terça-feira, 28 de julho de 2015

NOBILIDADE ABSOLUTA





É claro que há vários riscos,
Quando a construção não tem raiz.
Há um amofinar de termos,
Onde o receio da resposta é demasiado.
Liquescer o que penso,
É asseio desmedido de alguma coisa,
Que nem quero sentir o porquê.
Há limite na espera, na paciência,
Na genealogia da vontade.
Finalmente, acumulam-se desculpas,
Tal como os políticos que, da palavra
Seguem o caminho errado. A nódoa.
Preciso de nobilidade absoluta!
As núpcias, são posteriores
A qualquer noivado, real
E de génese amorosa.
E isso não existe aqui.
Há um perturbar constante
Da simplicidade mais básica.
Falo de básica, porque é difícil.
Desassossega-me o amotinar
De todas as palavras. As que devem
Ser ditas na perua da vida vulgar.
Não apelo à vulgaridade.
É um resultado da insanidade
Abalável por acrescento de sabedoria.
E procura-se! Procura-se o que se quer,
O que se não tem, O que se não quer.
Perpassar a monotonia do silêncio,
É uma forma essencial à acção.
Agir, é a provisão da vida,
São os mantimentos da fome,
As alegrias da decadência
Que se recusa a enraizar a inércia.
Fui proémio de uma tentativa vã,
sou posfácio da realidade pura.
O meu vaticínio, não é profano,
Nem sagrado, nem mundano.
Sou Eu, como todas as coisas.



28JULHO2015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

DESPERDÍCIO DO TEMPO





Desperdiçar o tempo!
Ponto!
O Tempo.
Já não o posso perder,
Porque passa tão rápido.
A única volta no Tempo,
É a chama da memória.
Também não posso...
Não posso desperdiçá-la.
Um dia, quando menos esperar,
Fica apenas o corpo.
Esse sei eu que vou perder.
Só falta saber quando e como,
Mas lá estará o Tempo,
Decidindo o Juiz e o condenado.
É assim o Tempo.
A vingança, se existe, é
A forma humana. Tão ínfima,
Nesta questão do Tempo.
Já não há Tempo para lamento,
Não há estimativa de nada,
Nem certeza de alguma coisa.
Há um tesouro. Talvez,
Escondido à minha frente,
Sem o conseguir ver.
É o Tempo que me goza.
Que se ri desembolado,
Como uma marrada de cornos,
Numa bestial pega sangrenta.
O corpo, básico processo
Em relação ao Tempo.
Complicada é a criação,
A relatividade do Universo.
Eu, não posso, nem quero,
Desperdiçar mais Tempo.



27JULHO2015


quarta-feira, 22 de julho de 2015

O CAMINHO






Sentir a estrada por dentro,
Como um caminho inteligente,
Desnudado de vida aparente,
Senão o cérebro das pedras.
Por isso falam.
Eu, eu tenho a certeza,
Da vida nas pedras.
São os actos que não entendemos,
A passividade da quietude,
A inércia elevada ao auge.
É a estrada que me confunde.
Os caminhos e encruzilhadas,
As opções do destino,
O tal destino que opto por seguir.
Sou eu que o escolho.
Escolho as estradas mais débeis,
A gravilha solta, esburacadas,
Sem aparência lustrosa. Nuas.
É esta a essência do momento.
Do momento presente,
O que vivo agora,
O que vocês vivem agora,
Porque a estrada é a mesma.
Independentemente da geografia.
Pormenores secundários, esses.
Avanço e recuo com frequência,
Porque a frequência da estrada,
São os humanos como eu,
Perdidos ou achados conscientemente,
Sempre à espera de uma palavra.
A palavra das pedras.
Da gravilha, do pó, da rocha,
Do mármore bonito e rude,
Tudo por polir, tudo em bruto.
Até os diamantes vegetam,
Sem polimento definido.
É assim que sinto a estrada,
Esta que tropeço amiúde,
Com um gozo imenso ao andar,
Sem correr, porque não tenho pressa,
Nem de chegar, nem de ficar.
Só quero andar, sem destino.
O tal, que escolho sem previsão.
Amo esta estrada, talvez velha,
Secundária, ou menos frequentada.
Só quero conversar  entre mim,
E a alma de todas as pedras.
São feitas de tudo e de nada.
São os pilares do mundo,
Com um coração próprio
Que os incautos não entendem.
Quero um caminho simples,
E caminhar,
Caminhar,
Caminhar...



