domingo, 29 de setembro de 2013

INÉRCIAS




O preço da inércia mata-me.
É tão barato que abunda por aí.
Há coisas que deveriam ser caríssimas,
Inatingíveis e detestáveis como a inércia.
Não quero confundir nada.
Preciso de um pouco de espaço
para que tudo mexa à minha volta.
O tudo pode ser pouco, uma imagem,
uma ideia, um olhar e até um beijo.
Preciso sentir um sopro de liberdade.
Deixar os compromissos que me afogam,
deixar de me sentir cada vez mais pequeno,
cada vez mais ínfimo dentro de mim próprio.
A felicidade começa nos dedos,
estes meus quando escrevo sem opressão,
sem medos de lesões e passos torcidos,
sem medo das horas que não param,
com a coragem liberta da minha alma.
Já era tempo de findar estas ocasiões.
Os martírios concentrados de tudo.
Que defeito este o meu, caramba...
Morreria eu de inércia,
para poder entender os outros.
Estou condicionado a tão pouco,
um todo que não preciso demais.
A fé perde-se na falta de respostas,
onde o antídoto não funciona,
onde as respostas não respondem a nada,
Onde a inércia se alastra a todas as coisas.
Nem o deserto é inerte,
disfarça ambiciosamente o poder do nada.
Os meus nadas, tento perdê-los com intenção.
Apenas me doi permanentemente,
a inércia dos outros, e dos outros ainda,
que sofrem pela inércia dos primeiros.
Morre-se lentamente, pela facilidade da inércia.

29SETEMBRO2013

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

PERDI-ME NO TEMPO




São pedaços do tempo,
Horas que não me lembro,
Apenas porque vivo.

Memórias não são sorrisos,
São fortes, as frágeis
Muito mais que é preciso!

Não choro por frustrado,
Já não por menos o medo.
Cresci averso ao passado,
Como homem foge ao degredo.

São os abraços que não tive,
Os beijos que não senti de mimo.
São as histórias de alma leve,
Sem ter afinal o meu destino.

São os pedaços deste tempo,
São os resultados indiferentes,
Apenas batalho neste campo,
Com resultados tão insignificantes.

Banalidade é ser assim, como sou,
É a espera de nada nem de quando.
São vidas a que já não me dou,
São as provas onde vivi profanado.

As rodas dentadas do templo,
Provam mecanismos complexos,
Nos relógios que já não são exemplo,
Apenas momentos naturais e reflexos.

São os pedaços do tempo,
São as rugas de um corpo cansado.

Perdi-me por já não ser eu,
Controlador do presente e passado.


25SETEMBRO2013


A ANGÚSTIA DA VIDA





A angústia da vida.
O que vivi.
O que vivo.
O que irei viver.
Talvez mais um vício,
a esperança, um motivo
em complemento directo.
Quando penso nos mortos,
em todos os que morrem,
penso em mim sem vida.
Esta vida. Apenas esta vida.
A angústia da morte,
o finalizar dos sentidos,
torna-se doença de tantos.
Doença antes da morte.
Para mim, será mais
morte antes da doença.
Tudo é tão natural!
Pensar, sentir, temer.
O pânico da inteligência,
são os mistérios ocultos,
tudo o que se conhece,
sem saber como será.
A mim, atrai-me esta dúvida,
que deixei de sentir como tal.
Receio sim, a dor do espírito,
a do corpo, é suportável
que mais não seja pelo fim.
Vou partir deste corpo,
um dia, eu sei! Vamos todos.
A crueldade começa aqui,
no pensamento involuntário.
Aqui, também se cria o antídoto,
a necessidade de opor o sentimento.
Se vier, que venha a morte.
Quando vier, que a sinta
com um sorriso nos lábios,
com um obrigado pela vida.
A cura, está na própria doença.

