015


domingo, 13 de dezembro de 2015

É BOM SER ASSIM





Soltar-se a voz
Num espaço pequeno
Eco seguro
Memória irreal.
Apenas sonhos
Raízes prematuras
Redomas frágeis
Vidas reais.
Sou como o vento
Musica de sopros
Batidas de portais
Sem retorno à vida.
Passa tudo por mim
A vida, mulheres e
Imagens por focar
Sinto que sei tudo
Que me preencho
Mas tenho o pouco
Que afinal preciso.
Nada disto é musica
Só uma pauta escrita
Sem saber como
Apenas pontos e riscos
Que corro na vida.
É bom ser assim!



13DEZEMBRO2015

SABOREAR O SILÊNCIO





Porque o silêncio acabou,
Sinto-me livre e sensível.
A sensibilidade não é fraqueza,
É coragem de quem a partilha,
Sem vergonha de ser homem.
Ser homem não é dureza,
Ser homem não é machismo,
É apenas ser o individuo
Que procura o que ama.
Sorri vós outros com isto,
Porque a herança preconceituosa
Existe, lá bem no fundo da matéria.
Em mim, quem manda é a Alma,
Minha íntima amiga e amante,
Desde esta vida à eternidade.
Saboreio o meu silêncio,
Cheio de barulhos bons à volta.
É o deleite, um prazer louco,
O piano, o cello, o violino,
As páginas que passam,
O murmúrio de um beijo
Mesmo que imaginário...
Quando os silêncios acabam,
É altura exacta para ser Eu.


13DEZEMBRO2015

sábado, 12 de dezembro de 2015

INSANIDADE RECICLÁVEL




Depois de mudar de mundo,
Todo o autóctone reverte
À normalidade desesperada.
Precisamos de mundos diferentes,
Este está infectado em heresia
Com um sistema imunitário doente
Que não cura, mas aprova a histeria.
Ao inocular este ar infecto,
Percebo o valor das coisas sãs.
As pessoas, quase todas as pessoas,
Fazem parte de uma visão
Ostentada por uma Lua minguante,
Que não oferece grande motivação.
Assim vai o mundo, dividido e
Louco, instintivamente irresponsável.
A inteligência é instável,
A minha nano proporção, faz sentido,
Faz-me pensar na minha pequenez e,
Na insensatez de ambição não regulada.
Há injúria emocional nos abortos que falam,
Que deixam correr tinta infanticida,
Sem pensar nos ninhos de pérolas,
Nas pétalas da vida,
No perfume do Mundo
No pólen da fertilidade do Amor.
Estou a modos que envenenado
Sem antídoto que me valha.
Estou e sou consciente,
Na relevância do que sinto e penso,
Apesar da irrelevância dos resultados.
É esta a insanidade que me apoquenta,
A inércia prática, a necessidade psiquiátrica,
Que meio planeta Humano, urgentemente precisa.
O que fazer?
Que fazermos nós, os incógnitos?
Qual a atitude?
Guerra contra a guerra é tão fácil;
É o que fazem os "inteligentes".
Eu nisso, sou estúpido!
Individualmente, fico prostrado e,
Cansado das sementes que aqui deixo,
Que não germinam, que secam,
Pela insignificância desta folha reciclada.
A realidade já é longa, indecisa,
Incompetente e inaceitável.
É a realidade de tantos mundos
Divididos neste nosso
Que oferece sem medo
A dúvida do amanhã.
Eu quero tudo!
Eu quero tudo o que possa dar,
Quero ver as sementes crescer
Germinadas e orgulhosas.
Quero o pão dividido,
Sem escolha de dono,
Apenas novos protagonistas
E um Novo Mundo!



12DEZEMBRO2015


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

MATERIALIZAR O EGO




Não sei quantas vezes materializo o que penso.
Tenho a certeza absoluta que menos vezes
De todas as que deveria materializar.
A questão é tão simples que complica
Até porque gostar de tanta coisa
Quase que implica opções desnecessárias.
Mas existem as outras, as mínimas
Aquelas que são tão simples que morrem
Antes de conseguirem ser comunicáveis.
Não é necessário ser muito inteligente
Para sentir que o que é bom, o é
Por uma razão própria, não fictícia.
A falsidade, é um perímetro circunscrito
Que transborda a hipocrisia sem ser julgado.
Revela-se a falsidade, a mentira e a omissão.
Pensar é dos actos mais felizes que tento,
Com as minhas limitações que conheço,
Sem preocupações de julgamentos externos.
Eu sou a minha Catedral, o meu confessor
O meu pecado e divina comédia juntos.
Sou o que acho justo, venero quem o é,
Admiro a coragem e auto controlo.
Só não entendo porque escrevo estas coisas,
Assim de repente de um nada enorme,
Que grita por ser preenchido com outro nada.
Tudo isto é nada e, é a partir do nada que existo.



11DEZEMBRO2015

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

VAMOS!






É a esta hora
Que o vazio abusa.
É a calma.
O sabor da calma
Misturado com o teu cheiro.
O pingo de vinho nos lábios
Que não deixo cair
Com a sede dos meus.
É o abraço
O som de Sakamoto
O baile intimo,
Sabor a corpos nus.
Ouvir nos poros
Os rios que se agarram.
Fala-me de nós.
Fala-me de amor.
Fala-me do que quiseres
Mas fala. Fala. Fala...
Abraça o silêncio,
Este bom silêncio.
Dá-me os teus olhos
Que embriagam o mais ébrio
Dos Deuses.
E voa. Voa comigo
Por este espaço vazio,
Sente o vento das asas
O frio das nuvens
O silêncio.
O nosso silêncio.
Vem.
Vamos!



