domingo, 8 de janeiro de 2012

AS FOLHAS

O vento.
Manipulador dos leves,
e do poder de voar.

Ao ser como todas as folhas,
voava se me deixassem.
Somos parecidos, no fundo.

Semeados, e seguros ao ventre,
como mae e arvore que as alimenta .
Um rebento que nasce,
um esbracejar de vida que absorve o mundo,
a luz que nos transforma a sombra.

As folhas revelam, sem sequer pensar,
as veias de seiva que nos fazem crescer.
Mostramos ao mundo o que somos,
de que somos feitos, pela imagem,
e a alma que nos condena.

As folhas sao felizes ...
Surgem em rebento,
vivem sem sentimento,
morrem em bailado de vento.

Ao ler as folhas que voam,
e estas que me comem a tinta,
seria melhor ser como elas.
Mais simples,
Sem surpresas,
Sem saber que existo...

Nao me atrevo...
Sei que adoro as folhas,
estas que escrevo,
e as outras que voam.

Mas como arte nao morre...
nao deixo de querer ser,
como todas as folhas.


8 Janeiro 2012

3 comentários:

  1. EXCELENTE abordagem numa atitude modernista crítica e expressiva fico!

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    1. Obrigado, e muito bem vinda Helena!
      Uma honra!

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    2. Obrigado, e muito bem vinda Helena!
      Uma honra!

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