terça-feira, 15 de outubro de 2013

FALTA-ME TUDO!




Por vezes, apenas
tudo falta,
tudo!

Um piano,
calmo,
profanando o silêncio,
inteligente,
arrepio.

Paragem no tempo.

Um desejo simples,
efémero prazer,
de quem sabe,
de quem toca,
o que lê,
o que ouve.

São diabos no ar,
inofensivos,
suavemente
agrestes, comigo.

Rodo o corpo,
rodo,
e rodo,
de olhos cerrados.

Sofro a Boémia,
o acordeão,
o quartier latin,
livros velhos,
o cheiro a mofo.

Tudo!
Tudo faz falta,
às vezes,
tantas vezes.

Uma cidade,
um amor,
um desejo.

Falta-me tudo!

15OUTUBRO2013

2 comentários:

  1. reminiscências como poeiras
    de faltar sempre
    o arrepio do calor
    o suor do frio
    o instante perfeito

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