quinta-feira, 31 de outubro de 2013

SUFOCO




Ser ligeiro
como vento,
sem sufocar.

Além de tudo,
um naufrágio subtil
num horizonte perdido.

Ficção envelhecida
em duas bocas de veludo.

Do céu e da terra,
um toque de nevoeiro,
o beijo perfeito.

Falta-me oxigenar a razão.

Apertar rochas de água salgada
e beber o destino.

Talvez haja um momento,
lento, muito lento
que me embriague o ego.

Saber ser leve
e ligeiro,
como o vento.

Sem sufocar.


31OUTUBRO2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

IMPRESSÕES





Deixem murmurar os rumores,
Há excesso de impulsos.
São curtas as horas!
São pequenos os dias.
Fala-se muito de pouco.
A palma da minha mão,
É como um retrato.
Uma árvore seca enrugada.
As folhas, de tão verdes,
Murcham exaustas. E caem.
Uma árvore nua e crua,
Como nua te amo, mulher.
Imóvel como uma pedra,
Uma composição selvagem,
Uma qualquer vida própria.
São rumores. Suposições.
Só os meus poros gritam,
Incomodados do ciúme.
Suo como a chuva,
E crescem árvores e flores.
Da boca cuspo fogo,
O que mata e renova vidas.
As horas são curtas.
Os dias cada vez mais pequenos.
Falta-me tanto de tudo!
Já me falta o tempo.

30OUTUBRO2013


PORMENORES




Prestem atenção aos pormenores.
Aprendam como é simples coexistir.
Olhem as flores como exemplo,
Deixem de misturar a mariquice,
Apenas por apreciar o que é belo!
Tão simples que é crescer sozinho,
Num campo de espécie semelhante.
Toda a flor representa um indivíduo,
Solitário mas replandecente e feliz.
A felicidade sorri apenas no existir,
O crescimento simboliza a Beleza.
O brilho áureo sem espírito,
Existe apenas com um olhar.
A cor e a forma reluzem de creação,
E não se atrapalham entre elas.
Não há ciúme nem concorrência,
Quantas mais forem melhor,
Maior será o impacto do conjunto.
Tenho inveja das flores!
Apesar da inércia aparente,
Ensinam-me o valor da multidão.
Ainda mais que isso, conseguem
Algo inédito que só aprecio
Quando observo comportamentos.
Mas com elas, com as flores,
Perco-me por apatia não aparente,
Mas por admiração sem limite.
Agora entendo as telas dos mestres.
Agora percebo o valor de toda a cor.
Agora sim, presto atenção a tudo,
Tudo o que me traga felicidade.
Parto para um novo caminho,
Onde ignoro sem desprezar a crítica.
Todos os pormenores contam.
O infímo é o filtro de algo enorme.
E aprendo a ser feliz...

30OUTUBRO2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

FIM




Se a palavra matar a injustiça.
Afio todas as letras como facas,
Tão cortantes e aniquilantes,
Como uma folha qualquer.

Nem toda a palavra mata.
Tenho pena porque a usaria.

Quero o fim do purgatório.
Tanta pena que não tenho,
De quem morra por punidor.

Todos os pecados sofrem.
Todas as dores corroem a carne.
Todos os assassinos morrem.

Tudo acaba numa palavra,
Fim!

