terça-feira, 31 de janeiro de 2012

NAO SEI ...



Nao sei...
Ha dias em que nao sei.
Nao entendo.
Nao compreendo.
Nao sei o que fazer!
Nao sei o que dizer.
Nao sei...
Fico triste com o mundo,
por mais... por tanto
que tento compreender.
Nao sei...
Os porques... nao entendo.
A dor; eu sei.
Conheco-a! Por isso...
Nao sei...
As criancas.
A fome.
O abandono.
Nao entendo!
Os porques, nao entendo.
Nao sei...
Choro quando sinto.
Quando vejo essas criancas,
em dor persistente, sem saber.
Nao consigo entender!
A fartura do poder.
A inoperancia no agir.
O sofrer.
Nao sei...
So sei,
gritar com o mundo.
Querer falar.
Querer gritar.
Querer agir.
Dizer isto,
e tudo. Mas...
Nao Sei...

30 Janeiro 2012

O TEU CHEIRO



O teu cheiro.
Este toque que sinto.
Um lencol perfumado.
A memoria da noite,
meu corpo transforma.
Procuro... esse pecado.
Toco-te,
beijo-te o ventre.
Enquanto dormes,
sorris um gemido.
Gemes um sonho.
O teu cheiro,
o meu cheiro,
a tua pele,
o teu perfume.
Entro em ti.
Acordamos os dois,
os lencois enrugados.
De novo o mundo...
O amor profundo,
fechamos os olhos.
Arrepiamos prazer.
Apertas-me...
Entregas-me o que te entrego.
Um lencol perfumado.
Este toque que sinto.
O teu cheiro.

31 Janeiro 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

NAO LAMENTO!


Ha uma distancia que me separa
entre mim, os percursos, e as ansias
que nao tive.
Levam-me a tentar por todas as formas
abstratas e obsuletas, a entrega
que eu procuro.
Sem pressas, sinto-me seguro.
Encontrar, ou tentar escolher o caminho
certo, sem fugir ou deixar de passar, por
encruzilhadas recheadas de cantos falsos.
O poder da escolha, na vontade de optar!
Sem duvida o futuro... diferente.
Sozinho, respiro o ar do vento,
enquanto passa por mim, desviando-se
com medo do meu corpo.
Dar boas vindas a esse sopro que me arrepia,
transformar o agradavel... na minha pele.
Sentir-me vivo...
Continuar a encaminhar os meus sentidos,
por boas ideias... rodea-las
de enredos e sonhos novos.
Os que tenho... e os que devia ter.
Nao lamento!
Nao fico triste!
Amo a forca do vento, conforme o sinto.
Perdi o cavalo e o Sancho,
mas enfrento os meus moinhos.
So... porque em mim,
a minha alma persiste.
Quero e devo continuar,
a ter liberdade de me prender
ao... e no que acredito.
A imensidao quase infinita dos deveres,
que deixei de praticar, resume-se
ao meu estado de espirito...
o que quero ter.
Cordialidades e benfazeres,
as praticas dos bons costumes, sim
permanecem em formas...
e conteudos diferentes.
Continuo consciente e consistente,
nas mudancas de todos os dias.
Evolu-o!
Entrego-me em verdade.
Nao sou politicamente correcto... Nao!
Nao tenho de ser!
Nao quero ser!
Sou eu... em absoluto!

30 Janeiro 2012  

SOM DOS VENTRES



Sensivel.
Doce apetite.
Intensos,
Momentos.
Os dois.
Gotas vermelhas.
Os lábios.
O vinho.
Escorrem.
O teu peito.
Beber-te o corpo
Na pele.
Sozinho.
O som dos ventres.
Dentro de ti.
Tanto!
Agora.
Aqui.


30 Janeiro 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

ILUSAO


Ilusao...
Nao me quero iludir.
Tenho a vontade seca.
O imaginario...
Querer e nao ter.
Rio que passa nos dedos,
agua que aperto,
que nao seguro.
A nascente em ti,
ao tocar-te tao quente,
e sentir no teu ventre,
mais quente o meu beijo.
Um prazer infinito,
nos fluidos que bebo.
Um teu beijo em mim,
sem principio nem fim,
tremo em gemido,
grito ilusao...
Acordo sem ti,
ja nao sei o que e bom.
Imaginario.
Um sonho de sempre,
o passado e o presente...
Tocamos juntos,
vontades dos dois
em toques ternos,
eternos os cheiros,
amantes famintos.
Saudade.
Sentidos.
Ilusoes.
Uma batalha sem dor,
ao fazermos amor.
Acordo sentido,
sem te ter comigo,
sem sentir teu calor.
Imaginar.
Sonhar.
Ilusao.


29 Janeiro 2012

O TEMPO



Preciso do tempo!
Do tempo,
Não de tempo.
Preciso do tempo,
a todo momento.
O tempo me dá.
O tempo me tira.
Saber.

Saber que fica.
O tempo.
A minha prosa,
A minha poesia,
Faz o tempo,
A minha magia.

Passa por mim e,
Sinto-o.
Tons,
A pele que muda,
Os cabelos brancos.
O murmúrio dos segundos.

Primaveras,
Outonos...
Mas a alma...
Oh, a alma cresce,
mais sábia e bonita.
Leituras de dor,
Sofrimento maior.
Sabedoria.

O tempo.
Quero tanto!
Preciso
De tempo!


29 Janeiro 2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

SONHO ASSIM...