22JULHO2015

domingo, 19 de julho de 2015

ASSIM COMO ESTOU




Assim como estou,
Não me sinto tão só.
Vou tentar aprender,
Todo o mistério da vida,
Aprender a ser feliz,
Muito mais ainda,
Que neste momento.
Hei-de-te amar assim.
Assim como estou,
Nu, por dentro e, por fora,
Sem qualquer som,
Sem ruídos incómodos,
Sem batidas desnecessárias.
O som, está no peito,
Escondido do Mundo,
Nas batidas imperfeitas,
Sem som. É assim!
E assim lembro-me de ti.
Basta o teu sorriso,
Uma fotografia,
Aquelas simples frases,
Que acabas de escrever.
Pensar, é uma linguagem,
Não associada às emoções.
É acrescentar volume,
Um crescendo de ar,
Encher o peito vazio,
Um sabor húmido,
Na secura do deserto.
Assim como estou,
Apaixono-me fácilmente,
E tu, és tão culpada!
Se do pouco,
Me fazes sorrir,
Basta pensar,
Basta escrever e,
Junto as emoções.
Sinto-me tão bem,
Assim como estou!


19JULHO2015



sábado, 18 de julho de 2015

SÃO PALAVRAS!






Há um terno embalar nas palavras.
Depende do ritmo, se o tem,
Se o querem, se quero que tenha.
Mas embalam a azia da Alma.
Acalmam ou derrubam muralhas,
Constroem-nas até, subtis,
Infecciosas, acutilantes...
Mas são ternas. São mesmo ternas!
Só a posição que lhes damos,
Os contextos que criamos,
Fazem delas prolongamento,
Tão soez como elevadas.
Sinto as mensagens disfarçadas,
Porque é essa a função difícil,
Que escolhe o prazer em lê-las.
São os símbolos que não ligamos,
Que usamos para criticar outros,
Tantos outros símbolos estranhos.
Estranho é o que não entendo,
O que não sei, agora, depois,
A eternidade do desconhecido,
E por isso vivo, com as palavras.
É amor intenso, com dor intensa,
Que me alivia a disfunção da vida.
É impertinente a poesia,
Não só por ser (por vezes) pia,
Mas porque só vive das palavras.
E amo esta forma de falar do amor.
Porque fica eterno, escrito
simbolizado por formas de escrita,
formas de letra, formas de gente,
Em forma de nada, só assim...
Escrevo por escrever. E amo,
Amo o que escrevo, mesmo o pouco
Quando amo o que não quero amar.
É difícil escrever assim,
Misturando o simples símbolo,
Pela simbologia do significado.
São palavras, meu Deus,
São palavras!


17JULHO2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

FONTE






Destemida corre na fonte,
Toda a alma da água corrente.
Será fresca, será quente?
É pura como a gente,
Que debruça a sede da mente,
Embebedando o ventre vazio.
Só os pássaros resmungam,
No medo do silêncio de um pio,
Esvoaçam e voltam sem tempo,
Porque a sede é mais forte que cio.
O som, é leve como uma pena,
Não de ave, mas cristalina
Como se encarrega frequente
A vontade de a ver seguir fina.
Só a fonte tem mestria falsa,
Por encerrar a liberdade do riacho,
Só o homem sabe o valor,
De todas as margens libertinas,
Quando a correnteza se cansa,
E pára num charco incolor,
Onde ondulam ondas como valsas,
Que toco com os dedos em concha,
E acabo por saciar todo o sabor,
De beber a liberdade cristalina.
Não há gárgulas nos beirais,
Nem conventos ou mosteiros,
Que embalem as formas reais,
De sentir um ribeiro sem bolina.
O sabor é intenso, por raízes e rebentos,
Que lhe adem a pureza divina.
Só esta água me abençoa,
Não apenas por ser simples,
Mas por saber que é boa,
E que os rios nascem livres.


