quinta-feira, 27 de outubro de 2016

CINZAS



Desligar a corrente
Que vejo à minha frente
Mas não posso.
É o mar
Que alimenta outras correntes
Delimitadas e alternadas
Com prejuízo e sortilégio
Mas amadas.
Devasto princípio
De uma filosofia agreste
Que se veste
De conceitos inacabados.
São todos, os conceitos.
Inacabados
Desamados
Desgarrados
Bravos e inocentes.
O mar é fonte
Corrente quente
Brava e desleal,
De fio a pavio, um
Furacão integral
A consolidação das Almas.
É o poiso das cinzas.
Onde quero as minhas.
Depois do corpo
De onde vim
Onde quero ficar.
Sabeis agora!
Se for que seja,
Que se me veja
Assim
No mar.
Depois de vivo
Entrego-me
Ao (re)nascimento.



27OUTUBRO2016

IMPOSIÇÃO PRÓPRIA





Tenho esta revelia a lugares
Pouco comuns, transparentes;
Tanto como a irreverência.
Esta posologia que não me trata
Nem do corpo nem da alma
Deixa um rastro de maresia
Que cheiro nos recantos
De todas as rochas que falam de mim.
Ou comigo. Ou para mim.
Mas sei que falam, porque não sou doido
E falo com elas, eu, o dito cujo
Que é estranho consigo próprio.
Não me digam que estou louco
Agradecia a pés juntos, e falho nisso.
Estou exaltado pela incompetência
Que me acalma a minha capacidade
De uma forma tão estranha... Meu Deus.
De uma forma tão estranha!
Resolvo a vida, no declínio da razão
A que tenho e existe sempre
Mas que o corpo insiste em alterar
Injusto como os justos o sã; às vezes.
Diria que a hereditariedade é cruel.
A lógica da representação subsequente
Não tem qualquer lógica se sentir o que sinto.
É tudo simbólico, é tudo subconsciente
É tudo estranho, como a vida não deixa de ser.
Tenhamos nós a capacidade da vida,
Tenhamos nós o poder da manipulação cega
De um imaginário criado à conta de imagens
Que imaginamos serem reais. Mas não são.
Quero ser livre, por imposição própria
Pela apologia da Sabedoria
Ultrapassando o miserável desperdiçar consciente
De saber e querer viver a Vida.
Quero tudo, porque não tenho nada.
Não quero nada, porque tenho tudo.
O Não e o Sim, nesta panaceia do talvez.
Tenho o sangue diminuto,
Com a obrigatoriedade de um circuito rotineiro.
Tenho o coração desfeito,
Pela imposição de tempo e do sangue imposto.
Tenho a memória viva,
Porque a revejo a cada fechar de olhos.
O sonho começa a ser cruel, por quantidades industriais
De formas e formatos desformatados que me atacam.
E EU?
Onde estou Eu, no meio de mim?
Quem sou EU?
Quero mar.
Quero ar, fogo e água.
Quero estar no meu elemento natural.
Um ponto simples, no meio do meu EGO.
Ser EU.
Sim
Quero ser EU
(finalmente).


27OUTUBRO2016

domingo, 16 de outubro de 2016

PODES FICAR AQUI







Sabes
Podes ficar aqui
No meu lado usado
Do meu corpo gasto
Escolhe
Prefere o que seja
Abraça-me
A música dá-me algo
Com ritmo e sensibilidade
Como tu
Vive
Abraça-me mais uma vez
E todas as vezes que queiras
Mas abraça-me
Quando o fazes
Soa o eco da música
O eco das árvores
Dos rios
Das asas das aves
É o eco
São os ecos
Todos
Todos juntos
Sabes
É assim que te sinto
Junto ou longe
Mas sempre!


16OUTUBRO2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

CONSTELAÇÃO DO EU





Talvez a prioridade morra.
Talvez tenha sido ilusão.
É o poder dos sonhos!
Os dias são um esforço
Quando o calendário emperra
Sem que os dias dêem agrado
Ocupem um espaço certo
Ou mesmo idealizado.
Mas não.
Nunca corre certo.
Não que não saiba bem,
Às vezes até posso dizer que sim.
Às vezes...
Quando me deito na relva,
À noite isolado de companhias,
É meu próprio solsticio
Que vai acontecendo
Enquanto o horizonte se move
E eu adormeço
E acordo num lado diferente do céu.
O meu lugar é o mesmo,
Segura-me a Terra
Com a gravidade que detesto.
Tomara ser estrela!
Começava por aí.
Talvez um dia, assim
Nos confins da imaginação,
Consiga chegar a constelação
Para ter o poder maior
De me admirar a mim próprio
Porque me amo!
(Lá, onde as estrelas vivem!)



05OUTUBRO2016


O (A)MAR





O cheiro que paira no ar,
É delicadeza acreditada
Por um Eu que estima o mar.
Acrescento valor concreto
Ao mar
Porque o amo!
É o (a)mar que invejo
Quando me falta.
É a saudade solidária
Como as folhas das árvores
Dos arbustos e plantas
Quando o vento as separa.
Este cheiro a mar,
É como um caule enraizado
De forma profunda
Com a força de todas as vidas.
Tudo tem vida.
Tudo do que aqui falo, tem vida.
Até eu, e Eu e mais alguém.
Não é o cheiro que se movimenta,
Porque o corpo enruga
Com o proveito de tantas marés.
É o tacto que me reflete
Quando toco o aroma,
Quando absorvo a essência
Que me arrepia o desejo.
É o mar.
Sim, é o mar.
Foi no mar que a vida foi,
E é, e irá ser. É assim.
Tudo se transforma,
Sem morrer na alma do Tempo.
E eu, como tu,
Ficamos juntos,
Com o cheiro
A um toque do (a)mar.



05OUTUBRO2016