Sonho assim...
Em fabrica de poesias,
sou operario de poemas.
Nao sera desvio.
Nem fuga a realidade.
Sonho assim...
Uma fronteira,
onde vivo em liberdade.
Sao erros...
Sao medos...
O silencio dos segredos.
Uma luz... assim,
sempre ali ao fundo.
Gosto do tudo,
de todos,
do mundo.
Sonhar assim...
A minha linguagem.
Toco a minha miragem.
Transformo retratos medonhos,
em bela tela... uma paisagem.
Sonhar assim...
Sao poemas,
sao poesias.
Pois por isso...
entao eu sonho.
Todos os dias...
Sonho assim!

28 Janeiro 2012

PAZ DE ESPIRITO



Repor...
o que foi tirado.
Imagens poderosas.
Sentidos renovados.
Raios de Sol distraidos.
Um encontro.
Um sorriso.
Nuvens em correria,
por vergonha do dia.
Paz de espirito!
O interior reposto.
O calor d'Agosto,
no frio do mundo.
Querer ficar!
Gostar...
O sonho reposto.


28 Janeiro 2012 

RODOPIAR


Rodo.
Giro.
Rodopio...
Rodo apenas,
Em espaco vazio.
Guardo ventos...
Sopro tormentos.
Um cofre simulado.
Um tempo passado.
Hoje,
acordei assim.
Rodei.
Girei.
Rodei.
Rodei.
Calor virou frio.
Sincera e limpa,
A fúria da fome.
Sou lobo esfomeado.
Aprendi o que devia.
Nao morri, nem
Antes de nascer.
Aprendi tudo.
O que podia.
Vou aprender,
Até morrer.
Rodo.
Rodo.
Rodopio.
Sozinho,
O espaço é vazio.

28 Janeiro 2012

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

GOSTAR DE TI



Calor na alma!
A calma.
Um beijo.
Começar o dia.
Amanhecer,
Beijar a cor,
o cheiro,
e o amor.
O que quero ter.
Um sorriso,
O que for preciso.
Sentir poder.
Cheiro de pele,
Tocar o corpo,
Profundo prazer.
Um beijo
A calma
Calor na alma.
Gostar de ti!

27 Janeiro 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TUDO !



Tudo !
Quero tudo !
Viver...
O que quero.
O que sinto.
Ate por instinto...
A Incerteza.
O saber,
a riqueza.
A vida por encanto.
Sentir o ar, o fogo...
e o mar...
A Beleza.
Cheirar o amor.
Acabar o rancor,
sentir a pureza.
Viver...
Quero tudo!
Tudo!

26 Janeiro 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

DOCE MEL



Perder o frio...
sem agasalho.
Ser feliz...

Em animo.
Ser fresco...
como chuva,
gotas que caem,
quentes em mim,
sem desafio...

Se lagrimas forem,
que sejam de chuva,
que sejam orvalho.

Gotas de sons simples.
Certos os tons,
sopros amenos, e o bom
saber sentir o que sinto.

Sabores amargos...
Findos... apagados.
Com um favo de mel,
doce e simetrico.
Doce como o ar,
com o mel apurado.

Sem sabores o sinto,
sem toques o encontro,
polen sem flores que
deste mel me alimento.

O doce ser,
de vivo ao morrer,
sera sempre doce,
o unico doce,
o doce que quero ver.

Sabores amargos...
sentir sem provar.
So assim...
So assim avalio o doce.
So assim...
So assim posso julgar.

Posso ser pouco doce,
com bom sabor,
ou adocicado,
doce nao e so amor,
tambem o sabor,
do outro lado.

Quero a docura do mundo!
Quero o doce imaginado,
quero tudo...no fundo,
quero tudo misturado.

So mesmo assim,
so assim...me sinto,
abencoado.


25 Janeiro 2012

REFLEXO



Um espelho.
Sem nexo.
O Reflexo...
O mundo.
Sem reflexo.
Não me vejo.
Espaço vazio...
O meu lugar.
Olhar...
O aqui, simples
deste lado.
O mundo.
Sem reflexo.
Fantasmas...
Nao entendo.
Sou complexo.
Nao encontro...
Nao me entendem.
Perplexo.
Não existo.
Não tem nexo.
Talvez...



25JANEIRO2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

BAIRRO ALTO



Um "Bom dia"...
Um acenar de cabeca.
Sorrisos...
Passos envergonhados.
O matreiro pensar.
A critica injusta,
exacerbada a realidade.
A familia do lado.
Paredes finas.
Um olhar atrevido,
no canto do olho.
A vizinha.
Chinela no pe,
madeira e basalto.
Os gritos da manha,
a crianca que nao acorda.
O marido que resmunga,
a comida para a jorna.
Os pregoes de rua,
o jornal,
 a fruta, e a "freguesa".
Asneiradas soltas,
gritos almiscarados,
e os velhos a janela.
A sabedoria,
em camisola d'alcas.
O observar dos erros.
Sorrisos culpados,
do "tambem fui assim".
A flauta de cana,
o amolador de rua,
em monoroda de limar.
"Tesouras, facas e faconas",
o bairrismo no seu melhor.
O sorriso deles,
o desdem delas.
Num sopro de ar findo,
repentino sossego.
O sentar no degrau frio,
o granito gasto dos seculos...
Os passos dados.
O som quase rude do silencio.
A pequenada na macaca,
os tronos de Santo Antonio,
escadeados de papel colorido,
as velas e os santos.
O pedido do "tostao",
a compra do fogo.
Manha que foi...
Um bairro vivo,
no adormecer da minha cidade.
Bairro Alto,
minha saudade.