29OUTUBRO2013

ACORDAR SIMPLES





Poderei acordar todos os dias,
Apenas me falta capacidade,
Vontade permanente e geral,
Para gozar a plenitude da vida.
Impossível e infeliz porquê.
Disfarçadamente vivo feliz,
Sempre que o Sol entra janela dentro.
O invísível toca-me concentradamente,
Acabando com a preguiça fácil
Que me invade ao primeiro respirar do dia.
Não me faltam forças. Nada disso
Nada me falta para qualquer finalidade,
Apenas disfarce ou desprezo ambíguo.
As notícias transformam a esperança,
Sendo única alternativa, ignorar sem ignorância.
Resta-me tudo, nada de choros parvos,
Tudo resta ou falta, por inércia,
A inércia que combato e me revolta.
Sei ser homem de atitudes discutíveis,
De feitio alterado por impulsos.
Sei ser assim, sei ser muito mais que isso!
A resposta, se for d'outros, será diferente
De todas as minhas respostas a mim mesmo.
Sempre diferente e ambígua, e quero isso.
Quero pensar de várias formas,
Quero que o assunto central se divída.
Apenas acordar todos os dias não chega.
Apenas respirar por sobrevivência não chega.
Apenas mais um dia não chega.
Cada vez mais, me chega tudo como suficiente.
Estou no limite da paciência com o Mundo.
Falta-me paciência para aturar a arrogância,
Falta-me paciência para aturar os "iluminados",
Provocadores só porque acham que sim.
A Humildade continua a ser difícil de alcançar.
Não de herda nem se compra, procura-se.
Luto contra tanta coisa estranha que passa por mim.
Apenas a simplicidade me interessa,
E essa tem sido a maior dificuldade da vida.
Ser simples não se herda nem se compra, conquista-se.
Poderei acordar todos os dias,
Todos dias serei simples por opção de vida.
Que se danem as opiniões dos outros.

28OUTUBRO2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

PEQUENEZ



Percebi finalmente a minha pequenez!
Sou ínfimo aqui, neste espaço medonho,
Quase tão enorme como o meu sonho,
Mas tão pequeno à vista do Arquitecto.
A essência de toda a vida,
Todas as vidas de pés na terra,
Têm geomancia como arca, indefinida,
Demasiada. Demasiada com tanta gente,
humilde, que sofre e impera sem o saber.
Os rios que não separam as margens, são
Oceanos que nos unem em linhas rectas.
A fraqueza, está em corpo e carne,
Apesar do sustento das almas,
Que sempre os renovam.
São os mistérios que movem a alquimia,
A procura de todas as pedras filosofais.
A Humanidade, essa, divide-se negativamente,
Pelos próprio meios que a sustentam.
Sei da destruição de almas que renascem,
Sei do menosprezo à vida terrestre.
Apenas a pobreza se perde em crescendo,
Apenas me dói sentir que sou humano,
Ver crianças morrerem famintas,
Ver a doença evitável e ignorada,
Ver um mundo mentiroso e utópico,
Ver a continuidade da ignorância,
Por desleixo profano e egoísmo!
Pudera eu ser Deus por um dia!
Juntar todas as chamas individuais,
Juntando a minha própria,
Só de uma chama faria fogo.
Queimaria as ideias idiotas, a amargura,
Destruiria todos os pecados solucionáveis.
Apesar de tudo, vivemos nesta contradição.
A de destruir para voltar a criar,
Sem conhecer esse poder de origem.
Morrer para voltar a nascer.
Sofrer na procura da felicidade!
Estou farto!
Perecebi a minha pequenez!

28OUTUBRO2013

sábado, 26 de outubro de 2013

EFÉMERA ROTINA



Ando assustado com a rotina.
Já não é a mesma que era.
Os mecanismos estão corroídos,
as engrenagens guincham sózinhas,
adivinho um final doloroso.
Já não há manutenção a esta alma,
a engenharia imaginária enrijou
gretando a pele que a sustenta.
As rugas crescem por lubrificar,
secam os processos do tempo.
Fica o sadismo da inteligência.
Fica a alma que pensa e vê,
sem remédio mundano ou milagre.
A dor da noção que tenho,
não se altera, antes se afina,
corta-me ilusões efémeras.
Um devaneio, é peculiar,
normalmente não me ralo.
Desvio o consciente para as artes,
distraem-me. Sem grande frenesim,
da realidade, e o envelhecer do tempo.
Abnego-me a todas as alterações,
as minhas e de outros que estimo.
Além de tudo, é a felicidade que conta!
A rotina, apesar de tudo, fica.
Uso-a indescriminadamente por defeito.
Nada contra. Só o susto da (in)diferença.
Que tudo de novo surja. Depois da rotina,
sorrio à novidade. Uma outra ruga.
Tão previsivel como a morte.
O potencial do ânimo está aqui,
no próximo sorriso sincero, sem teatro,
a todas as imprevisibilidades do Mundo,
a todos os finais científicos previstos,
a todas as indefinições e incertezas,
que nunca alcançarei, por falta de tempo.
Mas amo tudo o que me merece,
todos os que me querem, na minha rotina.
A vida não passa de rituais consagrados,
nós efémeros, dependemos de rotinas.
As rotinas são para cumprir!