09DEZEMBRO2015


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

SE TE TOCO






Para quê pensar
Perder o toque
Recolher os dedos.
Esta sensação
Um pedaço de tudo
Quase sem nada.
Silêncio
Apenas e só
Silêncio.
Sentir
A pele
O murmúrio.
Cegar
E ver tudo.
Para quê pensar
Se te toco.


08DEZEMBRO2015

domingo, 6 de dezembro de 2015

ARTE E VIDA




Hoje já é passado.
Respirei o fruto do Ego.
O que me alimenta.

Esperei,
Corri e encontrei,
Deliciei-me,
E acabei aqui.

O Ego tem elasticidade,
Gostava que crescesse.

Ó Deus,
Dá-me um Ego maior,
Maior que a Alma,
Dá-me momentos eternos.

Sei a cor da luz,
Do Sol, da Lua,
Da tua,
Do brilho espelhado.
O mar.

Os sons mágicos,
Pianos,
Violinos,
Metais.

Almas virtuosas,
Vivas em corpos,
Tão pouco humanos.
Mas mais que humanos.

E eu.

Aqui deslumbrado,
Pelo poder da Arte.
Deslumbrado comigo,
Por privilégio,
Poder assistir.

Sentir.

A Arte,
É muito mais.
A Arte
É ter poder na vida.


06DEZEMBRO2015

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O AMOR EXISTE





Onde está a vida?
O sonho?
A cumplicidade?

Onde encontro a amizade?
A fuga?
A coragem?

Porque me queima o fogo?
Por dentro,
Por fora,
Por tudo e por nada?

Porque sou eu assim?
Uma muralha,
A defesa desarmada?

Porque gosto de ser quem sou?
Sem dúvidas,
Que não estas?

Para quê desacreditar?
O amor existe,
Está aqui!


03DEZEMBRO2015


SEM VONTADE DE REGRESSO




Chegar devagar ao meu corpo,
De uma viagem como tantas,
Onde me perco propositadamente,
Sem vontade de regresso,
É um acordar difícil de gerir.
Rasgam-se as nuvens,
Nos cantos do céu, misturado
No horizonte, tão perto de mim.
Os meus antípodas, são aqui,
Tão perto que me assusto,
Sem receio real, onde só eu chego,
Numa paisagem que só eu vejo,
Nas definições que só eu entendo,
Num mundo louco que é só meu.
Egoísta? Não diria que sim
Como não diria que não.
Talvez, talvez seja eu a onda
De uma qualquer tempestade
Que adoro sentir na pele,
Como náufrago moribundo,
Que lá bem no fundo, reage
Ao frio da falta de oxigénio,
Que salta dentro do corpo,
Doido, doido, completamente doido
Com uma vontade inigualável
De se agarrar à vida, a esta vida,
Que se torna de súbito suave,
A todo o momento,
A um qualquer momento,
Desde que o amor exista.
O amor. Sim! É esse o segredo.
O tal motivo e a causa deste crime.
Assim me acuso, me entrego e,
Capitulo à paz banal do nada,
Porque esta tempestade no peito
Faz parte do porquê em estar Aqui.
A paz é esta tempestade...


03DEZEMBRO2015

O PULSAR DO PEITO



Fechar os olhos,
É ver todas as cores.
É o espaço vazio,
Preenchido de tudo.
É como chorar,
Um relicário nobre
Que me toca a alma.
É a fé presente,
O corpo ausente.
Meu Deus,
Como preciso da cor.
Do pulsar do peito,
De pintar o amor.
Fechar os olhos,
Ver-te aqui, ausente
Nesse teu corpo presente.
Quero o mundo,
Perfeito neste momento,
Com o cheiro e o tacto
E o pulsar do peito.
Sei que sim,
Que sou estranho,
Que sou impulso,
Que não tenho jeito.
Fechar os olhos,
É ver-te, assim
Com todas as cores,
O teu cheiro presente,
No teu corpo ausente.
Fechar os olhos,
Agora e sempre,
Aumenta assim,
O pulsar do peito.



03DEZEMBRO2015

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

HOJE É O PRIMEIRO DIA





Sentir este poder.
As horas adormecidas,
Compor uma sinfonia
Com todas as pequenas coisas.
Uma batuta,
O ritmo cardíaco,
O peito cheio,
E o som silencioso...
O amor.
Quero compor o que sinto.
Quero tocar o invisível,
Quero cantar a vida.
Hoje, é o primeiro dia,
De como dizem, e bem,
Do resto das nossas vidas.


02DEZEMBRO2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

HOJE SINTO-TE!





Hoje sim.
Hoje sinto-te.
Tenho o palato seco,
O tacto trémulo,
O odor bloqueado.
Tenho a vontade.
Tenho poder do sim,
Vontade incontrolada,
Harmonia dos corpos.
Mesmo sozinho, sinto-te.
Sei que sim,
Que te sinto,
Tenho esse poder
De te sentir,
De te fazer sentir
Tudo, ou
Quase tudo,
Porque o tudo
É quando as partes,
Todas as partes,
Se sentem juntas.
Mudas, num
Entrelaçar de nós.
Nós, invisíveis e puros.
Só eu sei do que falo.
Tu, o saberás!



01DEZEMBRO2015