24 Janeiro 2012.

RAIZ



Raiz forte.
Segura.
Amor imenso.
Sereno.
Amizade!

Plantei uma raiz.
Hoje... ha pouco...

No meu jardim,
tenho um canto plantado...
Poucas plantas,
raizes fortes.

Fortes.
Seguras.
Serenas.
Duradouras.
Amores imensos.
Amizade.

Sao poucos os que tenho.
Amigos.

Os amores passam,
revoltam,
nascem,
morrem.
Amizade fica.

Hoje pela primeira vez,
peguei numa raiz que existe.
Plantei-a no mesmo canteiro.
Das outras...

Das fortes,
seguras,
serenas,
duradouras.
Amores imensos.
Amizade.

Nao sei se cresce,
se pega forte,
se desaparece,
se nao quer pegar.
Sei que plantei.

Amizade sincera,
alimenta tempo vazio.
Amizade sincera,
um porto de abrigo!

Ter um amigo,
e como um filho.
Para sempre.
Verdadeiro,
dedicado.

Um laco forte,
Um no fechado.
Amizade,
como...
Raiz.

24 Janeiro 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

LEONARDO da Vinci


Hoje!
Mais uma comemoração intensa do meu Ego. Sentir tamanha felicidade, torna-me quase egoísta!
Tenho esta vontade enorme, de vos falar sobre um dia de real felicidade, um dos pedaços que nos elevam mais perto da felicidade total (que não existe! a total...). O privilégio de mais uma vez ver, tantas obras do Mestre dos Mestres!
Ja vi várias obras, em vários locais, deste génio imortal. Roma, Madrid, Paris e agora na minha cidade.
Não deixo de sentir uma pequena, mas absoluta desilusão, em relação ao empolar criado à volta da exposicao, como sendo a exposição do século.
Não acho, apesar da imensidão e poder fantásticos e, da enormidade das obras de Leonardo.
Fica a pequena critica.
Mas mesmo assim, e como exposição, é de uma qualidade incrível!
Nao deixa de ser impressionante!
Leonardo da Vinci é-o sempre!
Todo o seu percurso desde ainda estudante na oficina de Andrea del Verocchio de 1469 a 72 em Florença, até à saida para Milão em 1482, onde se dedicou a estudos infindos, tanto em pintura como invenções de engenharia muito avante da lógica de conhecimento da época, só mesmo aquela mente fértil de genialidade, poderia ter o imaginário fantástico que nos espanta, ao ver e realizar, que ainda hoje utilizamos, já este Senhor esboçava e criava modelos em formato real.
Quinhentos anos atrás!!!!!!!!!
O final da exposição, é talvez o auge, ao estar presente em frente de mim, a reprodução do fresco original da "Ultima Ceia", pintada em tela pelo seu pupilo Gian Pietrino.
Serve ainda hoje, de única forma de estudo sobre o original, pintado por Leonardo num fresco na Igreja de Santa Maria de la Gracia em Milão cerca de 1498. Uma reprodução do original, printada em grande dimensão, também esta presente dando uma ideia, da realidade e do estado de decomposição, a que o fresco está sujeito, apesar de todos os cuidados de conservação no local original.
Um espanto!
Um privilégio mais uma vez, ver este Génio perto de mim!
Sentir-lhe os esboços em frente ao meu nariz, quase cheirar o papel onde ele desenhou e, imaginar um pouco, em curtas viagens no tempo, o pulso de Leonardo em plena execução criativa.
O maior de todos!
Os comentários escritos de trás para a frente, nos esboços de estudo das futuras telas, que tanta vez ele usou para ludibriar os curiosos e trapaceiros, são uma sensação fantástica ao vê-los.
Prova do quanto desenvolvida era a sua capacidade cerebral, relacionada com um comum e qualquer ser humano.
Génio!
Génio dos génios!
Tentar ler dessa forma os originais, mesmo ali, não deixou de me colocar várias vezes tantos sorrisos nesta cara de semblante espantado, com tanta coisa que dificil me era acreditar no fundo e, o já ter visto tanta obra original deste Génio do Mundo Civilizado.
Só posso mesmo ser feliz, pelo privilégio de tantas e imensas obras de arte que já olhei no pormenor, no traço do pincel, de tantos grandes que me deixam em êxtase, tão difícil de descrever. Por isso este desabafo. Nada mais que um desabafo!
Adoro impressionismo! Como pintura e expressão de arte. Será a minha forma de pintura por excelência. Aliás ontem, na Royal Academy of Arts, vi uma outra exposição incrível de um pintor ainda vivo David Hockney, que me deixou também deslumbrado.
Mas hoje, aqui na National Gallery com esta inigualável personagem, o deslumbre e a felicidade, aumentaram um Ego cheíssimo de amor pela arte!
Todo o percurso da vida de Leonardo está presente nesta exposição que desde o início da sua apresentação, meses antes, esgotou bilhetes de imediato. Para lá estar hoje, quase um mês depois da abertura, tive de adquirir bilhete há cerca de dois meses atrás.
Vale a pena! Vale muito a pena, quando a alma não é pequena! A espera é uma virtude! Saber esperar tambem é arte. Quando a espera finda e o deslumbre aparece, eis o clímax..
Estou como uma criança que recebeu o brinquedo que mais queria entre todas as opções que tinha, depois da excitaão de ter rasgado o papel de embrulho e tomar contacto com o presente.
Consigo viajar no tempo, sentado em frente a telas únicas que me trazem uma leve e pesada lágrima ao canto do olho, uma felicidade pura, uma alegria imensa, um autêntico e imenso orgasmo de corpo e alma juntos. Ser-me-á dificil de explicar.
Fazer compreender o que me vai na alma, neste preciso momento, é dificil.
Hoje sou dono da alma mais alimentada do mundo.
Chegado o fim.
Fiquei triste.
Sem tristeza absoluta, mas triste por Leonardo ter falecido corporalmente em 1519, a trabalhar como pintor da corte francesa, para Francois I.
Tenho esta tristeza, por não ter inventado e pintado ainda mais.
Algo que o mantivesse vivo, no espaço e no tempo. Triste por não ter a oportunidade de falarmos os dois.
Que gritasse comigo na sua excentricidade, no revelar das sensações ao criar e expressar toda a sua arte.
Há três figuras nas artes, que me incentivam na vida, na tristeza e na felicidade.
Fernando Pessoa, Leonardo da Vinci e Van Gogh.
Gostava de ser um cabelo naquelas cabeças geniais, para sentir o trabalhar dos cérebros, nestes três génios.
Pintar não sei, mas hei-de borrar umas telas, por atrevimento.
Escrever tento, borrando umas folhas, no momento.
Amar a arte não é um dever faz parte da evolução da espécie.
É Beleza oferecida à Inteligência.
Amo a arte, até morrer!