26OUTUBRO2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

AS NORMAS





As normas que me regulam,
Começam por pequenas coisas.
A "obediência" é ritual costumeiro,
Por alcance diário de Sabedoria.
Venham todas as cores possíveis,
Caleidoscópios abrilhantados por mim,
Que a glória da felicidade me inunde,
Assim fosse possível ao Mundo.
As feições são inundadas de alegria,
Sorrisos inocentes são de crianças.
Um berreiro nas brincadeiras de rua.
Siga a vida. Há esperança todos os dias.

As normas, as que me regulam,
São simples como todas as coisas.
Toda a rotina inata do corpo,
Regras a que a alma se adapta.
Um espelho. O meu paralelo,
A sombra que me desafia,
Desregulamentando os meus passos.
Todas as dúvidas são necessárias.
A certeza por adquirido é enfadonha.
Os aromas da manhã, rejuvenescem
Toda a preguiça ainda por eliminar.
A vida, essa, segue impávida e serena,
Apenas eu preciso de a acompanhar.

As normas que me entusiasmam,
São tentativas que copiam sonhos.
São espaços preenchidos por um vazio,
Onde a harmonia é mestra no dogma,
que automatiza crescer por si mesma.
Tudo se resume a finalidades.
Desejos. Objectivos alcançáveis.
A felicidade vive-se por fracções,
A alma, absorve-a por necessidade.
Eu fico no sossego dos deuses,
Não só por gostar deste Mundo,
Mas por o querer viver. Feliz.
Com toda a serenidade!

É atingível!
Sigo também, as minhas normas!

25OUTUBRO2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O TEMPORAL




Mesmo quando a chuva cai assim,
O temor do relâmpago, de tão longe
A distância, do som do trovão em mim.
Já não há nostalgia de Inverno.
Apenas o ritmo de gotas no vidro.
Forte, muito forte, cada vez mais forte.
Cai uma chuva poderosa abraçada ao vento.
O ritmo assustador, tal como o meu receio,
Tortura a vidraça corajosa e indiferente,
Resistente a todo o fustigar dos elementos.
Todos os sons são únicos! Funcionam
Como orquestra de metais em crescendo.
Uma debandada de chuva sem compaixão.
Cai o mundo a meus pés, liquidificado.
O pó do caminho, deixou de saltar
Absorvido pelo poder da borrasca.
Soltam-se rios e ribeiros pequenos, lutam
Com a alma que lhes vale em crescendo.
Nascem socalcos e margens,
Controlam a torrente que acalma.
Fica fresco o ar. Respira-se melhor.
Choram pelo calor os que choravam suor.
Soltam-se raios e coriscos de bocas mal lavadas.
A chuva cai. Não pára nunca, indiferente.
Sobrevivam ou morram, tanto se lhe dá...
Apenas o Outono tem um fim antecipado.
Apenas as folhas mortas vivem na corrente.
E chove. Chove muito. E reza-se.
Nasce a pobreza da fartura nefasta.
Já não se pede o que foi pedido.
A hora, apenas esta hora conta.
Apenas eu me interrogo. Para quê?
Para quê acreditar na necessidade?
Que venha o Sol, o calor e a seca.
Porque se chove, chora-se sempre
Como quem chora por outra coisa qualquer.


