sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

IMPREVISIBILIDADE



Porque acabo de chegar a casa...
Tenho esta sensacao vazia,
sem a permanencia do eco.
Sinto vontade de gritar, alto...
Berrar ao doce da vida, sem te ver.
Fica esta fantasia escrita, um desabafo.
Este eco de alma cheia de espaco.
fico eu aqui, em alivio interno,
em expressoes de fogo apatico.
Ha o sadismo da tua imagem...
uma forma incapacitada de mim.
Um resto de tempo que me sobra,
um relogio dramatizando sem retorno.
Desvio-me do severo e do ambiguo.
Acabo por comecar sempre do fim.
Ja nao atinjo as metas ilustres, utopicas
na determinacao de uma atitude fraca.
Quero tudo no sopro da rapidez,
mas afinal sinto frio, sem a qualidade
de uma simples tempestade amena,
que me empurraria sem termo certo.
O suspiro da chegada e o relaxe,
o esgar compulsivo do abandono,
umas letras... uma chavena quente.
E o som la fora. O assobio elementar,
tao forte que o nao entendo sem olhar.
Por mais que olhe, nao vejo nada.
O espirito absurdo da curiosidade,
o eco do som que abafei prepositado,
pelo receio do controlo que me escapa.
O que me sobra no fundo, este momento...
Qualificar o inqualificavel, em mim... ou nao.
Um dito desabafo, de peito tenso
em vibracoes descontroladas do senso.
Fico vazio, pois claro. Fico liberto, talvez
de desilusoes que fujo permanentemente.
Por isso, o prazer do desterro interno.
A casa, a chavena e a caneta. Um papel
cheio de larachas ditadas por mim,
escritas pelo meu outro eu, que continuo a ser.
Sabe bem chegar a casa e reatar a confusao.
Deixar o passado presente, mesmo aqui
ao virar a porta que fecha e isola mais um dia.
Amanha... amanha quero mais papel em branco.
Quero sujar a vida, com a imprevisibilidade.

15 FEVEREIRO 2013


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