Londres, 23 Janeiro 2012

PINTOR


Dias de arte.
Dias de fome.
Arte alimenta,
o vazio que entra.
A cor,
a dor,
o amor.
Sentimentos pintados.
Encontros desejados.
Almas penadas,
em harmonia de cor.
O criar do nada,
uma tela branca.
Encher o ego,
em pintura que espanta.
Hoje o que vi,
amanha o que vejo.
Agora pinto,
como o pintor,
uma tela de cor,
em papel de sebenta.
A minha cor.
Os meus pinceis.
A minha tela.
Minha tanta cor,
minha aguarela.
Sou pintor,
em tela escrita,
escrevo a tinta,
escrevo o amor.
Sou eu.
Talvez...
um pintor.


23 Janeiro 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

GOTA POR GOTA


Sinto saudade...
Espremer as nuvens,
o cair da chuva.
Olhar o ceu,
com olhos fechados.
Sentir...
Gotas tao quentes,
no tocar de pele,
em fresco veludo.
O escorrer da mente,
pela pele ardente,
em tons avermelhados.
Os tons e cores invento,
sao como o vento.
Gota por gota,
sinto o mundo.
Gota por gota,
nao sinto nada.
Estou imune.
Chova o que chover,
ja nao me molho.
Mas quero que chova.
Torrencialmente.
Ouvir o som da chuva.
Da janela,
aberta...
em minha casa.
Cheirar po seco... molhado,
que se levanta,
em gotas que o tocam,
no chao.
Vejo e sinto.
Estranho o cheiro.
Um odor estranho de bom.
Musica em ecos.
O som das gotas,
que me tocam,
enquanto a chuva cai.
Seco a minha sede,
com o zumbir das gotas.
Estas que me tocam a face.
Quero que chove sempre!
Para sempre!
Gota por gota,
sinto o mundo.
Gota por gota,
nao sinto nada.


22 Janeiro 2012

MAGIA



Estrelas.
O brilho.
Magia.
Horizonte profundo.
Disperso.
Linha fronteira,
Céu aberto e abismo.
Filtrar o Sol
numa peneira.
O ar,
O vento,
Um pensamento.
Pura magia.
O vento encanta.
O toque...
A face,
Quem sente o dia.
Tão simples,
Tão pura
A alegria.
Perdi-me
Com a magia...
No ar,
No vento,
No pensamento.
Fiquei quieto,
Debrucei-me,
Sozinho,
À beira d'um rio.
Frio.
Lamacento.
Chama-me!
Sem magia aparente,
Só um convite
Para entrar.
O lodo, desilude.
"Para seguir,
sigo limpo."
A magia,
Chegou e partiu,
Partiu e chegou.
Fica o encanto.
Não sei o quê,
O frio.
O ar.
O vento.
O pensamento.
O tempo...
As nuvens,
Acabam de chegar.
Escuras, de chuva.
O Outono da vida.
Um rio limpo.
Sem lodo.
Encontros...
Para entrar e ficar.
Sereno.
É a minha Magia.


22 Janeiro 2012

SE EU PUDESSE...


Se eu pudesse falar
gritava.
Se eu pudesse andar
corria.
Se eu pudesse olhar
amava.
Se eu me cala-se
morria.

Morrerei, se não gritar.
Correndo só por gostar
parei, um dia.

O ventou soprou,
a raiz secou...

Fiquei.


22 Janeiro 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

AMANHECER



Acordo da memoria da noite.
Acordo com sede do teu corpo.
Das aguas que bebi...
Ao passar na tua fonte.
Beijei-te ao adormecer.
Beijo-te ao acordar.
Percorro esse teu corpo,
em vai e vem de toques,
em tua pele arrepiada.
Sinto ainda, e cheiro...
Os cheiros que trocamos ontem.
Afasto-te suave... devagar.
Mergulho em ti enquanto dormes.
Toco a tua fonte,
com labios de veludo,
relembro o teu sabor.
Ja nao sabes...
Ja nao sabes se,
sonhas um bom sonho.
Ja nao sabes se,
acordas em prazer.
Entregas-me o teu peito,
os seios hirtos,
com sede da minha boca.
Sei o que te dou,
sei o que te dei.
Sei o teu toque,
que me transforma.
Sei o cantar dos teus gemidos.
Sei que entro em ti.
Sei que acordas comigo,
sempre assim...
Ao amanhecer.