25SETEMBRO2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

POETA




Vejo-te partir ó poeta.
Não sei se chore,
afinal, um poeta nunca morre!
Tristeza será meu conforto,
ainda que estranho por defeito.
As palavras que ficam escritas,
oxigenam os dias que me sobram.
Os segundos que demoro
renascem nas cores das odes,
para lá dos antípodas da tua memória.
Deixas-te "O TEMPO CONCRETO",
optaste pelo tempo impossível.
Perceberei eu o destino?
Nunca me revelarás os erros,
todos e tantos eu nunca saberei.
Entre estes dois espaços,
ficaremos tu e eu, separados
por uma partida, que não choro.
Sigo os sons das tuas palavras,
com o prazer ingrato do sorriso.
Anónimo serei eu para ti.
A tua paragem, sem novos poemas,
será o único incómodo!

23SETEMBRO2013

(humilde homenagem a António Ramos Rosa)

OBSCENIDADES




Disse eu um dia,
que a obscenidade é necessária!
Não em mentes perversas,
mas subterfúgio de sensações.
Ser obsceno, tem o palato do prazer.
Não preciso ser vulgar,
preciso da obscenidade como filtro,
como auge de todos os prazeres.
Falo de arte e história.
Falo de filosofia e religião.
Tudo tem a sua dose de obscenidade.
Os testemunhos que vi hoje,
são pedaços de história e memória.
A obscenidade, está na leitura
da interpretação do que apreendo.
São séculos e milénios,
em boa e más memórias do tempo.
É a crueldade civilizacional,
que entusiasma o filtro do bom senso.
Só se aprende assim, com passado
cruel ou justo, apenas passado.
O futuro como o presente,
são pré disposições convictas.
O que quero ou acho bem,
apenas acontece porque conheço o mal.
Todas as opiniões são obscenas.
Obscenidades subjectivas e moral incerta.
As leis são poder ultrapassável,
apenas pela renovação da história.
Quero ficar aqui,
consumidor de todas as coisas.
Quero ser obsceno,
na intensidade de todas as escolhas.

23SETEMBRO2013

domingo, 22 de setembro de 2013

FONTES SECAS





Tenho sede de todas as fontes.
Toda a secura dos anos,
que enrugam pele e alma.
Tenho a sede do tempo,
pleno de frieza e de calma.
Tenho ânsia da saudade.
Todos os momentos são
como um centro de energia,
tão forte como a existência.
Falta-me o toque e o cheiro,
tudo me sobra na memória e,
tudo isso, me apodrece por dentro.
Falta-me a fonte de alimento.
Falta-me a realidade intermitente.
Falta-me tudo, ou quase tudo.
Tenho apenas quase nada.
Tenho palavras. Discursos,
emoções itinerantes no meu rumo.
Perco-me no absoluto,
por querer, quase tudo!
São os pesadelos de criança,
as paredes em crescendo,
as bolas que me esmagam.
São as fontes da sofreguidão,
que me secam sem razão.
Sou eu que não entendo,
sou eu, sou eu, sou eu...
As fontes secam de vazias,
são tantas e tão ocas que me doi.
A dor, se for de corpo,
não me afecta por ser simples.
A dor, se for de alma,
destroi-me a personalidade
que os ossos sustentam .
Quero apenas uma fonte,
que me sacie e acalme.
Apenas uma.


22SETEMBRO2013

sábado, 21 de setembro de 2013

APENAS ISSO...




Apenas atravesso a rua.
Sem nada, sem sentidos
de tacto ou visão. Apenas...
Deste lado para o outro lado.
Sem razão, sem motivo, apenas...
São todos os dias assim,
hipotéticos e inconsequentes.
Apenas. Apenas porque são!
São as margens de rios,
a costa do mar,
apenas isso. Apenas...
Sempre um outro lado.
Sempre uma meta subjectiva.
Apenas acordo.
Todos os malditos dias.
Basta-me o acto, apenas...
Imaginar imagens, retratos
de pessoas que gosto,
de pessoas que admiro,
ou até, pessoas que amo.
Apenas isso.
Não tenho de dar satisfações.
Envelheço.
Sózinho.
Apenas isso!

21SETEMBRO2013


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RESPIRAR A LIBERDADE!




Respirar a liberdade!

São pedaços
São impulsos
São todas as razões.

Cada passo importa.

Ser livre e olhar
Ser livre e falar
Ser livre vivendo.