24OUTUBRO2013



domingo, 20 de outubro de 2013

A LUZ




Uma luz ao fundo do túnel.
Um mistério que o sonho reproduz.
Mas não foi sonho o que vivi!
Vivi o brilho sem caminho,
caminhei por impulso sem movimento.
Apenas um brilho,
um filtro de luz purificado,
atraente como a beleza,
magnetizante como a morte.
O bom da viagem,
foi poder gozá-la na volta.
Não saber porquê,
não saber onde estou,
acordar vazio de tudo!
Os ecos das palavras,
potentes como timbres fora de tom,
passaram por mim,
rápidos como o tempo,
todo o tempo de vácuo que senti.
O encontro com Deus,
uma dúvida sem resolução,
apenas um espaço de nada.
Foi um túnel sem paredes,
sem estrutura aparente,
apenas um espaço quântico,
do tamanho do cosmos.
Só a luz existe!
Uma só luz existe,
lá no fundo que se aproxima.
Abrir os olhos, ainda desfalecido,
rever humanos desfocados,
não deixou de ser desilusão.
Ficou a curiosidade,
o outro lado da luz,
mais uma viagem interrompida.
O vazio encheu-me a alma,
incrívelmente calma.
Ficou esta sensação de veludo,
onde tudo faz sentido,
onde nada justifica o mal.
O caminho da Luz,
ficou presente, incompleto,
como memória abstrata,
de algo tão surreal como a realidade.
Fiquei aqui, em compasso de espera.
Espero curioso, uma outra viagem.
A Luz,
fez-me perder qualquer medo!


20OUTUBRO2013

APENAS



Apenas um pouco,
de tinta,
de folha,
de Sol.
Apenas aqui,
respiro,
vivo,
fico.
Apenas alguém,
me abraça,
me beija,
me sente.
Apenas um dia,
serei homem,
serei alma,
serei eu.
Apenas não sei,
por todos os apenas,
por todas as dúvidas,
por todas as dores.
Apenas sou,
um pouco de tudo!

20OUTUBRO2013

sábado, 19 de outubro de 2013

UM BEIJO



Sinto a vida com paladar.
Um paladar arrepiante,
como vinho de reserva única.
O palato da vida é essencial,
por todas as sensações que sinto,
os tons, os cheiros, os toques.
A mistura é perfeita assim!
Um sonho perdido na noite,
um Sol que alimenta a alma,
um sabor a "não sei o quê",
que me apaixona por si só!
A música, a escrita e eu,
acordamos juntos num abraço.
Há um beijo sensível também,
como o escape do desejo
que se esvai ao abrir os olhos.
Basta-me pensar em ti,
e a vida faz todo o sentido!
O desejo que foi, fica.
O sonho que perdi, volta.
Apenas com um pensamento!
Se pintasse, serias modelo,
que copiava de todas as formas.
A melodia da tua fala,
eleva os sons a tímbres únicos,
como sinos em carrilhão,
que me custam controlar,
pela obra fantástica que sinto.
Sei que a paixão é assim,
que se altera tantas vezes,
mas no fim, tal como agora,
sirvo-me da felicidade
com egoísmo de todo o resto!
A vida tem um sabor.
A vida, tem vários sabores,
apenas os teus me transformam
num galopar de saudade,
onde toda a verdade nunca será dita.
Fica o espaço e o vazio,
a distância que ultrapasso sempre.
Ficas tu, fico eu,
duas estradas por galgar.
O final perfeito será simples,
sempre acontece por impulso.
Basta ver-te,
abraçar-te,
e um beijo.

