sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

NAO ESTOU AQUI



Vou fingir que não estou aqui.
Nao me leiam, não me sintam.
Olhem apenas uma sebenta suja.
Uma caneta revolta, carregada
de pequenas coisas por escrever.
Não sou eu, claro. Uma caneta.
Onde a tinta não falte mas que suje.
Que as folhas não sequem, que fiquem.
Apenas me sinto bem assim.
Vê-la correr livre no papel,
alegre e desinibida, sem freios,
fugindo ao esboço da tristeza.
Um prazer que sinto, eterno e presente.
As folhas, o mundo em virar de páginas.
Poesia tão eloquente como o oxigénio,
aquele que me alimenta a alma, a cura.
Um rodopio tão inerte como a dor.
Que dói mas soa bem, que me quer
e não me larga por prazer. E gosto!
Gosto da dor, mas aquela que escrevo
nem sempre é a que sinto... puro prazer.
Por tudo isto não estou aqui.
Tudo percorre o rumo do silêncio.
O sorriso de uma criança, eleva-me.
Faz-me lembrar que existo. E quero.
Quero que nao me vejam, apenas sintam.
Sintam que não estou aqui, que não sei
sequer, aquilo que escrevo neste momento.
Apenas me sinto bem, assim...

12 JANEIRO 2013

2 comentários:

  1. Pode não estar aí, poeta, mas sua poesia com certeza ficará na memória... intensa!

    Gostei muito

    Abraços

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    Respostas
    1. Intensidade dos sentidos! Obrigado Andrea!
      Abracos

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