segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O BEIJO




Como eu gosto do beijo!
Tudo o resto é complemento.
O beijo é limiar de sensações,
no infinito prazer do corpo.
Os lábios, são portal de desejo.
Os lábios, abrem todas portas,
as fáceis, as tímidas, as inibídas.
Sensibilidade e erotismo, o simples
descontrolo, controlado por um beijo.
Nem sempre se comunica por palavras.
Beijar, é um canto sem frases,
um poço iniciático de prazer,
que a minha boca transforma em arte fina.
Amante, o beijo, entra no outro corpo,
onde todas as estribeiras se perdem,
onde o sagrado vira profano.
Apenas e só, com o poder de um beijo.
E eu beijo, todo o corpo nu.
Todos os poros, todos os vales
onde as águas rojam das fontes,
que me saciam toda a sede e,
eu bebo sem qualquer freio.
O amor, a carne, o sexo,
refina o prazer na experiência do beijo.
E eu beijo, e beijo, e beijo...
Meu Deus, como eu gosto do beijo!

30DEZEMBRO2013

EUFORIA DA MISÉRIA




Acredito que tudo faça sentido.
Acredito que sim!
Tudo depende da perspectiva.
Mas sim. Posso dizer que entendo,
isto ou aquilo faz sentido.
Tudo é movido pelo destino. Nada!
Viver é um fingimento!
Viver é um conjunto
de coisas com sentido,

de coisas sem sentido.
Tudo passa pela euforia da miséria.
Euforia da miséria. É o ponto
onde a adrenalina me assalta.
Tudo o que circula na derme,
abana-
me a ânsia e a calma. 
Toda a adrenalina compete, comigo,
a cada momento real que chega,
sempre que me apercebo da hipocrisia
(dos outros).
Há tantas formas de acreditar,

que a euforia só faz sentido.
Talvez seja isso o "fazer sentido".

O fazer, o sentido, o sentir,
sentir o que é feito.
Será lógica a cumplicidade,
a partilha, ou a falta de vontade.
Talvez falte sentimento,
talvez tanta coisa, já inerte,
que faz todo o sentido ignorar.
Comigo, pouca coisa faz sentido,
se o avaliar a partir da minha lógica.
Há um vazio que faz todo o sentido.
Aborrece-me a distância.
Entre mim e o cosmos, tudo sem sentido.
Tudo porque levantando a mão aos céus,
a perspectiva é estar tão perto. 

Puder agarrar o Sol. Fácilmente.
Puder mover as núvens, girar a mão e
criar remoinhos de vento.
Pará-los de um sopro.
Tudo faz sentido na existência.
Tudo depende da perspectiva.
Tudo depende de mim.
De toda a minha euforia,

de toda a minha miséria.


30DEZEMBRO2013

domingo, 29 de dezembro de 2013

GERIR O SILÊNCIO




Não é novidade o silêncio!
Todo o tempo recorre ao dito.
Indignidade de um santo?
Poder ambíguo do vazio?
Não!

Gerir o passar dos dias!
Por imposição de uma vida,
Tudo tem uma saída.

Basta bom senso!
As causas perdidas,
transformadas em letras.
Misturar quanto baste.

Apenas sai,
sai o que penso,
sai o que sinto!

Se fico equidistante da fala,
será tentativa inútil de atenção?
Será que me disfarço e fecho,
numa energia translúcida, numa nesga,
tão corrosiva como a profundidade da vala?
Não!

A morte persegue-me em vão.
Não a quero, nem desespero.

Nem tudo é dito quando se fala,
nem tudo se esconde,
nem quando se cala!

Se sair por aí, ébrio de ar,
será oxigenada a calma.
Um passo em cada passo, que passo,
há um chicote de vida que me remexe a alma.
A alma não tem pele, mas sangra!

Não é novidade o silêncio!
Não!

Nada me tortura mais que a palavra,
especialmente a que não é dita,
e é só na ausência, que pode ser descrita.
A saudade, é tão indelével.
Mais alegre se sente uma escrava!

Uma postura de nada, é pio,
neste mundo execrável,
que me arranha compulsivamente
com desprezo. É cobarde silêncio!
Sim!

Nada neste mundo pára,
nem de consternação maldita,
nem um pouco de nada ainda,
bem mais importante que a fala.
Quando tudo me cala, a palavra está dita.
Sim!

Algo me obriga,
por enquanto,
a gerir o silêncio?

Sim!