19OUTUBRO2013

ALMA RENOVADA



O ritmo é vida.
Regula o corpo,
Mantém a alma viva.
Outros ritmos que amo,
São tão diferentes que,
Vivem de forma própria.
Interrogo-me aqui sentado,
Sobre uma árvore plena de vida,
Onde o contracenso da época,
Ilude a desfaçatez do final.
Sei que é Outono,
Que os ciclos se completam.
A magia das árvores,
Faz-me sentir diferente.
Todas as folhas são vermelhas,
Ou amarelas, ou pardas,
São cores de quase quentes,
Em fogo tão brando e belo,
Que atingem o auge da cor.
Vermelho vivo, polido,
Intensas de vida e morte.
O paradoxo está aqui,
Todas as folhas morrem,
Agora, no auge da beleza,
Caem, uma por uma,
Aqui, a meus pés.
São gotas de sangue,
De uma ferida aberta.
A cura, está no mistério
Onde a morte alimenta a vida,
A beleza mesmo morrendo,
Nunca morre; há outra vida.
Um retorno tão lógico,
Um esplendor reencarnado.
São os ritmos da vida,
Que nascem, em rituais.
São os ciclos naturais,
Que nascem imortais,
E morrem, vivos e mortais.
As folhas podem morrer,
Mas não lhes morre o Ego.
Morrendo se renasce, como
Aqui, numa simples árvore,
Ali será uma pedra, um eco duro,
Além será um comportamento.
Pensar, é dom que dói.
Que filtra prazeres,
Os privilégios da vida.
Só o sangue não pára,
Como as folhas,
Que morrem,
Que nascem.
São árvores velhas que,
Renascem com
Alma renovada!

19OUTUBRO2013


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O TEMPO





O Tempo.
Sempre o Tempo.
Preciso dele,
Como o fizeram.
Regulado,
Taciturno,
Previsível.
Preciso dele,
Sem alternativa.
Porquê o tempo?
Realçar a dor,
A quem o teme.

O Tempo.
O Tempo passa,
Sem lhe dar nome.
As rugas formam-se,
Tal carimbo de qualidade.
O saber,
A paciência,
A impaciência.
Porquê o nome?
Os mecanismos,
Os tique-taques incómodos.

Apenas o Sol.
Apenas a Lua.
Apenas as estrelas.
Um embrião,
Uma criança.
Para quê o Tempo?
Nasce quem vive,
Vive quem morre,
Alimentando o Tempo.

Ser partícula do tempo,
Nanoproporção cósmica,
Um pó perdido,
Um pouco do Sol.
Somos o Tempo,
Vivo e decisor.
Decidimos o Tempo,
Controlados por ele.
Até que a morte
Nos mostre a eternidade.

18OUTUBRO2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

FUGA À NORMA





Hoje, tudo é diferente!
Até eu, ritualista convicto,
quero sair da norma.
Da minha norma,
como as normas dos outros,
sair de todas as normas!
Quero ser "teenager" de novo,
por momentos de atitude
irreverente e acutilante,
inocente e deslocado do Mundo.
Acordei com um Sol brilhante,
abanou toda a minha estrutura.
O esqueleto ressentiu-se,
mas a alma acordou faminta.
Apetece-me passar por alguém,
abraçá-lo, talvez mesmo beijá-lo,
agarrar os ombros e abaná-lo,
fixar os olhos nos olhos e,
dizer convicto e feliz que,
"estás viva, estás linda,
és a pessoa que o Mundo precisa!".
Até ser diferente é estranho!
A norma, é um aborrecimento
que acato até que o sorriso chegue.
Já não sei que faça,
se seguir as normas,
se cumprir rituais,
se abraçar o desconhecido.
Morrer é a coisa mais certa.
Hoje será diferente!
Hoje vivo feliz!


17OUTUBRO2013


terça-feira, 15 de outubro de 2013

FALTA-ME TUDO!




Por vezes, apenas
tudo falta,
tudo!

Um piano,
calmo,
profanando o silêncio,
inteligente,
arrepio.

Paragem no tempo.

Um desejo simples,
efémero prazer,
de quem sabe,
de quem toca,
o que lê,
o que ouve.

São diabos no ar,
inofensivos,
suavemente
agrestes, comigo.