17JULHO2015

quinta-feira, 16 de julho de 2015

REINO MORIBUNDO




O perigo do Mundo está comigo,
O meu Mundo, o meu Reino.
Dentro desta cabeça atormentada,
Desatinada, mas sem perda de tino.
A população empobrece a olhos cegos,
Porque os que vêm imitam a cegueira.
Pior, é a idade dos sábios, os idosos,
Que mesmo incultos, aculturam
Muito mais que muito iluminado.
A precaridade do meu querido povo,
Deixa-me prematuramente envelhecido.
Ai Afonso Henriques, reencarna por favor!
Renasce das trevas onde rebolas,
Num pesadelo mórbido com esta realidade.
Trás o sabre da conquista e esquarteja,
Decepa e mata toda esta corja.
Mudou o século, com o retorno da infâmia.
Doi-me este povo, entristece o meu Tejo,
Que enche de lágrimas escondidas,
E cresce com o acumular de corpos,
Que saltam no desespero insuportável.
Ó Reino meu, retalhado a foices rombas,
Colheita de sangue forte,
Infectado por pulhice eleita e refeita.
Dói-me o abismo e o retorno dos passos,
O andar para trás com o adiar da queda.
O limite já transborda de espuma raivosa,
Como presa roubada a lobos, os bons lobos,
O povo que sobrevive de pedaços de nada.
Admiro o meu povo! Ó Deus como admiro,
A submissão apaixonada dos vazios estômagos.
Acabem com o rebombar dos bombos.
Finem a Pompa e Circunstância dos ladrões.
Deixam cheirar o Tejo à água pura e limpa,
Que conquistámos com o orgulho nacionalista.
Por favor, revoltem-se! Punam os pulhas.
Renasce meu Reino.
Renasce!!!!!!!!!


16JULHO2015

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O TESÃO






Interromper um sonho,
É uma fase desesperante,
Quando a finalidade,
Também desconhecida,
Se transforma em pesadelo.
Prefiro acordar com o calor
De um tesão incrível.
É! é isso.
É mesmo isso que leram.
O tesão.
É bom o tesão.
Enquanto houver, usá-lo.
Acredito que há por aí,
Uns olhos esbugalhados,
Com a incredibilidade,
De quem não acredita
No que acabo de escrever.
É bom o tesão.
Faz parte.
Vergonha? Não!!!!
É uma forma de felicidade,
Corporalmente falando.
É o orgasmo. Claro.
O orgasmo é a felicidade,
Da vossa vergonha.
Hoje, não é apenas hoje,
Nem porque me apetece.
Acordo neste estado
Todos os dias e, é por isso
(Acreditem) que acordar,
É o melhor momento da manhã.
Hoje deu-me para isto,
Amanhã recomeça o "drama".
Um viva ao Tesão!