29DEZEMBRO2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O CIRCO DA VIDA




Vivo num espaço pequeno,
não micro cósmico que o é,
apenas a minha micro importância.
A desilusão abana-me a mente,
tempos a tempos já sem surpresa,
para manter o meu mundo acordado.
Há sonhos que já não procuro.
Há realidades por demais evidentes.
O que me circunda, apenas circula,
desisto da esperança? Nunca!
Toda a minha felicidade é simples.
Toda a minha felicidade tem um rumo,
além dos rumos individuais que lhe dou,
atinjo esses pontos altos, que direciono.
Limito-me à natural insignificância,
que finaliza por isso, a minha entrega.
Quando aprendo  o rumo,
torna-se tardio o retorno, já não regresso!
Poucos casos existem que tento.
Vivo neste meu pequeno espaço,
Ego e Alma que apenas eu entendo.
Sem lamúrias estúpidas, existo
com um qualquer propósito que decido.
Mas decido! Torno-me diferente,
pela rotina da minha própria história.
A desilusão, já não surpreende.
Visto-a como peça de roupa,
que troco quando amarrotada.
Peça após peça, peça após peça...
Ser feliz é inevitável, é um hábito,
que divido por pequenas fases,
por pequenas coisas diferentes,
pequenos gestos, amor insistente,
um pensamento, um sorriso,
qualquer coisa simples que sinta,
que preencha o espaço que esvazia.
Desisto de querer alguma coisa,
quando chegou a hora inevitável
de não ter mais nada para dar!
O circo da vida, sem bastidores,
traz o aparente prazer do sorriso.
Tanta mentira nas pessoas,
Uma vida de cosmética circense.

26DEZEMBRO2013

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ARREFEÇO NO NATAL



Arrefeço no Natal.
Talvez por ver tanto calor,
nos outros, mas não em mim.
Sorrio quando vejo outro,
de uma criança feliz,
nem que seja por um dia.
Toda a minha história,
inventa Natais felizes.
Só as crianças me transformam,
me encantam e, fico feliz.
Se enquadrasse o Natal,
seria frio como o tempo,
com esta vontade urgente,
de que passe depressa.
Sinto inseguro o Natal.
Não por negativismo,
apenas por os outros tantos,
que só lhe sentem o cheiro.
Olhar para os outros, sorrindo,
será ingrato e deslocado,
quando as faces estão rijas,
tão sinceras como a falsidade,
mas sem movimento indicador,
de uma qualquer felicidade.
Mas cantemos a dias melhores,
com ou sem poemas, a magia,
com ou sem música, a alegria,
mas cantemos à razão da vida.
Um beijo, um abraço, talvez
esses, a diferença e confiança.
Espero por ambos, indiferente e,
sozinho como todos os Natais.
Sorrio e imagino, "estrelas"
quando os olhos se fecham,
porque sei onde algures reina,
o brilho da felicidade!
Por aqui, está frio...


24DEZEMBRO2013

domingo, 22 de dezembro de 2013

QUANDO ME SINTO ASSIM...



Às vezes não sei o que sinto!
Isto não é uma lamúria,
deixem-se de mérdas de auto intelecto.
São tantas as dúvidas que tenho,
é tão pouco o meu tempo de vida.
O que me frustra é a limitação.
Tudo o que não depende de mim,
além do limite do corpo,
para além do limite do mundo,
como Dali mostrou,
fugindo da crosta do mundo,
assim eu me sinto.
A carne apodrece, é inevitável.
A Alma, persiste além do tempo
apesar de todas as minhas dúvidas
que continuo a ter e nunca saberei.
Quem responde a esta dúvida?
Quem? Nem Deus que o devia saber.
Tudo o que foi arquitectado se altera,
a desilusão da inteligência,
é tudo o que me ultrapassa,
sem qualquer controlo possível.
Até mesmo o que criamos,
adiamos porque o perdemos um dia.
Proporcionalmente, tudo se torna cruel.
Não poder estar com quem amo,
não poder ouvir quem quero,
não poder interagir com os mestres.
Às vezes não sei o que sinto!
Quando me sinto assim,
nada tem qualquer razão de ser.
Nem eu, que só por aqui passo!