Rodo o corpo,
rodo,
e rodo,
de olhos cerrados.

Sofro a Boémia,
o acordeão,
o quartier latin,
livros velhos,
o cheiro a mofo.

Tudo!
Tudo faz falta,
às vezes,
tantas vezes.

Uma cidade,
um amor,
um desejo.

Falta-me tudo!

15OUTUBRO2013

INFINITO





Todo é possível, sorriso,
toda a luz me preenche
com alma e dor.

Floresce, o aroma a Sol
aquece a melodia da côr.
Todos os sentidos,
todos,
passam por mim,
assim,
como cavalos alados.

Liberdade é intensa,
é imensa,
como as horas,
os sussurros,
e até beijos,
que já me faltam.

Todo o prazer me sorri,
aqui,
depois,
um mar de suor
em ecos de vácuo,
dentro de ti.

O desejo, sinto-o,
infinito.
São murmúrios de ninfas,
musas encantadas.
As palavras,
apenas o fim.

O cheiro toca-me,
fé de impossíveis,
alianças,
retoques de dedos,
segredos,
eternidade!


15OUTUBRO2013

sábado, 12 de outubro de 2013

TUDO VALE A PENA




Às vezes fico assim.
Quem me não conheça
Pode catalogar-me na pior forma.
"Somewhere over de rainbow"
Musicado em versões jazzistícas
È um doce para o meu palato!
O repetitivo de sílabas e ecos,
A inevitabiladade dos metais,
A minha paixão pelo piano
E o silêncio necessário para ouvir.
Só uma boa sessão de sexo
Pode competir com este desejo.
São orgasmos melodiosos
Que me calam qualquer tipo de palavras.
Nestes momentos, quero tudo
Como a sofreguidão de algo fantástico!
Não há necessáriamente um padrão.
O único e coincidente, será a felicidade!
Mas, qualidade não tem preço.
Tem o bom senso da Soberba,
Individual ou interpretada por alguém.
Às vezes fico assim.
Com esta sensação de liberdade frustrada
Onde tudo o que para mim é utopia
Se torna numa realidade tão fácil.
E pergunto-me.
Serão os sonhos um caminho realista?!
A dúvida é apenas este momento,
Até que eu diga que sim!
Tudo vale a pena,
Porque a alma não é pequena!

12OUTUBRO2013

APETECE-ME TUDO!




Tudo o que me apetece é o apetite
Dos princípios da infantilidade.
Nunca sei, mas quero tudo!
As coisas mais queridas, variam
Tal como eu, sem saber a razão do porquê.
Daí, ou aqui, a explicação imediata e
Mais simples, é a do valor que dou à solidão.
Todos os sentidos e sensações se compram,
Compram-se e completam-se por si próprios,
Porque se influenciam nos resultados.
Mas nem todo o ser se vende. Eu não!
Escrever sozinho, com música de fundo,
Um estado de espírito muito particular,
Nunca é igual mesmo sendo eu o mesmo.
Há semelhança entre outros ambientes e sensações.
Tudo parece tão simples de explicar,
Mas não é. O simples é complicado.
Porque sorrio, estou feliz,
Porque falo, estou comunicável,
Porque oiço, sou inteligente,
Porque declamo, sou poeta...
A lógica não é esta, até porque
São tantas as hipóteses individuais.
Apenas isso, apenas interpretações.
Fica sempre o completar da felicidade.
O que se gosta, o que se ama,
O que se quer e, o que se recusa.
Apetece-me tudo o que gosto,
Tudo o que penso, mesmo sendo estranho.
A diferença está em mim!
Apetece-me tudo!

12OUTUBRO2013

TODA A PELE GEME




Toda a pele geme.

Um abraço calmo,
Um abraço longo,
Sons resignados,
Prazeres assumidos,
Um arrepio de saudade.

Apetece-me abraçar-te!

Agora,
Aqui e,
Sem palavras.

Só a pele,
Um olhar,
Um espaço,
O suficiente.