São todas as crianças!

Livres por ser natural
Livres por ser hoje
Livres porque é assim!

Ser livre é ser como eu,
Ser livre é ser um livro
Ser livre é ser o Mundo.

Até os porcos são livres,
mesmo os que pensam
em prender a liberdade!

Respirar a liberdade!

É agora,
neste momento,
aqui!

20SETEMBRO 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UM DIA SABERÁS




Só um dia te direi,
Que sim
Onde todas as horas
São apenas passado.

Só um dia te direi,
Depois de partir
Que mesmo longe,
Jamais te esquecerei.

Só um dia te direi
Todas as palavras,
Mesmo pequenas
Que nunca falei.

Só um dia te direi,
O peso das nuvens,
A felicidade perdida
Tão leve como a alma.

Nesse dia saberás,
Como no presente,
Se chora a saudade.

Saltam os segundos,
Frenéticos e gastos,
Fartos deste cansaço.

Nesse dia saberás,
Que estou perto,
Que nunca parti,
Mas já não presente.

Nesse dia saberás,
O alvoroço da mudez,
O insuportável silêncio,
O calor apertado de um beijo.

Nesse dia saberás,
Que sou um anjo,
Apaixonado,
Até à eternidade!

19SETEMBRO2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DIÁLOGO COM OS PÁSSAROS




Chamaram-me os pássaros hoje,
saltando mesmo em frente a mim.
Chamaram-me à razão,
num piar desgarrado e insubmísso.
Arrepiaram-me o corpo, com voos
rasantes e fortes bater de asas.
Senti como um aviso derradeiro.
A surpresa tornou-me estático,
sem som nem gestos de repulsa.
Eu sei, eu sei que a natureza avisa,
pelas formas mais deslumbrantes.
Foi este deslumbre do bailado
que me parou os passos gastos.
Sei que penso em demasia,
mas este acordar foi diferente.
Sentei-me com eles na relva e,
na desproporção dos corpos,
ainda rimos entre nós.
Falaram de mim e,
dos pássaros que sabem.
Sabem dos homens que pensam,
porque pensam demasiado.
Sabem de tudo o que tem dor,
porque fogem voando para longe.
Sentem a auréola da desistência,
que não suportam ver perdida.
Falaram-me das folhas,
de morte e renascer.
Abriram um buraco na relva
onde enfiaram os meus pés,
e lhes chamaram raiz.
Chamaram-me "árvore nova",
efémera mas resistente ao tempo.
Mostraram-me que os braços,
são poiso das aves, como os ramos.
Sentaram-se nos meus ombros,
fabricaram ninhos que criam vida.
E falámos. Oh Deus se falámos,
sobre tudo o que aprendi.
Apenas a natureza nos entende,
porque esquecemos todos
que fazemos parte dela.
Ficaram os sopros das penas,
os arrepios da convicção,
o regozijo de estar vivo.
Foram os pássaros,
que me falaram um dia,
que a vida não tem fim.
Um diálogo que venero,
no interior da minha alma.


16SETEMBRO2013


O VALOR DO UNIVERSO




O poder é camuflado por todas as leis.
Tudo é falta de essência contemporânea.
Leis ancestrais que já não se escrevem,
transmitidas pela memória dos povos,
é a história dos povos, que vai acabando.
São os símbolos que ainda mantêm junto,
a espiritualidade e mundo que se perde.
A leitura é a fórmula simbólica do ritual,
algo estranho e ultrapassado actualmente.
Perdem-se as estórias dos ancestrais,
única sabedoria imaculada pela existência.
Perdem-se ligações do velho e do novo,
que a evolução tecnológica poderia revelar.
Tudo existe, mas em receio do povo,
toda a história se revela indiferente ao presente.
Tudo muda a consistência do que sabemos,
não por acaso, mas por aquisição do tempo.
São pequenos erros descobertos,
novas evidências que alteram toda a interpretação.
A Humanidade afinal é muito diferente,
de toda a história que aprendi e, tem lógica.
Somos o resultado do mistério que permanece,
em que a contagem civilizacional que sabemos,
já não é a mesma, mas cada vez mais arcaica.
Os megalítos deixam-me estranho,
sem respostas de ciência ainda perplexa.
Toda a miséria dos valores começa por eles.
Pelos que se perdem prepositadamente,
pelos ignorantes enriquecidos de nada.
O futuro não pára nem perdoa.
Nada de hipócrita hoje, será estímulo amanhã.
Apenas morre a consciência do que somos.
Sinto-me a desfalecer aos poucos,
sinto-me a morrer demasiado depressa.
A revolta da inteligência terá de acordar!
Teremos de relembrar aos sem escrúpulos,
que existem leis de respeito Universal.
Seremos juntos, todas as máguas que crescem,
seremos juntos, todas águas podres que beberemos.
A miséria, é fácil e duradoura. Parem com isto!!!!!
Humanidade é ser Humano,
esqueçam o valor das coisas!
Todo o valor do Universo, está aqui.
Começa pela inocência de uma criança!


