sexta-feira, 17 de julho de 2015

FONTE






Destemida corre na fonte,
Toda a alma da água corrente.
Será fresca, será quente?
É pura como a gente,
Que debruça a sede da mente,
Embebedando o ventre vazio.
Só os pássaros resmungam,
No medo do silêncio de um pio,
Esvoaçam e voltam sem tempo,
Porque a sede é mais forte que cio.
O som, é leve como uma pena,
Não de ave, mas cristalina
Como se encarrega frequente
A vontade de a ver seguir fina.
Só a fonte tem mestria falsa,
Por encerrar a liberdade do riacho,
Só o homem sabe o valor,
De todas as margens libertinas,
Quando a correnteza se cansa,
E pára num charco incolor,
Onde ondulam ondas como valsas,
Que toco com os dedos em concha,
E acabo por saciar todo o sabor,
De beber a liberdade cristalina.
Não há gárgulas nos beirais,
Nem conventos ou mosteiros,
Que embalem as formas reais,
De sentir um ribeiro sem bolina.
O sabor é intenso, por raízes e rebentos,
Que lhe adem a pureza divina.
Só esta água me abençoa,
Não apenas por ser simples,
Mas por saber que é boa,
E que os rios nascem livres.


17JULHO2015

Sem comentários:

Enviar um comentário