Ritmos cardiacos.
Nós os dois.

O vácuo.

Dedos perdidos,
Roupas que caem,
Cheiros que sorriem,
Pequenos toques.

A Estratosfera.
Tu e eu.

Um beijo,
Dois beijos...
Sem sons,
Sem imagens.

Apenas desejo.

Vem,
A pele geme!



12OUTUBRO2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DESCONFORTO DA ALMA



Todo o desconforto é pouco.
Estou como que do avesso
com o corpo e, o mundo inteiro.
As fases são um acumular  incontornável,
aparecem amiúde contra minha vontade.
Além do vómito mental que sinto,
ainda acrescento a dúvida da alma.
Será que estou a ficar senil?!
Cruamente pensando acho que sim.
Nada de incontrolável apesar de tudo.
Apenas o consciente me avisa ciumento,
que o inconsciente anda doido por espaço.
Espaço no meu interior, uma guerra interna.
Parece uma história mal contada,
seguindo laivos de qualquer coisa antiga
que me contaram e nunca acreditei.
O desconforto ás vezes incomoda mesmo.
Nunca estarei tal como o mundo,
em usufruto de tudo o que é ideal.
Alcançar a perfeição foi e será sempre utópico.
Os anjos e arcanjos de purezas dúbias,
resultam em fé mascarada de fogo frio.
Não pintei nem trepei aos símbolos medonhos,
pelos sonhos pecaminosos de quem pune.
Não transporto os dez degraus,
não os defino por fases de purgatório.
Os pecados mortais podem ter um número,
mas muitos mais ficam por catalogar.
Resta-me este desconforto, pelo gozo,
uma insanidade controlada e masoquista.
Pensar, tem o fervor da inconveniência,
doi o corpo; de dentro para fora tudo arde.
Ficam fantasmas que não sei se existem,
imaginários de metafísica controlada.
Fica o desconforto de algo inocente.
Saber que sou alma mas também gente.

10OUTUBRO2013


terça-feira, 8 de outubro de 2013

JÁ NÃO CHEGAM AS PALAVRAS




Nem todas as palavras chegam.
Nada que me encontre um caminho,
Nada que me abane a existência.
Não chegam todas as palavras,
Nem o tempo que me resta.
O que me apetece, não passa
De um apertar o Mundo na minha mão,
Espremê-lo em indulgências cruéis.
O perdão já não faz sentido,
Acusar não tem qualquer fundamento.
Sei que fico embevecido por pouco.
Detesto esta sensibilidade aparente.
Dirigir o momento que sinto,
Será um exercício difícil de gerir.
Prefiro acabar já isto.
Encolher-me na pele que enruga
A cada espasmo de amargura e,
Saltar fora novamente, como novo,
Ávido de um inalar imenso de ar puro,
Que me arrepie todos os pelos do corpo.
Sentir! Sentir que tudo não passa de nada.
Apenas mais umas pequenas coisas quaisquer
Que se associam a tudo o que já existe.
Esmagar as ilusões em almofariz e,
Deixar que a alquimia dê todos os frutos,
apesar de adormecida a alma que urge.
Já não tenho tempo para o que quero.
As palavras são muitas mas não chegam.
A existência fica, só porque sim!