22DEZEMBRO2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

TRANSPARÊNCIAS



A transparência ultrapassa-me
seguindo uma direcção.
Isto faz-me pensar. Será essa coisa,
o ultrapassar inocente dos limites?
Talvez seja uma fronteira. Um teste
que violo, sem saber como, nem porquê.
As horas, o tempo, têm uma cadência
infernalmente monótona. Previsível.
A transparência, é algo inesperado,
que torna agradável atravessá-la.
As palavras, são quase sempre transparentes,
especialmente sarcásticas, metafóricas
ou até mesmo irónias. E gosto!
Mas transparente, é tanta coisa.
O vidro que é frágil e quebra,
o ar que é invísivel e respiro,
as almas que não vejo mas sinto.
Pessoas são as que menos entendo!
Prefiro a transparência do sonho,
tenho a dúvida do "dejá vu",
o suor da alma hiperactiva,
tudo, tudo enquanto o corpo dorme.
Ultrapassar motivos que não conheço,
com histórias que afinal não invento,
sempre voando para um mundo paralelo.
Depois outro, depois outro,
ainda  mais outro, e ainda mais outro.
São tantos os meus mundos.
Viajando nessa transparência,
toco sempre a felicidade.
A transparência não me trava.
Serão portais, gelatinosos e turvos,
apenas ao toque que não sinto, e avanço.
As cores são reais, apenas alteradas
pela lógica de todo o real, o outro...
Meu Deus,
Sem blasfémias,
tendo eu o poder de escolha,
obviamente, optaria pelo outro lado!


20DEZEMBRO2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

NATALÍCIO




Perdi-me na essência do Natal.
Há muito que o não gozo,
mantenho o respeito simbólico.
Apenas as crianças me fazem sorrir,
são únicos os momentos de real felicidade
que o abrir de uma prenda consegue.
Consumismo antecipado, mas bom!
Não critico o empolgar das pessoas,
lamentando no fim apenas uma data.
Faz falta a fé, faz parte da humanidade.
Faltam-me as pessoas perto de mim.
Falta-me a alegria da presnça,
falta-me o toque e um olhar.
Como tantas outras vezes,
convivo aqui, feliz por uma folha,
conversando com um pouco de tinta.
Assalta-me a saudade,
com a violência do vazio.
A família passou a ser das palavras,
está aqui, cada vez mais perto de mim.
Este é o meu cheiro,
o meu sorriso e o meu toque.
Esta é a essência adquirida,
de todos os meus Natais.

18DEZEMBRO2013

O MEU CAMINHO




O meu caminho é abstrato.
As minhas certezas, não sei.
Prefiro andar descalço,
Onde a areia me beije os pés,
Onde o mar me chame o corpo.
Todos os caminhos são dúbios,
Biforcados, estranhos,
escolhidos, quentes, bons,
frios e cruéis. Mas vou...
Porque nem todos são assim.
Os passos, podem ser simples,
Fáceis e dissimulados na areia,
Numa braçada, num passo, num beijo.
A areia que me atrai é que me mata.
O meu caminho é tão imprevisível.
Estar aqui hoje não é Bula,
Certeza de absolutamente nada.
Hoje, estou aqui, assim.
Amanhã, estarei onde estiver,
Sem certezas ou dores por gozar.
Livre, solto, feliz por andar.
A manutenção do meu caminho,
Serve apenas para manter a verticalidade.
De resto, tudo é abstrato e organizado,
Onde tudo se une como peças de puzzle,
Onde o caos é apenas ordem,
Que ontem odiei e hoje admiro.
O meu caminho,
é estar aqui!

18DEZEMBRO2013

TODAS AS MEMÓRIAS



Hoje é dia de lembranças.
Até porque a nostalgia,
nem sempre presente,
tem rasgos desta fartura assumida.
Apesar de tudo rio-me da vida,
sem escánio nem hipócrisia,
apenas porque a amo, sem demasia.
Amo-a em espaços concretos,
além de um imaginário frequente,
em lugares comuns e definidos.
Não condeno a imposição de estar vivo.
Nasci por alguma razão,
talvez temporária,
talvez irreversivel,
sem saber qual a finalidade.
Por isso me lembro de todas as memórias,
acumuladas, em crescimento e maturação.
Sinceramente, quando paro e penso,
deixo de me preocupar com resultados.
Nasci, sem ser interrogado,
sem me pedirem qualquer opinião.
Quase me sinto abusado!
Voluntário, sem opção de escolha.
Toda a minha memória me atraiçoa.
Todas as conclusões são subjectivas,
mais e, mais, por cada vez mais que pense.
As lembranças são necessárias, eu sei.
Regulam a imaturidade e falta de senso.
Lembro-me de coisas boas,
de pessoas insubstituiveis e,
imensa saudade de tudo, ou quase tudo.
Toda esta vida é curta e incerta.
As lembranças e memórias,
são o depósito de combustível
que me move até que a exaustão me traia.
Apesar de toda a memória, ´
há um espaço imenso, um vazio enorme.
Lembrar-me de todas as coisas,
é escrever uma enciclopédia itinerante,
em tomos desproporcionados,
onde sinto falta de valores reais,
onde sinto a lembrança fútil,
realidade que já não sei se existe.
Amo a vida!
De todas as formas,
com todos os conteúdos
que me façam sentir feliz.