15JULHO2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

A DOR DA VERDADE




Podia começar o dia de madrugada.
Não tenho hora, não sou certo sequer nisso.
O meu corpo é apenas uma forma,
O meu estado interno, não é certo,
Recusa-se a seguir o Tempo.
É mau para o corpo, é evidente,
Mas é extraordinário para a Alma.
Acordo no meio de sonhos,
Especialmente quando se repetem,
O que me garante uma futura sensação.
O "deja vu" é frequente.
A sensação, ainda não sei categorizar.
Sorrio por vezes, mas outras recolho,
A receios que não quero ver concretizados.
Tudo acontece comigo. Como o Mundo.
Tudo acontece sem nexo, tantas vezes.
A páginas tantas, Ser Humano, é isto.
Não compreender o que somos,
Saber o que somos, mas não entender,
As reacções díspares da hipocrisia,
Muito menos a consciência da crueldade.
Quando falo em crueldade,
É uma dor estranha,
Que se entranha no corpo e na Alma,
Porque é infligida, sem dó nem piedade.
E eles sabem! Todos eles sabem!
Os carrascos da miséria Humana.
O que me dói, é pensar que,
Nascemos todos iguais,
Sem saber de cor de peles,
Sem saber de religiões,
Sem saber de classes sociais,
Sem saber de castas e escravidão.
O Tempo é impuro.
Mas deixa pureza,
Ao acrescentar a idade.
Só por isto, tudo isto,
Não me faz diferença, senão ao corpo,
Acordar ou adormecer a qualquer altura.
Acordado ando sempre, a mente é dura,
Não perdoa a indiferença da injustiça,
Nem me deixa viver normalmente,
Sem que sinta a dor da verdade.


14JULHO2015


domingo, 12 de julho de 2015

FESTEJAR A VIDA




Vou festejar a vossa existência.
A minha, é um serviço meu,
Que festejo sempre ao acordar.
Não é serviço religioso,
Nem tão pouco público.
Quem sou eu, para isso!
Mas festejo. Idolatro
A capacidade de ser feliz.
Podia ser mais,
Podia ser menos.
Dou-me bem com o Eu,
Que me alimenta a Alma,
Esta, a tal Alma,
Que é difícil de entender.
Paciência!
Paciência, por desdém,
Paciência por imposição.
Festejo a vossa vida,
O vosso sorriso,
O afecto que sai sóbrio,
Sem preconceito de mostrar.
A vossa existência, é a minha.
Não é possível reduzir o Mundo,
Apenas se torna mais apertado,
E só por isso, há que festejar.
Na vida e na morte,
Na alegria e na tristeza,
Na conquista e na derrota.
Venham festejar a vida.
Hoje mal, amanhã bem,
Mas festejem, respirem fundo.
Esperneiem e abanem o corpo,
Em movimentos surreais,
Com gesticulação excêntrica,
Como numa escola de actores.
A vida é isso. Actuar num palco,
Onde todos aplaudem e ninguém liga.
Estamos por isso, na hora certa.
Sem pedir nada em troca,
Vou festejar a vossa existência.


12JULHO2015


PARAR O AMOR






Tenho esta inevitável estupidez,
De te querer bem,
Sabendo eu perfeitamente,
Da indiferença que te corrói.
É como beijar uma boca dormente,
Um vulto disfarçado na sombra,
Sem sabor, e a sangue frio.
O sangue é quente,
Se a boca fosse ardente,
Já tu serias certamente,
A minha sede saciada.
Mas há, apenas nada.
Nenhuma surpresa.
Previsibilidade acumulada,
Que já não me diz nada.
O sentimento que tenho,
É de pena, um beijo seco,
Sem motivo emotivo,
Apenas, um beijo sem alma.
Neste frio desamor te sinto,
Na profundeza do orgulho,
Que te conquista a felicidade.
Falo contigo. Sim, falo contigo!
Não sei quem és, mas falo contigo.
Deixa-me matar a fome,
Começando num abraço,
Os meus olhos, têm fome dos teus,
A minha boca, sede da tua,
O meu corpo, o desejo louco do teu.
É engraçado olhar o espelho,
Ver-me reflectido, num sorriso,
E pensar que escrevo estas coisas,
Já tão perdidas como o passado.
Mas amo.
Não sei parar o amor.

12JULHO2015

HOJE É DOMINGO




Hoje é Domingo.