21 Janeiro 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O MEU SORRISO


Tenho um tesouro.
Guardei-o em segredo.
Tinha medo...
Tinha medo de perde-lo.

O meu sorriso.

A minha riqueza,
imensa de humilde.
A heranca que vou deixar.
Esta aqui...
Na minha face,
no meu ego.

Basta enrugar um pouco,
desleixar a forma da pele,
activar a vontade...
E sorrir !

Sorrir contra tudo e contra todos.
Desiludir os convencidos.
Animar os necessitados.

Sorrir como bencao...
De quem nos criou,
nao sei bem quem...
Mas sei que existe.

Sorriu para mim,
quando eu sorri.
Fez-me assim,
humilde e preocupado.
Fez-me assim,
com uma capacidade enorme...
Para a dor...
Para o amor...
Para a felicidade.

Quando penso,
agradeco o estar aqui.
Imagino o que escrevi.
Faco tudo...
Assim,
com um Sorriso.


20 Janeiro 2012

A MORTE DO POETA



Um poeta nunca morre!

Um poeta nem aos olhos desaparece.
Quando o corpo se recolhe,
liberta a alma  mais ainda.
Clama as brisas em sopros leves,
sussurra nas folhas das árvores,
com bailados de alegria simples.
As lágrimas animam a manhã,
porque escorrerem orvalho fresco,
com sorrisos a quem não esquece.

Um poeta não desaparece!

Deixa o sangue agarrado às folhas,
as outras, todas as outras folhas,
que não as das árvores.
Lágrimas de sonhos e alegrias,
sorrisos chorados na monotonia,
despertam vida a quem a esmorece.

Um poeta nunca morre!

Mesmo que o seja pouco,
até nada conhecido,
nunca deixa de ser poeta!
Aniversários de falecidos,
todos os dias comemoramos,
como de todos os ainda vivos,
que em vida os libertamos.
A poesia é uma arma complexa,
só o poeta a usa com mestria.
Sonha o bem, a utopia e o mal,
acordando a noite,
em constante insónia tardia.

Um poeta nunca morre!

Nem tao pouco se cala enquanto vive,
Ser poeta é não ter medos,
É escrever sem ter segredos,
na dependência ou na mordomia.

Bem hajam os poetas,
mortos ou por morrer,
pelo prazer da POESIA!


19 JANEIRO 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ALMA FERTIL


Sinto sol na face.
Em afagos quentes.
Deitado na relva,
envolvido em cheiros.
Aquecem o corpo,
em sangue temperado,
em especiarias do jardim.
O chilrear de dois passaros,
envoltos em voos alegres,
e pequenos saltos.
O dia toca-me suave.
Os murmurios das plantas,
comentam a minha presenca,
talvez inconveniente.
Ignoro... finjo nao ouvir.
Fecho os olhos,
respiro o calor da pele,
que eroticamente me aquece,
sozinho.
Sem saber porque,
sinto algo que me envolve,
uma luxuria solitaria,
sem saber de onde chega.
Que me invade.
Espasmos preguicosos,
solto sem conseguir controlar,
alongar de extremidades,
um prazer imenso que nao entendo.
Estou acordado,
nao sonho ainda,
mas sinto que sim.
Os girassois viram-se,
sentem-me quente...
Chamam as flores,
fingem nao perceber,
o que me vai na mente.
Os sussurros aumentam,
um mundo diferente sopra,
nao sei se alucino,
se estou doente...
mas sem revolta.
Talvez sejam os meus sentidos!?
Os cheiros misturam-se,
tocam-me fios de seda,
que me envolvem,
por liliputianas formigas.
Sentem o mel que o meu corpo tem,
o doce que se torna minha saliva,
ao imaginar o que me convem,
uma mulher nua,
me abraca e acaricia,
em imagem viva.
Vestido na relva assim fico,
ja de olhos abertos, mantenho o sonho,
um beijo longo de desejo
o querer ficar aqui para sempre.
O jardim da minha alma e fertil,
planta canteiros lindos de cores,
os cheiros sao meus,
os toques imensos.

Nao quero sair daqui.


18 janeiro 2012


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DEUS POR UM DIA



Hoje será!
Hoje será tempo exacto,
De ser Deus por um dia.

Vou ter o Poder.
Vou amar profundamente.
Vou castigar os pecados;
Sendo o Deus que sou,
Conheço a dor.
A dor que criei.

A miséria do mundo.
A inocência das crianças,
A dor da fome,
A dor do abuso,
A dor da indiferença.

Sendo Deus como sou,
Tenho o poder de punir!
Em consciência,
Sei quem são os culpados.

Uma simples redoma de vidro,
Enorme o espaço interior, mas
Tão pequena como o mundo.

Vou pegar nos governantes,
Vou mingua-los, reduzi-los.
Todos juntos e, são milhares.
Uma redoma!
Um deserto de areia e sentimentos,
Para que possam usufruir o nada.

Para que sintam a miséria.
É provar.
É saborear.
É sentir a dor,
E no final, pensar.