18DEZEMBRO2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

TUDO O QUE TENHO




Hoje chove.
Há cor cinza no céu.
Não há tristeza.
Talvez um dia diferente
Regando consciências.
Realmente é interessante,
A diversidade sensorial.
Pensar na diferença.
O bom e o mau,
O frio e o calor,
A fome e a fartura.

Hoje choveu.
Se fossem lágrimas,
Não veria a diferença.
Alegria ou tristeza.
Orgulho ou desilusão.
Apenas chuva.
Apenas senti a cadência,
Um ritmo que me acalma,
Com um quê de mistério,

Hoje choverá.
O tempo que não se conta,
As horas que não param,
Mas o outro tempo.
O tempo que me atrai,
O mesmo que me afasta.
O escuro, se for ovazio,
Já não me tormenta.
Faz-me pensar.
São formas de vida.

Se ainda chover,
Estarei por aqui,
Sózinho, como gosto,
Ouvirei o som da chuva,
Embalado nesta inércia.
São só palavras,
Tudo o que tenho!

15DEZEMBRO2013


sábado, 14 de dezembro de 2013

PORTUGAL FRÁGIL




Transtorna-me ver tanta redoma.
São de vidros frágeis,
vidros fuscos, martelados,
mesmo até sem vidro algum.
Todas as estruturas generalizaram
uma fraqueza assustadora.
Fracas terão de ser as redomas,
porque as estruturas não aguentam.
Mas lá por dentro,
no espaço da esperança,
reina um mundo diferente.
Vivem um dia por dia,
sem ligar ao poder da estrutura
que aos poucos se abate.
Vivem por viver,
nunca olham para cima
com medo que o Sol os castigue.
Sabe bem sentir o calor no corpo,
sem saber como nem porquê.
Assim se coleccionam vidas,
culturas e gentes subjugadas
sem reacção nenhuma à própria dor.
Passeando por este mapa,
vejo lugares embutidos em panteões
vulgarizados pela perda de identidade.
Vejo tudo o que condeno,
não encontro nada que se ajuste.
As sobras são "best sellers"
no mercado da sobrevivência.
Não se reage a nada.
A dor institucionalizou-se.
A submissão tornou-se vulgar.
O amanhã virou "tabu".
Custa-me andar na rua,
cercado por tanta redoma.
Fora de casa, cresceram telhados
todos de vidro velho e rachado
que se partem a todo o momento.
Ficam as ruínas dos castelos,
única memória de carisma irreverente.
Fica a história que já não se faz,
senão por folhas que arderão rapidamente.
Neste momento, pouco ou nada existe
muito menos orgulho por ser diferente.
Mas fica a minha gente,
fica um Portugal que se vende,
um Sol que os deuses nos deram
e serve ainda como única esperança.
Fácil seria sermos conquistados,
por inércia de defesa própria
por incompetência desleal e assídua.
Morrem as pessoas,
fica um país desgovernado,
sem governo que se veja.
Mas...
Apesar de tudo,
ser Português é ser maior!