Dia de passeio no parque,
À beira mar. No campo.
No parque, falo com as pedras,
Que se soltam no caminho,
Que saltam de alegria,
Por um pouco de conversa.
À beira-mar, oiço as ondas,
Admiro os mastros dos veleiros,
Sinto o vento que voa solitário.
Sinto os meus anseios.
O cheiro do mar, tem magia,
Como um qualquer rosto,
Sorrindo por tudo e por nada.
No campo, é vibrante o murmúrio.
São as ramagens os braços
De um corpo enrugado,
Que o tempo se encarrega
No triunfo da beleza do crescimento.
Sinto-me verde, perfumado
Como relva recém aparada e,
Apetece-me tocar um pouco de tudo.
Apetece-me sempre subir mais alto!
Este mundo, não conhece vivalma,
É intangível, como quase o sou.
É num Domingo como hoje,
Que me apetece ser e, sentir assim.
Há luz na minha Alma.


12JULHO2015

sábado, 11 de julho de 2015

SONHAR A RAZÃO





Acordar a meio da noite,
Já não é martírio nem agonia.
É cada vez mais um hábito,
Até porque acordo, não só
Por acordar, mas no meio
De um sonho demasiado activo.
Pesadelos,
Também acontecem, às vezes.
Há os que me perseguem;
Um hábito de muito jovem.
Tudo se transforma num filme.
O acordar, é como um estúdio,
O set, que me abstrai da realidade,
O focar da visão, como o zoom da câmara,
O "corta" constante, que faz e refaz,
O reorganizar da perda dos factos.
"Action", um estrangeirismo giro,
Que recomeça o enredo do sonho.
Mas tem de ser rápido!
Muito mais rápido que a fantasia, ou
Corro o perigo de perder a razão.
No fundo, pensando bem,
Não perderia muita coisa, se a perdesse.
A razão tem uma luta de morte comigo,
É o único ódio que odeio, o ter razão.
Não é chauvinismo, não é teimosia,
Mas a "in"felicidade de acertar amiúde.
Será o mal dos meus pecados,
Os que cometo por inocência,
Os que procuro por exaustão,
São a dividendo negativo da razão.
Sei lá ?!
Será que tenho razão?
Não quero pensar nisso,
Até porque depois,
Sei que sim.


11JULHO2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

SIMPLESMENTE COMPLICADO




Tens de saber, que sou assim!
Tenho estes dias descomplicados.
Mas há os outros.
Não os conto, nem numero,
Apenas existem por existir.
Um pouco como eu, às vezes.
Esta contradição constante,
Porque não existo por existir,
Apenas existo fora de mim,
Com aparente inexistência.
Sou complicado, eu sei.
Mas também sei que o não sou.
É o meu dilema e paradoxo,
Com este vício alucinante,
De me alucinar com tantas coisas.
As mais pequenas coisas.
As coisas mais simples.
Tudo o que possas imaginar.
O que eu sei mesmo, é ser Eu.
Mais ninguém me imita,
Não há talento para me copiar,
Só a Alma e a loucura controlada.
De resto, tomara eu imitar.
Mas fujo da futilidade,
Tanto e porque me fascina,
A importância da simplicidade.
Mas a verdadeira, a que se divide,
Que se compartilha com o poder de dar.
Dar tudo o que tenho.
O medo, a coragem,
A fartura, a necessidade...
Tenho tudo de sobra!
Para mim, basta-me pouco.
Umas letras aqui, outras ali,
Pilhas de livros que,
Não sei sequer, irei ler;
Até porque em mim,
Olhá-los, já é alimento.
Já sabes como sou.
Com este curso rápido,
Informei-te da minha futilidade.
Sei que como sempre,
Compliquei, porque gosto!
Gosto de complicar um pouco,
Não gosto da normalidade e,
Fujo às regras e bom senso comuns.
Sempre que posso!
Sempre que posso!
Nem sempre.
Talvez te agrade, saber e ler,
Esta pequena folha de mim.
Uma história sem estória.
Apenas Eu.
Simplesmente complicado.