Quero que sintam frustração
Na pele e na alma.
Que sintam um filho morrendo,
Sem nada mais que, grãos de areia
Que o alimente.
Que ultrapassem todas as dores,
Sozinhos.

Não foi esta a dor que criei.
Criei a dor, para castigar culpados,
não para punir inocentes.

Os inocentes.
Aqueles que
Sofrem a dor constante.
Que não conhecerem mais nada,
Além da dor dos infelizes.
Os verdadeiros infelizes.

Deixo-os gritar e, gesticular
Num frenesim de desespero.
No interior da minha redoma.
A redoma de vidro que criei,
Enorme em espaço,
Mas pequena como o mundo.

Como será sentir?!
Como será sentir o lamento?
Como será desesperar pela sobrevivência?

O desespero humano,
Já não faz sentido.

Mais um sonho que tenho.
Um sonho punitivo, com
O direito de punir e,
A vontade de ser

Deus por um dia.


18 Janeiro 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

PARA ALEM DO SONHO



Nao o sei...
Imagino.
Como em todos os sonhos.
Tenho o vicio de sonhar.
Ate acordado eu sonho.
Dizem-me frequentemente,
que por aqui nao ando.
Fico feliz por isso.
Quero pertencer a realidade,
apenas o quanto baste.
O sonho estimula.
Motiva a realidade.
Mas como de resto... penso no sonho.
Penso a sonhar.
Ha mais alem do sonho.
Portas por abrir,
espacos por ocupar.
Elevar o sonho,
ao elogio da loucura.
Saber que ao sonhar,
vivo outra vida.
Outra realidade,
para alem do sonho.
Olhar dentro de mim,
ver o meu corpo deitado,
e sorrir...
Quando me vejo.
Rio-me da tenacidade dos outros.
Do riso que esbocam,
com pena disfarcada.
Fazem-me pena assim,
por serem fracos de mente,
curtos na realidade dos sonhos.
Tambem sonham, pois sim...
Sonham por sonhar,
porque o sonho existe.
Como oxigenio para a alma.
Para alem do sonho,
um dia vos contarei.
Para alem do sonho,
ha todo um mundo.
Para alem do sonho,
ha o meu mundo.
Sonharei alem do mundo,
o sonho que eu ja sei.



17 Janeiro 2012

JA NAO SEI...




Pequenas coisas...
Percebo as coisas pequenas.
As que sei.
As outras.
As que ainda nao...
O azul existe.
Ja nao sei onde pertence.
Confundo o horizonte...
Se sera mar,
se sera ceu.
Sei distiguir o calor.
Os tons quentes.
Ja nao sei...
Sera fim de dia...
Sera amanhecer.
Gosto de aqui estar.
Com as pequenas coisas.
A consciencia.
Ja nao sei onde pertenco.
A revolta das flores.
A mudanca das cores.
Tornam-se palidas...
como a minha pele.
Perdem os tons.
Perdem as cores.
Esfriam calores,
quando murcham ...
Ja nao sei onde pertenco.
Mesmo sem flores,
continua o belo...
o oiro escuro da noite...
o prateado do luar.
Fecho os olhos.
Ja nao sei onde pertenco.
Atraso o tempo,
como posso.
Tento,
tento atrasar o tempo.
Tapo com meus dedos
ampulhetas de areia.
Nao viro redomas.
Nao lhes mexo.
Deixo ficar.
Paro o tempo.
Vagaroso... sem pressas.
Como frageis brisas de mar.
Ja nao sei se aqui pertenco.
Mas sei...
Sei que gosto!
Sei que vou ficar.


17 Janeiro 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

TENTAR PERCEBER


Tentar perceber
A dúvida,
A certeza.
Tentar.
O que percebo,
deixa-me vazio.
Um vazio imenso.
O que entendo, deixa-me
vontade de não saber.
Tentar perceber?
Só porque penso,
Em tudo.
Quero tudo, sem metades.
Quero as verdades.
Dou ou dei tudo,
E darei,
sem receber nada.
Não sei...
Por vezes,
não sei o porquê.
Porque sou assim?
Nem quero saber.
Pensar e perceber,
é como uma máquina
de rodas dentadas.
Rodam na perfeição,
até que algo falha,
uma parte,
uma atrasa,
uma solta,
e... fica nada.
Um caos, onde tudo se quebra.
Tentar perceber...
Não compreendo,
Mas tento.
Não consigo...
Já não quero!
Mas tento.


16 Janeiro 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

UM DESERTO


O poder do deserto!
Imensidao de serenidade.
Espaco.
Silencio e tempestade.
Calor imenso e frio severo.
O deserto da minha vida,
nao o e assim...
Mas tem dunas semelhantes.
Nao e sereno,
tem pouco espaco,
muito silencio,
muitas tempestades.
Surgem serenidades,
os meus oasis...
Alimento sedes que esqueci,
fomes que ja nao tenho,
ansias de felicidade.
A sombra que refresca,
me controla o calor da loucura,
presente em frequencia,
nas miragens de vida.
Imagino sabores nublados,
imagens frageis,
sentidos alterados,
percorro um caminho.
O cheiro intenso da secura,
o po que flutua no ar,
no tropecar dos meus passos.
Areia que se escapa,
entre dedos e alma,
que indeciso tento guardar.
Desisto...
Desisto na realidade... mas nao dela.
Desisto de castelos de areia...
A realidade nao passa,
nao foge e nao finge,
nao deixa de ser apenas...
Um Deserto

15 Janeiro 2012

AS ARTES POR CONVICCAO


Fim de tarde.
Barbican Centre.
Londres serena.