14DEZEMBRO2013


PRECISO PARTIR DAQUI




Precisei um dia, de respirar,
talvez mais que deveria.
Uma sensação grogue
que adorei e, me deixou a
caminhar de forma estranha.
Num outro mundo, perto,
disforme, paralelo e pouco rígido,
cheio de personalidades inanimadas que,
apesar de tudo se movimentam, ali...
Talvez alucine sem o saber.
Talvez ultrapasse este mundo,
de vez em quando, por uns segundos.
Cada segundo, preenche o meu tempo.
O meu tempo real transforma-se,
numa medição cronométrica do sonho.
Segundos que se tornam dias.
Envelheço devagar, assim.
O pior de tudo, é que não quero acordar.
Se é que isso seja negativo, quero envelhecer.
Trocar de boa vontade o sentido da vida.
Viver dentro dos sonhos,
sonhar dentro da vida.
Misturar-me em mim mesmo,
como quem mistura um cocktail de álcool,
com mérdas tão mortíferas, que me fazem sentir bem.
Cores, sabores e sentidos diferentes...
Tudo sem um respirar básico, tudo diferente.
Respirar é uma perda de tempo,
apenas alimenta o compasso mecânico,
onde todas as peças do meu corpo,
se sentem bem só pelo movimento.
Sei que sou uma invenção evoluída
a um exponencial incrível, louco,
mas acima de tudo, ainda desconhecido.
Respirar para quê?
Perder o meu tempo sem razão aparente.
Preciso descansar todo o corpo mecânico e,
preciso partir, para onde o tempo não existe.

14DEZEMBRO2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

AMAR A VIDA




O cheiro da água.
A madrugada.
Caruma seca.
Raiar do dia.
Aquecer do corpo.
Acordar a alma.

Histórias por contar,
Que me lembro,
Que me esqueci,
O meu redor.

Se saio do medo,
Rezo por vida,
De toque de ombro,
Em toque de ombro,
Misturado na multidão.

Acordar do Ego,
Com pequenas frases.
Com pequenas coisas.
Com cheiros de vida.

Estar perdido,
Nos cheiros,
Nos toques de pele.
Ao fechar os olhos,
Ao Inalar, ao sentir,
Ao encontrar-me.

Abrir as mãos,
Sentir o mundo.
Tocar o horizonte.
Ouvir a música.
Amar a vida.

Tocar.
Sentir.
Sonhar.
Provar.

E devagar,
Amar a vida!

13DEZEMBRO2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

APENAS EU




Parei,
Por um pouco.

Um espelho,
Nevoeiro denso.
A silhueta,
Sendo eu,
É desfocada,
Insignificante.
Ressurge,
Paralela a um nada.

Parei,
Por um momento.

Repeti
Um episódio.
Uma pitada,
Um mistério.
Um sorriso.
Submisso
A uma realidade.

Parei
Neste canto do tempo.
Um soalho que range,
Um quarto vazio.
Apenas um espelho,
Uma névoa espessa.

Um sonho estranho,
Ecos vazios,
Sorrisos que aquecem,
Lentos, muito lentos.

Um espelho arcaico,
Prateado sumido,
Baço como névoa.

E eu.

Sonhar,
Sonhei,
Nada é simples.


12DEZEMBRO2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ATÉ SER LOUCO!




Será isto o que penso,
Como forma extra de vida.
Apreciar e recusar,
Tudo o que não preciso.
Preciso de tempo,
Preciso de vento.
Serei fraco ou forte,
Com as pequenas coisas,
Com pequenos passos.
O ritual de existência,
O Sol e a Lua
O dia e a noite.
São fases assim,
Caminhos de preto e de branco.
Ser simples é isto.
Dizer tudo num pequeno nada.
Quando grito com a vida,
Grito de forma pouco saudável,
Comigo. Sinto revolta.
Sinto a frustração do Mundo.
Saudável, será a ironia.
Toda esta dor com alma e,
Já pouca coisa me acalma.
Ser positivo,
Abusar da ilusão.
Sonhar um pouco,
De tudo. De nada,
Até ser louco!

11DEZEMBRO2013

sábado, 7 de dezembro de 2013

PALCO PARCO




Nunca a liberdade foi assim tão alta.
Os regimes, são feitos de nada
que não mais consciências,
que congestionam pensamentos.
Sempre se censuraram as ambições.
Liberdade, essa não se perde,
não existe por tentativas.
Apenas existe!
Para ser livre basta sonhar,
basta ter o sonho vivo.
Mesmo o degredo é palco parco,
nunca as grades privaram vontades.
Abençoada a coragem dos homens.
Os que a têm ou desejariam ter.
Iluminadas as mentes visionárias,
coragem, é passo de quem é grande!


07DEZEMBRO2013

APENAS SOU...