10JULHO2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

COMUNICAR COMIGO




Comuniquei com um possível destino,
Quase em antecipação a um futuro "deja vu".
Eu sei que há contradições paradoxais,
Com envolvência debilitada da verdade.
É essa verdade que classifico amiúde,
Com o acesso à observação dos comportamentos.
É fantástico ver as imensas formas de sorriso.
A expressão corporal é, além da arte,
A mais fácil leitura do comportamento,
E o que me deixa mais apreensivo,
São as atitudes menos impensadas,
A previsão dos resultados fabricados,
Que nada engrandecem a alegria da vida.
Há-os sim, quando o projecto é de "dar".
Apenas temo a realidade que vai crescendo,
Como o degelo do Mundo, e o afogar da espécie.
Essa realidade é a falsidade da imagem,
É a deterioração da qualidade de vida,
O abuso cresce e aparece como erva daninha,
Sem químico que o extermine. Deixar andar...
Quando comunico assim comigo,
O monólogo que se torna diálogo íntimo,
Acaba numa discussão frustrante e frágil,
Porque me torno mais débil com a dor,
Enfraqueço com a doença que se espalha
Pelos fracos indefesos, com a cura que existe,
Com o sadismo e deterioração precoce
De todos os seres vivos, impotentes à própria vida.
Bem vistas as coisas, há antídotos suficientes.
Mal vistas as coisas, há uma desumanidade inerente.
Comunicar comigo, é esta interna e eterna ansiedade,
Que me absorve a massa cinzenta e me extingue a Alma.


09JULHO2015

segunda-feira, 6 de julho de 2015

UM PASSEIO II


Um passeio.
As cabeças,
Os ombros.
Milhares de ombros.
Homens,
Homens,
Almas,
Almas,
Horas e,
Horários.
Ninguém liga.
Ninguém olha,
Com olhos de ver.
Ninguém sente,
Senão o tempo,
O atraso no tempo.
Fui criança.
Sujei,
Toquei,
Arranhei a pele.
E não ligava.
Sentia, sorria,
Sem tempo.
Sem ligar ao tempo.
A multidão, complica
A minha inteligência.
Até porque gosto.
Paradoxos meus
Do tempo.
O comportamento,
Homogéneo, ou quase...
Cada vez mais gente e,
Menos humanos.
Sobra o lar.
Ainda sobra a chave,
Abrir a porta,
Entrar noutro mundo,
Dentro do mundo.
Recolher,
Ler e escrever,
Até adormecer.
E...
Ao chegar a madrugada,
Recomeçar.


06JULHO2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

AM(AR)TE






Acordei com um arrepio no corpo,
Que me transporta até ao teu.
Senti as cores de um Miró,
Que ontem me apaixonou,
Bons e longos minutos.
Amar, é uma obra de arte,
Manter o amor, é uma obra prima.
Fazer amor, é pintar a vida
Com o teu corpo como tela,
Cada beijo e toque,
São misturas de cores.
O simbolismo que pinto,
É selado por momentos eternos,
Com o prazer imediato, em ti.
És terna, eu sei.
És meiga, eu sei.
Mas tudo o que nos envolve,
É um abraço cheio de silêncios,
Cortados por sons do corpo,
E um ritmo que me absorve.
É difícil ficar de mãos vazias,
Apalpar um corpo imaginário,
Que só os olhos dão vida,
Quando os fecho.
Ver-te é sair do Mundo,
Nem que seja por um segundo,
Que dura uma eternidade.
Falar aqui comigo,
Traz-me um pouco de abrigo,
Contra a tempestade que está em mim.
Queria estalar os dedos,
Mudar um pouco a vida,
Sem riquezas necessárias.
Se me dói a Alma,
É um pouco de tortura inevitável,
Só por existir uma razão concreta.
És a minha boa dor, e dói-me.


04JULHO2015