08OUTUBRO2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A MINHA OPÇÃO





Estou perto de todas as facilidades.
Talvez por ser o caminho mais fácil
Escolha a preguiça como motivação.
Detesto-me no fundo quando o faço,
A resposta, é dura para comigo próprio,
Com as metas seguintes a que me imponho.
Tenho de me penalizar de vez em quando!
Preciso de acordar da maleita simplificada,
Não por ser simples, porque ser simples
É complicado o quanto baste...
Mas sinto que tenho de optar por vezes.
Seguir por caminhos mais longos,
Sentir que é mais difícil, o que afinal é óbvio.
Se aconselho ou não, é algo que ultrapasso.
Preocupam-me sempre os mais fracos,
Os reais, por mente e corpo debilitados.
Os que optam pelo que é mais fácil,
Já deixaram de me importar em absoluto.
Só os choros me arrepiam a alma,
De quem os sente como dor interna.
Suspirar já não é alternativa,
Só o mal que vejo me irrita a vontade.
Apetece-me responder violentamente.
Não por armas nem por guerras, mas
Por palavras e acusações direccionadas.
Já tenho medo ou vergonha de pouca coisa,
Se é mau feitio, se é revolta consciente,
Apenas a mim me diz respeito como o faço.
Deixei de me preocupar com opiniões
Que se baseiem em clichés hipócritas.
Sigo o respeito como coluna vertebral,
Como base de relacionamento e crítica.
Os outros são apenas os outros.
Apenas me preocupo definitivamente,
Com quem não tem opções de resposta.
Esta é a minha opção, não tenho outra.


07OUTUBRO2013

domingo, 6 de outubro de 2013

AS ARMAS




São as armas.
Todo o poder está nas armas.
Que seria eu sem armas?
Um desarmado mental,
Sem apelo nem agravo.
Limpo a minha diáriamente.
Repenso tudo o que penso.
Tudo o que pensei, já não chega.
Minha arma, minha mente.
Já não saem balas de metal,
Nem cartuchos de plástico,
Nem balas de borracha.
Disparo tudo o que penso,
Pela arma do pensamento.
Por vezes é mesmo isso!
Libertar o fel que arde por dentro.
Cada linha uma munição,
Reciclável e recomendável,
Até pela irreverência do acto.
E disparo, disparo, disparo,
Até que me doam os dedos,
Até que acabem as munições.
São sonhos e frustrações,
É tudo o que carrego no peito,
O que me rebenta a cabeça
Pelo acumular do desespero,
Pelas desilusões inesperadas.
São as armas,
Todas as armas que tenho,
Que limpo e recarrego todos os dias.
Um vício de bradar aos céus.
Um disparar em consciência,
Um alvo que sempre encontro.
São as armas de cada um.
As minhas são palavras,
Letras, municões, tudo junto,
Se transforma em arma.

06OUTUBRO2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

PRECISO DE POUCO




Apenas e talvez eu,
que escrevo devagar,
me sinto feliz pelas palavras,
básicas e tão simples como são.
Só o amor que é tão diferente,
os outros amores de quem sente,
entendem esta minha convicção.
Poetas são os outros,
grandes, dominantes, inspirados
com o dom de quem escreve.
Apenas e talvez eu,
que sinto deslumbre, que leio,
que escrevo e invento,
sinto o mesmo tormento,
mesmo sendo assim leve.
Não são cartas no correio,
são palavras que voam no vento,
que me fazem sentir este meio.
São as cores do campo,
os cheiros que sinto,
amores, um beijo, um seio,
transformam o mundo ao escrever.
Apenas e talvez eu,
incerto de comportamento,
entenda o que me vai por dentro,
mais que ninguém o venha a saber.
Só preciso do tempo,
uma hora, um momento,
porque sinto o tormento,
de um Deus que o mundo quer.
Preciso de pouco,
não por ser mais ou menos louco,
mas apenas,
para que possa escrever.


02OUTUBRO2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

COISAS SIMPLES




Já sei de que forma vivo.
Sei que o som me agride,
Sei que a luz me cega,
Sei que a dor me afasta.
A certeza de tudo o que sei,
é extraordináriamente pouca.
Cada vez mais me liberto,
de tantos clichés e imposições.
No mínimo tento. Penso o Sim.
Cada vez mais ligo menos,
só a simplicidade me serve.
Atingir esse estágio não é fácil,
reporta a opções irremediáveis.
Simplicidade não é ser fácil,
não é sinónimo de fraqueza,
antes um estado de espírito,
uma conquista de carácter.
Já sei de que forma vivo.
Vivo simples,
tomo opções,
busco felicidade.


01OUTUBRO2013