Eu sei que tudo se confunde,
basta a luz reflectir o mundo.
Estalando os dedos,
a magia apenas se atrapalha
com o mistério da vida.
Suprimir o adquirido não é fácil.
Substituir o que é evidente,
leva-me ao fundo do mar,
onde tudo se torna escuro,
onde toda a vida se transforma.
Adaptarei os níveis necessários.
Serei anfíbio sem noção disso.
Apenas me confundo sózinho,
quando paro, inseguro de tudo.
Tantas ocasiões perdidas,
cuja dádiva é a aprendizagem.
Tanta coisa ultrapassável,
tanta coisa desnecessária,
tudo me faz pensar até à exaustão.
São apenas momentos,
soluções imediatas sem lógica.
Nada de lógicas interpretadas
mesmo que previsíveis. Apenas nada.
A sucessão de todas as palavras,
resumem o instinto do pensamento.
Nem sempre é preciso escrever,
imaginar, sonhar e entender.
Eu sei que tudo se confunde.
Eu sei que a magia faz parte,
de um mundo imaginário.
Eu, não sou mágico.
Eu, apenas sou estranho,
inseguro e imprevisível!

07DEZEMBRO2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

INCOMPLETO




De nós, a saudade.
De mim, não sei dizer.
Esta sensação de vazio.
Escrever estas letras,
Passar o tempo,
Cruel, lento e rotineiro.
Tudo o que faço,
Tudo o que digo,
O pouco que escrevo,
Nada faz sentido!
Sou defeito inventado,
sempre imperfeito,
sempre incompleto.

05DEZEMBRO2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SOBREVIVÊNCIA




A cadência do vazio,
Aumenta o desespero.
Passa o tempo inocente,
Numa calamidade anunciada.
Previsão de um fim.
Euforia de um início.
Venham os anjos,
Misturados entre nós,
Alimentando a esperança!
Falta-me a paciência,
Já tanto tempo de espera.
O stress da multidão,
Transforma a ansiedade
Em comum mecanismo ávido.
Apenas um denominador comum.
Sobrevivência egoísta assumida.
Tantas formas de vazio puro.
Tantas mentes sugadas,
Em corpos mecanizados
Por impulsos cardíacos.
A estrutura, corroída pelo tempo,
Arrasta-se, em objectivos
Raramente alcançados.
O som dos passos aumenta,
Por  pressão mecânica do corpo,
Mais leve de peso esfaimado,
Mais pesado em ombros caídos,
Sem sorriso que altere a existência.
Nascem as crianças como luz,
Um aquecer de almas perdidas,
Que de soltas se encontram,
Na procura desesperada de um sentido.
Alimentam-se e crescem,
Sádicamente rumando à tristeza da falta.
Recicla-se o tempo perdido.
Sossegam as mães exaustas,
Incertas do dever cumprido.
O sorriso é cópia da felicidade,
Tentando resgatar a origem da alma.
Sobrevivência!
Reencarnação de mais um dia.

04DEZEMBRO2013



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ATRACÇÃO!



Tenho medo!
Tenho esta atracção.
Tenho medo e,
Este medo não me larga.
O mar,
Sempre o meu maravilhoso mar!
O azul,
Sempre o atraente azul.
O frio,
Sempre um toque medonho.
Mas já não sinto.
Já não sinto frio.
Tenho medo,
Funciono fora daqui.
O meu calor,
Não o sinto, só sinto frio.
Tenho medo!
Tenho mesmo muito medo.
Todo este medo de continuar aqui.
Os azuis frios de mar,
Que me puxam, que me abraçam.
Preciso fugir desta atracção!

03DEZEMBRO2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ABSOLUTAMENTE NADA





Apenas o "destino" me acalma.
Adivinhar o que já foi escrito.
Neste momento estou solto.
Desfibrilado em batidas cardíacas,
tão certas e mecânicas que aborrecem.
À minha volta, tudo é hipótese,
solto que estou de paixões e coisas assim.
Estou vazio, seco e sem vontade...
Há tanto espaço para preencher,
tudo me parece absolutamente nada.
Tenho medo da introspecção, juro!
Tenho medo de pensar tanto. Em tudo.
Deixei de ter o meu mundo, não posso.
Ando sempre à frente de mim próprio.
O meu crucífixo é este, os outros.
Falta-me vontade para tanta coisa.
Falta-me força física,
falta-me força que admiro,
falta-me vontade de respirar.
Sobra-me dez gramas de alma.
As palavras passaram à solidão,
sózinhas, sem resposta inteligente.
O que era já não o é.
A paixão, dobra-me o corpo,
não pelo peso que teve, mas
por esta falta de ar dolorosa.
Mas tudo passa, tudo muda.
Todas as dores são mínimas.
Todas as dores são corpo,
e o corpo é absolutamente nada!

02DEZEMBRO2013