16SETEMBRO2013

sábado, 14 de setembro de 2013

HISTÓRIA




Espaço de intensidade pura.
Conhecimento, um poder ávido.
Basta-me passar as grades,
basta-me ultrapassar as colunas,
e o cheiro enche-me a alma.
Cheira-me à história e,
à imortalidade da existência.
Cheira-me a papiro e folhas velhas,
o pó silencioso que refusa sair.
Leio as versões do que se sabe.
Acredito e desconfio de tantas.
A antítese do meu monólogo,
o pasmo do culto das relíquias.
Tudo difere nas culturas,
tudo se assemelha nas religiões,
e fica o denominador comum...
Quem?
Quem somos?
Porque somos?
De onde vimos?
São todas as perguntas,
tantas as que me pergunto.
Mas aqui, neste Museu,
encontro algumas respostas,
tão concretas que me desviam,
para a procura de mais perguntas.
A intensidade é uma resposta.
O mistério sopra na minha alma,
arrepia-me o desejo do fim.
Cheira-me a tudo o que existe,
fica assim a história como sempre,
inacabada pelo presente.

14SETEMBRO2013
(visita ao British Museum)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

DESDENHO VULGARIDADE




Cheiro a escuridão de tudo.
Notícias de guerras fáceis,
sabores "groumet" da tanga e,
as pessoas empobrecidas.

Salta-me a espoleta da arma,
como granada explosiva de nada.

Que bonito.

Que bonito ser corajoso,
com falta de chão por pisar.

"às armas... às armas..."
Uma palhaçada por armar.

Sou estranho pela fome que tenho.

Ofusco na luz que me impingem.
Não vejo a lógica dos snobs
que não o admitem, por...
serem apenas snobs.

Vejo comunismo elitista por todo o lado.

Vejo utopias encarnadas na hipócrisia.
Nomes bonitos do mercado,
que passam ideais de há 40 anos.

Nem a internet os valha... caramba!

Surgiu a vida e fez-se ultrapassável
por todos os ultrapassáveis que conheço.

Será chuva, será vento,
chuva não é certamente,
e o vento não me cospe assim!

Haja vergonha!


13SETEMBRO2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

RITMOS INCERTOS




Poderia ser um pêndolo regulador.
Tal como o ritmo da vida, pensar
em compassos premeditados.
O valor da idade, está na sabedoria
do diálogo comigo próprio,
por todas as máguas e previlégios.
A auréola brilha disforme e incógnita,
pela humildade de todos os momentos.
As opções, essas sofrem de frieza,
tanta como a necessária pela cadência.
O tique-taque do tempo não perdoa,
não admite distracções demasiado fortes.
Tal como sensações que mexem comigo,
só com responsabilidade fingida me escapo.
O tempo joga comigo. Um tabuleiro de xadrez,
peões e mordomias de posições tácticas,
desviam-me do curso natural da indiferença.
O ritmo a que obedeço sem esforço,
chamo-lhe cardíaco, pelos impulsos quentes,
como única forma de combustível viável.
Todo o envelhecimento do corpo é secundário,
todas as rugas, são aneis de idade de árvores,
tão seculares como a minha própria alma.
Regulo-me como peça de um xadrez real,
táctico e improvisado conforme o minuto seguinte.
Tudo o que me regula, perde o ritmo natural.
Natureza e divindade são o resultado
de todos os pêndulos imaginários que alimento.
Já não sei se estarei lúcido daqui a pouco,
talvez mude de ritmo como a imprevisibilidade.

