quarta-feira, 25 de maio de 2016

MARIA TERESA HORTA (o momento)



Um olá,
A quem me viu.
Ignorância
De quem ignora.
Valeu a poesia,
O motivo,
A poetisa maior.
Valeu o dia,
Em todos os outros,
Tantos dias, que
Esperei o momento.
E tive-o!
Um momento,
Cheio de momentos,
Antigos arrepios,
E um só, e foi ali.
Amei o amor,
Adorei o adorável,
Anui à poesia.
ANUNCIAÇÃO,
Foi a hora certa.


25MAIO2016

terça-feira, 17 de maio de 2016

O NOSSO DIA





Foi simples
Esta sensação.
Mas minto,
E não sei mentir.
Foi simples
Esta emoção.
Foste tu,
Fomos nós.
Não há idades.
Pára o tempo,
No momento
Que te sinto.
Poucas vezes,
Não tenho palavras.
Tenho o tacto,
Tenho o cheiro,
Intenso palato.
Um sorriso,
Olhos que falam.
Um gemido,
Corpos intensos,
E entro!
E fomos, só
Apenas um!



16MAIO2016

PERSPECTIVAR A SAUDADE





Perspectivar a saudade.
Um esboço emocional,
Feito e refeito por intensidade,
Perspectiva criativa,
Invisível e inodora, mas presente.
Um silêncio gritante,
Regulado por regras opacas,
Iluminadas por conveniências
E sensações admiráveis.
Procura disfarçada da felicidade.
Escondida sem intenção
Num crescendo de criatividade,
Com o poder de sonhar acordado.
Pintei um esboço antigo,
Fiz e refiz a mistura dos pigmentos
Que só a cor alimenta a perspectiva ideal.
Não tem premonição, não tem previsão
Não tem final anunciado, a saudade.
Acabei hoje uma tela, que penduro
Num canto do quarto,
Onde só um feixe de luz natural
Ilumina os detalhes que só eu vejo.
Está ali, num canto inerte de vida,
Porque só a saudade resiste aos nadas.


16MAIO2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

O QUE TENHO DIREITO






Venho aqui,
Num instante.
Exercer o direito
De ter o direito de exercer.
Quero mais,
Quero muito mais.
Quero tudo,
Ou talvez, quase tudo.
Não quero partes,
Não quero metades.
Quero exercer o direito
A tudo o que tenho direito.
Pode ser esquerdo,
Se não servir no direito.
Só quero que sirva.
Se é de sola,
Se é de borracha,
Se é bom,
Se é uma merda,
Não quero saber.
Fui rápido.
Exerci o direito
De ter o direito de exercer.
Fiquei na mesma,
Como sempre!
Nem a direito,
Nem do avesso,
Nada serviu.
Nada serve,
Porque não tenho.
Não tenho o que tenho direito.
Neste instante,
Vou embora.
(Mas quero mais!)



10MAIO2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016

DIZER-ME




Diz Richter que,
"A arte é a forma mais próxima da esperança."
E diz muito bem!
Diz Magritte que,
"A arte evoca os mistérios sem os quais o mundo não existiria."
E diz muito bem!
Diz Leonardo que,
"A arte diz o indizível, exprime o inexprimível e traduz o intraduzível."
E diz muito bem!
Diz Van Gogh que,
"Prefiro morrer de paixão a morrer de tédio."
E diz muito bem!
E diz Jackson Pollock que,
"Eu não pinto a natureza, eu sou a natureza!"
E diz Monet que,
"Eu adoraria pintar como o pássaro canta."
E diz muito bem!
E diz Delacroix que,
"O que há de mais real para mim são as ilusões
que crio com a minha pintura. O resto são areias movediças."
E diz muito bem!
E digo Eu agora que,
Ao ver e sentir esta "gente" toda,
Sinto-me do tamanho de um átomo.
Um daqueles núcleos que me formam,
Que dizem e sentem o mesmo
De todos estes Universos superiores.
Tenho o meu Universo,
Mas o nascimento é inexistente.
O que amamos, o que sentimos;
O que criamos, o que dizemos.
Eu, adorava dizer tanta coisa
Que não digo.
Mas EU digo que,
A minha Arte é pouca,
Tenho a Arte de ouvir a Arte.
Pinto-me como sou, e serei;
O que nunca fui, e nunca serei.
E digo-me muito bem!



05MAIO2016


CASTELO DA ALMA





Pesam as pedras já soltas,
Em avolumar de nuvens 
Como alicerces compostos,
Que me pesam a alma vazia.
É a indecente ilusão 
Dos ramos remexidos pelo vento 
Onde me distraio no movimento 
De tantas sombras sem senso. 
Lá ao longe, o esvoaçar dos corvos, 
Quase um encontro com terra firme, 
Para poder escolher o passo certo 
De uma corrida desenfreada pelo Tempo. 
As pedras encaixam umas com as outras, 
Em abraços que as seguram sem grande mestria. 
Interessa sim o rigor quase garantido 
De uma beleza quase indiscritível 
Alimentada pelo grasnar de liberdade pura 
Sem contagem de habilitações próprias,
Senão a sensação inata não adquirida. 
Só a fúria do vento é imprecisa, 
Como carecem as tempestades de maior calma. 
É este o meu Castelo, 
Compulsivo de sobrancerias sem um valor real. 
É a fragilidade da construção que dita os pontos de fuga, 
Que as muralhas defendem até à exaustão. 
A alma está lá no topo, 
Como uma pena camuflada 
Que aproveita a boleia do voo dos corvos. 
É a inteligência liberta que voa, 
A liberdade feliz de uma alma quase perdida que se reconstrói 
Ao sabor da razão. 
As Muralhas Também Caem, 
Basta que as Almas partam, 
E o grasnar liberto dos corvos 
Os eleve no voo de uma liberdade contagiante. 
Este meu Castelo está tão forte como solto, 
As minhas muralhas são de nuvens. 


03AGOSTO2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

TODAS AS MARGENS






Aprender a viver,
Como quero.
Porquê o Sol?
Eu só sei que sim,
Que o calor é assim,
No corpo,
Pelo teu corpo.
Beleza e oceanos,
Rezas de encantos,
Sereias vibrantes
Naufrágios apetecidos.
Aprender a viver,
É como as nuvens,
Pigmentos e cores,
Raspados por Turner.
Encantos de mar,
Naufrágios de todos,
Tantos Eus...
Água infiltrada nos poros,
Sal que não cristaliza,
Pulmões de mar.
É o (a)mar
E as margens...
Todas as margens,
Que vão dar à vida.
Se é o Tempo
Que me surpreende,
As palavras rasgam
Toda a minha pele seca
De um calor intenso.
A ausência é (im)perfeita.
Eu sei o que é viver,
Afogo-me com a vida!



01MAIO2016

domingo, 1 de maio de 2016

TEMPUS FUGIT




Foges tu tempo,
De tempo a tempo,
De mim.
Sei dos segundos,
Que tilintam primeiro,
Sei dos minutos,
Que me atrasam o jeito;
Esta pressa desnecessária.
Só as horas me dão tempo,
Algum tempo.
De todo o Tempo,
Já não me chega o que quero.
Feliz sou, em privilégios
Conquistados no tempo.
No meu tempo,
Que corro para não perder.
Só tu és Tempo,
De todo um outro Tempo,
Que não me dá o necessário.
Não sei quanto demoras, ó Tempo,
Como te crias no Tempo.
Só sei o desperdicio.
Sim!
Pois sei, o tanto desperdicio,
Que é não pensar no Tempo.
Não te lamento!
Impossível fugir
Do Tempo!



01MAIO2016