Um vidro enorme,
fronteira entre os meus olhos,
o meu corpo e o frio.
Frio que fere como mel
o acordar os sentidos.

Vapor em ritmo ascendente,
uma melodia transparente,
irresistível e atraente.
O tipico cheiro,
um olfato assustado.
Um café
Mãos quentes.
Alma renovada.

Poltrona,
onde descansa o corpo,
almas sedentas no anfiteatro,
um concerto...
uma orquestra,
transformação de luz
a que me ilumina.

"The Seasons" Haydn.
Felicidade,
servida em bandeja,
pequenas doses virtuosas.
A Beleza e o Divino
na Arte.

Presente no meu peito,
acelerada correria
o meu sangue.

Sinto-me apaixonado.
Sou feliz, hoje...
Agora!

Em Arte,
vivo como o lobo,
na procura e,
na espera...
sem conhecer a presa,
do dia seguinte.

Embalo a tristeza,
para que adormeça.
Que nunca mais acorde.
Encontro dureza
a que me define,
a certeza de ser tão frágil.

O popular e o sublime,
justapostos em sensações...
nos sons,
nos timbres,
tudo o que me invade a alma.

Motivado pela vida,
admiro o êxtase
o estar presente.

Todas as fanfarras, massivas,
me reduzem as fragilidades.
Transformam o grito clamoroso,
em murmúrios apaixonantes.

A minha pele seca,
com o enrugar do tempo,
descola, liberta arrepios,
sublimes frescos pintados,
o irreversível passar do tempo.

Resta-me a mente, solta e livre.
Resta-me o amor, por capricho.
Resta-me a vida, por curiosidade.
Restam-me as artes, por convicção.


14 Janeiro 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

AS LETRAS



Sao as letras...
Somos nos.
Sao os textos.
Sao as frases.
Seguem o sangue,
em escritos e tinta.
Apenas com letras...
conseguimos viver,
esmorecer na dor,
e ate morrer...
Mudam o mundo,
pelos dedos.
Falam de coisas bonitas.
Agridem com a frieza,
de tanta verdade cruel.
Renovam o esquecido.
Enterram o que nao presta.
Memorizam contentes as alegrias,
que revelam na Historia.
O actuar dos povos,
o esquecer as pessoas,
o castigar conquistas,
escrevem.
Escrevem sem vergonha,
escrevem em desembaraco,
com todas as letras.
Sao tantas e imensas,
as culturas,e posturas.
Diferentes as letras,
em linguagens egoistas...
Mas so as letras...
Um incognito patrimonio.
Sao elas que ficam.
Sao elas que falam,
quando queremos estar calados.
Sao elas que gritam,
quando fingimos nao perceber.
Sao elas que afagam,
quando precisamos delas.
O poder das letras!
Envolvem-nos o dia,
iluminam-nos a noite.
O conteudo e a forma,
Expressoes e interpretacoes.
Nao escolhem fronteiras.
So um vazio infinito ao escrever,
na imensidao do imaginar.
As letras em contextos,
em matematica de permissas,
nas realidades das emocoes.

Um livro...
As letras sao tudo!
Humildes se nos entregam,
sem exigir a perfeicao...
So pedem e insistem,
que apenas as usemos.
Menos ou bem.
Temos de usar as letras!
Divulgar quando falam, porque
somos nos as letras, e
so com as letras,
mantemos a intransigencia,
so com as letras,
enfrentamos o mundo,
so com as letras,
conseguimos julgar,
so com as letras,
podemos ser livres.


13 Janeiro 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

COISAS SIMPLES


Coisas simples,
coisas pequenas...
Significados enormes.

Coisas simples,
que nos transformam.
A evolucao das coisas!

Valor, que nao parece,
vida que ja nao esmorece.

O significado...
O atomo,
A nanoparte do Universo.
Nos...e as coisas.

Coisas pequenas,
poder enorme ...
O poder das coisas simples.

Sentir o simples,
pensar na genialidade.
As coisas pequenas.

Elevar o amor proprio,
dividir em pequenas partes.
Sentir o poder das artes,
a ciencia em consciencia.

Respirar as coisas simples.

A grandeza das coisas,
apenas,
por serem pequenas,
apenas,
por serem simples.

Complicado o compilar...
tentar explicar o simples.
Enquadrar a grandeza,
ao elevar o ser pequeno.

Ameno.
Sereno.
Pleno.
Serio,
...e simples.

Como todas as coisas.

12 Janeiro 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

RECOMECAR NO PRINCIPIO



Admiro o poder do translucido.
O nevoeiro que torna o real em misterio.
Caminho em passos toscos e sem pressas,
ao longo de um rio... de um passeio tratado.
Penso no estranho sentir das promessas,
nas falhas; nao cumpridas em desafio.
Esta fresco e escuro este rio,
a agua so tem o nome, de tao suja,
as ondas sao pequenas e pesadas,
o lodo espalhou-se em abundancia precisa.
Como promessas mal paridas,
nao abomino nem odeio as falhas.
Aprendo triste por ser humano,
mas incomoda-me a facilidade.
As pessoas sao faceis, sao avaliadas.
Transformam-se em parasitas normalisados,
em cliches de vida, e doencas mal curadas.
Tenho pena...
Tenho realmente pena das pessoas.
As pessoas como eu, que pensam e sentem,
que romantizam o real de forma imensa,
num mundo proprio quase fechado.
De pessoas como eu, nao tenho pena.
Atingir a meta por objectivos,
tem o valor dos obstaculos,
a coragem do proximo.
Tenho pena das outras pessoas... as previsiveis.
Vivemos agora...
morremos um dia.
Um dia, com luz intensa,
pensaremos em segundos,
todas as pastas arquivadas na memoria.
Avaliaremos tao rapido como preciso,
o que foi sim, e o que foi nao.
E o tanto que foi talvez.
Encontramos o nosso egoismo no fim.
O resultado da soma das equacoes,
que fizemos... ou poderiamos ter feito.
O futuro que nao se quer saber... existe.
As desculpas de viver depressa, serao lentas.
Nesse dia...
Nesse dia vamos concluir formulas simples,
na vontade cristalina do arrependimento.
O Respeito !
Como nos fomos esquecer do respeito?
Vamos entao voltar atras...
Vamos recomecar no principio.