11SETEMBRO2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O EQUILÍBRIO DA PALAVRA




Falta o equilíbrio da palavra.
Alfabeto com mordaça lassa,
Palavras que soem a esboço,
A ecos de martelo ferreiro,
E Ferrem e, trotem e,
Fujam em plena liberdade.
Jamais domarei as melhores,
As que são selvagens.
Já não sei se sinto a falta,
Dos galopes de  frases vazias,
Apesar das crinas ao vento,
 Do corcel irreverente na mensagem.
Quero manadas de folhas,
Com cores, com muitas e todas as cores,
De todas as almas, de todos os Egos.
Quero o relinchar declamado,
Contundente e diferente,
Ao coice de cada palavra.
Falta-me o equilíbrio da palavra;
Que não sendo pela gramática,
Seja pelo grito das revoltas.


10SETEMBRO2013

A FELICIDADE



Há  música no ar.
Um sentido cheio de sons,
Onde os tons são límpidos,
Como a pureza da água.
Quero cores nos olhos.
Um sentido cheio de luz,
Onde os tons são quentes,
Como todos os toques.
Quero cheirar a vida.
Um sentido cheio de ti,
Onde o teu corpo me excita,
Como cada beijo que sinto.
Não quero mais nada.
Só quero a felicidade!

10SETEMBRO2013

domingo, 8 de setembro de 2013

CÉU INCERTO




Nem todos os muros me prendem,
trepo em garras de coisa escrita,
só a noite me pára, brilhante
pelo cintilar de todos os diamantes.
Nem os impulsos me libertam,
são prisão de espaços abertos,
nesta figura obsoleta da vida,
na impureza cinzelada das pedras.
Fico em combustão de fogo líquido,
sem sangue quente que sobreviva.
O incerto deixou de o ser,
ficou víscera podre e corrupta,
na certeza do meu desagrado.
A firmeza da mão punitiva,
apenas trás medo viscoso
que me agarra nesta fuga.
Tenho o tempo perdido,
todo o que já não vou ter,
pelas causas inúteis e injustas,
que nunca conseguirei deter.
O meu lugar está funesto,
perdido numa caixa de madeira,
que será última morada.
Venham os abutres da mente,
que me cheirem a pele,
morrendo na surpresa do meu veneno,
que os mata na sofreguidão.
Sou esse veneno, espesso de pureza
tão crua como a carne do corpo.
Não me refrego aqui parado,
nada me prende mesmo que o caminho,
não seja este, nem outro lado.
Só deitado no campo verde,
em noite de céu aberto e azul,
me liberto do meu tormento,
por cada diamante que sobe,
que fica e brilha na minha alma.
Só as estrelas não me prendem!

08SETEMBRO2013



sábado, 7 de setembro de 2013

LABIRINTOS




Descobri uma saída prematura,
Onde desisto da lógica da minha vida.
Todos os labirintos são ultrapassáveis.
A saída será uma, controlada pela aparência,
Outras há que me provocam impaciência.
Tenho os sentidos treinados para o auge,
Mas apenas filtro o que me dá prazer.
Talvez haja uma proporção diferente,
Como o facto das opções que tomo.
A imodéstia da escolha, personaliza
Um carácter indiferente a todas as críticas.
Sentir a vida como labirinto,
Tráz-me inconformismo como desafio.
Todas as saídas ainda bloqueadas,
Não deixam de ser ultrapassáveis,
Apesar dos muros conformistas
E da resignação da inocência.
A procura de novas saídas,
Alimenta o medo da falha humana,
Esmorecida em zonas de conforto,
Premeditada pelos mesmos medos.
São as marés do carisma individual,
Que lideram o avanço da irreverência.
Funcionam como ondas, marés vivas,
Numa tempestade tremenda,
Onde apenas muda a atitude .
São saídas talvez mais fáceis,
Prematuras de uma ambição falhada,
Adiadas na euforia do futuro.
Fica a esperança, baseada no positivo
Que nunca se sabe se o será.
Fica o mau disfarce dos desiludidos,
Alimentados nessa forma de estar
Apesar de nunca a conseguirem realizar.
O labirinto da vida, tem corredores, sebes,
Obstáculos cada vez mais altos e longos,
Cortados por imprevisibilidades adjacentes,
Onde o bom senso é a única arma de defesa.
Apenas o realismo e a maturidade
Ultrapassam a utopia sempre irresponsável,
Apenas a realidade existe. Aqui.
Tudo o resto são paralelismos,
Sonhos e estados extras, divinos,
Que procuramos na frustração
De tudo o que não temos!
O labirinto começa e acaba,
Na mente de cada indivíduo.


