terça-feira, 27 de dezembro de 2016

AS VEIAS DO MEU CORPO





As luzes estão acesas e lutam
Enquanto a cera tenta travar
Toda essa força de uma vida
Que brilha e crepita ao sopro do vento.
Não conheço Igreja ou Catedral
Com quantidade que chegue
Onde o brilho de todas as velas
Me tragam o milagre que quero.
É a respiração invulgar
De um peito inseguro
Que me faz sentir a coragem
Que queria ter e me falha.
Há aqui algo que funciona,
Há um brilho nos ribeiros
Junto às margens ainda jovens
No declinar de nascentes
Que vão conquistando o leito
Que me faz sentir renovado.
O brilho é cristalino
O sabor é puro e simples
O frio arrepia-me a pele
Que me acorda o sangue lascivo.
As luzes estão no auge,
Pequenos sóis que não existem
Mas comungam o prazer
De ter prazer de os sonhar.
Abrir as janelas da vida
É o balanço inverso da morte
Porque ela existe e é o caminho.
Renascer é um somatório
De tantos renascimentos pontuais
Que me forçam o sorriso
Sem esforço ou fingimento
De me sentir prematuro.
É a lista, um dia por dia
Compras de pequenos nadas
Quase esgotados por aí,
Em tantos armazéns das Almas.
Esta nascente, cresce por impulso,
Por gravidade e força de vontade.
Nasce pequena, de um pequeno riacho
Que ao fim de léguas alarga o mar.
São as veias do meu corpo,
Que aquecem a melancolia.
São os olhos que me dão vida
É assim a minha Alma
Sem parar de crescer,
Até desagua
Onde o Horizonte nasce.



26DEZEMBRO2016

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