07SETEMBRO2013

CORPOS NÚS



Dá-me o corpo nú,
Sôfrego da minha nudez.

Fala-me com os olhos,
sem dizer uma palavra.

Sabes o que sinto,
no corpo,
na alma.

Desce da ilusão e,
de todos os sonhos.

Toca-me,
amordaça a minha boca.
Geme o que eu gemo.
Sente o que eu sinto.

Dá-me do teu rio,
saceia a minha sede,
no sabor escondido,
até de madrugada.

Aperta os dedos,
no meu pecado,
até que o Sol
desista de nós.

Sempre.
Para sempre.


07SETEMBRO2013



INSACIÁVEL




Sou como uma nuvem de pó,
Insignificante ao bafo do vento,
Ágil abstrato em moldura viva.
Sou a cinza da matéria viva,
Retorno tresmalhado, sem corpo,
Com um final certo e previsível.
Recomeço onde sempre nasci,
No útero das almas perdidas.
Não foi sexo que me criou,
Nem amor que padeci por encanto.
Foi o pó do mundo que me fez,
A miséria unida na podridão humana.
Fui o virús que me tornei,
Com a cura emergente de vida.
Falo por falar, dirão uns tantos.
Fico por ficar sentem os outros,
Só por me verem como mais um.
Sei da insignificância do Homem!
Condeno arrogâncias poderosas,
Tão frágeis como a morte certa.
Moldarei uma nova Torre,
Sem diferenças, castas e línguas.
Sem valores de matéria desnecessária,
Que não sejam a inteligência .
Sobreviver ao tempo, não é injusto.
Aproveitar a estadia no corpo,
Tem prazer orgásmico na mente.
Servir o escravo é sapiência,
Como gota d'água em terra seca.
Enraízo a vontade da vida,
Tão simples como foi criada.
O Sol e a Lua, a noite e o dia,
Os sexos e um paraíso por viver.
Do pó me criei, ao pó voltarei.
Mas agora, no intermédio,
Insaciável será o meu prazer,
Da vida, do pensamento,
E de uma mulher!

07SETEMBRO2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

INÉRCIA LATENTE



Ficar inerente a imagens supérfluas,
é uma dependência absolutista,
que nunca na vida me quero associar!
Mesmo monárquico por convicção,
não sou inerte a toda a lógica necessária.
Sou democrata pela facilidade de grupos,
Apelo e procuro a justiça da inteligência!
Venham de lá os pseudo iluminados,
que sabem de tudo sem saberem de nada.
Aliás como eu, o que preciso é tolerância,
um remédio humano de provas fracas,
onde o poder da simplicidade, está ali,
mesmo ao torno da esquina humana.
Sei que falo coisas estranhas!
Imagino algures, um poder lógico,
como a lógica da existência inanimada.
Eu sei que estar aqui, é dúbio
como a dúvida da criação eterna.
O ser fácil por existir,
transforma-me a liberdade de ser,
simplesmente o que sou, sem opções!
Todas as hipóteses inadiáveis,
são o que são por si próprias!
Assim, inerte mas absolutista,
regenero o poder da imobilidade.
Sou um pólo sem extenção própria,
um vértice sem amizade inculta,
mas eu mesmo, apesar de tudo!
As imagens imberbes, são fúteis
como os patamares que não preciso,
por pequenos poderes isolados.
Sou o que sou, porque sei isso.
Associo-me a quem amo,
por inércia de um poder latente!

05SETEMBRO2013


06SETEMBRO2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

TOLERÂNCIA





Por todos os momentos que passo,
fica o desejo do tempo em vazio.
Um passado desconexo que apago,
em ânsias de positividade efectiva.
Há a moda dos floreados e frases,
cores rosas falsas em mostruário
de ciumeiras escondidas e irónicas.
Os perfumes exalam essência barata,
num desespero infeliz de protagonismo.
Palavras doces de origem duvidosa,
pensamentos e filosofias baratas,
completados por frases aberrantes.
Não condeno nada disto sinceramente,
antes admiro a falta de auto crítica,
com a presunção de grandeza adquirida.
Tudo são fases, são vidas carentes,
em escritos que acabo por admirar,
por se tornarem criativas e não violentas.
Admiro a calma e o pensar clandestino,
que de clandestinidade não tem nada.
A inteligência é perspicaz e irónica,
quando intervém nas personalidades.
No fundo, somos todos um balão de ensaio,
cada um crítico do outro, em níveis
diferenciados, apesar de tudo, à nascença,
com o engodo de visionar a igualdade
que nunca há-de neste mundo existir.
Tolerância é o segredo definitivo.
A única forma de combater a inteligência,
é não a deixar cair em engôdos manipulados,
combate-se com a única forma possível,
uma outra fórmula, a inteligência certa.
Passividade e inércia não são precisas,
apenas e sempre uma tolerância militante,
sem medos a nada que a ameace,
nem mordaças que calem ninguém!

04SETEMBRO2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A MINHA PRISÃO




A prisão tem quatro paredes.
Estas são voluntárias,
Restringem sem pressão,
Toda a pressão que sinto.
A secretária é um Oratório,
Em simulacro de inconformismo.
Sentado, canso o destino,
Que se forma à minha volta.
Desafio (de)mentes novas,
Por todas as novas coisas que penso.
A única coisa estranha,
É a atracção por esta prisão.
De todos os lugares que visito,
Acabo sempre aqui, sentado,
Rezando as palavras que adoro.
Tudo sai, ou até quando ficam,
O alívio produtivo brilha, para mim,
Num espaço onde as estrelas,
Apenas não existem por si só.
Esta prisão deixa-me livre,
Esta forma de solidão é desejada,
Como meu necessário equilíbrio.
O espaço, é sempre relativo,
Pelo transbordar de conteúdos.
Esta prisão é saudável,
Onde me escondo, calmo,
Com o desejo de ficar sózinho,
Com uma porta sempre aberta.


03SETEMBRO2013

domingo, 1 de setembro de 2013

JÁ NÃO ME CHEGA O TEMPO



Custa-me prever a ansiedade.
O tempo, está exausto e triste,
já não chego ao final do que me falta.
Preciso de espaço, muito!
A essência do meu monólogo.
Oiçam apenas, inertes e
previsíveis como a morte.
Já me falta tempo!
Serei mais um inacabado,
com tanto por dizer.
Seca-se a pele e rasgo-me,
no inchaço do desabafo,
cuspido de um útero,
ou prisão imposta de vida.
Já não tenho tempo!
Queria subir ao topo do Mundo,
talvez em retorno ao Olímpo.
Mensagens são encafuadas,
em garrafas velhas rachadas,
como redomas grossas usadas,
sem mar que as leve e pese,
sem alguém que as leia ou sinta.
Já não me chega o tempo!
Todo o tempo que conheço,
teimoso o passado, sempre
assombra este esforço que faço.
Precisava dizer tanta coisa,
a tanta gente que já não sinto!
Marejam os olhos secos,
sózinho em desertos virtuais.
O tempo parte, egoísta
como a chuva que passa.
Já não sou eu...
Apenas concluir com inteligência,
a lógica da existência.
O tempo, já não me chega!

01SETEMBRO2013