11 Janeiro 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ACORDAR DE UM SONHO


Sei que ha uma poesia.
Algumas palavras soltas.
Escritas no final do dia.
Em ondas de paz revoltas.

Sei que ha um poema.
Um poema que me desperta,
o contar de um problema,
e a cura de mente aberta.

Tentacao que me procura,
pensamentos fartos proibidos,
toquei-me ao pensar na ternura,
perdi-me na loucura dos sentidos.

Os teus labios corados de mel,
humedecidos quando me tocam,
deslizam por mim como gel,
quando meus olhos ja por ti choram.

Entregas-te a mim sem temor,
deixas que te persiga arrepios,
trocamos o cheiro e o sabor,
ao beijar e sentir os teus seios.

Os bracos tocam por gestos,
as linguas sentem o fogo,
as pernas afastam receios,
suores crescem no jogo.

Trememos sem nisso pensar,
na luxuria, de um toque pequeno,
beijar teu corpo sem parar,
ao procurar beber o teu sumo.

Os sons germinam no ar,
perdidos ja nao nos ouvimos,
murmurios de prazer ao olhar,
os orgasmos que ambos sentimos.

Adormeco com maos nos teus seios,
ao sentir cheiros do nosso prazer,
peles coladas ja secas de fluidos,
os sonhos nao param ao adormecer.

Acordo de corpo nu e suado,
reforco a mente, consigo pensar.
O prazer fugiu sem sentido,
na tristeza ao ter de acordar.

10 Janeiro 2012

RESPIRAR

Respirar a vida !
Respiro a cadencia do ar,
que me invade o corpo.
Respiro a frescura da agua,
que  me torna a pele cristalina.
Respiro a arte que me alimenta,
em cores de fogo e harmonia.
Os mestres que vejo,
tantas e tantas vezes,
que no meu previlegio,
me tornaram herdeiro.
Herdei no respirar dos pigmentos.
As cores que me encantam a vida.
As telas que respiro.
Respiro os oleos... o misturar das cores,
as telas que acariciam os deuses.
Respiro os livros que falam comigo.
As palavras que ficam... em
Poesias e Poemas declamados.
Respiro a mentira dos outros.
Respiro a desilusao que me consome,
ao sorrir em imaginarios,
que sozinho e feliz invento.
Respiro a pasta de papel,
no prensado branco e fino,
onde sujo o que escrevo.
Respiro o amor...
O que tenho, que nao alcanco.
O que quero, que nao tenho.
Respiro o azul celeste,
no veludo de nuvens, onde viajo.
Um saltitar constante de estrelas,
e brilhos que ofuscam as tristezas.
No mar sustenho o ar,
ao respirar o ondular das cores,
procuro os abismos do desconhecido.
Respirar a marezia, invade-me o peito,
o salitre acorda-me o palato.
Provando tudo o que  respiro,
assim me sinto grato.
Respiro o toque na minha pele,
de sal e suores que correm.
O arrepio... que me excita em sexo,
que me faz perder a razao... e o nexo.
Respiro tudo, como quero.
Respiro o mundo,
enquanto aqui andar.
Nao posso parar !
Quero respirar tudo...
Tudo o que possa respirar,
na vontade e procura do prazer...
Tudo o que ganhei ao perder,
tudo o que perdi ao ganhar.
Mas acima de tudo e de todos...
Quero ficar por aqui...
Quero desesperadamente...
Respirar a vida !

10 Janeiro 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PORTA ABERTA

Uma porta aberta...
Um convite para entrar...
Incontornavel cruzar de vozes.
Uma janela.
Um olhar.
Os olhos que desobedecem,
levemente, em devaneio intenso...
Definitivamente, abracam o teu corpo.
Finalmente...
Uma porta aberta...
Como tela por pintar,
branca por sujar,
que os olhos pintam.
Imagino-te singela,
em retrato de cores finas.
Um olhar...
Um sorriso,
uma so palavra ...
Um convite para entrar.
Uma porta...
Um cheiro.
Um beijo.
Um aperto de peitos,
no arfar do desejo.
O atabalhoar de roupas presas,
terno e louco impulso animal,
que os cheiros provocam.
Os toques que nos condenam,
arrepios que nos atraem,
a nudez que nos define.
Bocas de fogo intenso,
dedos em sabor imenso,
nas horas que ganhamos,
sem pensar...
Trocamos a profundidade dos corpos,
em investidas que de lentas,
se tornam em loucura digna.
As seivas que bebemos,
nas carnes que provamos...
E damos tudo em sabor,
sabemos tudo em prazer.
Em lencois perfumados.
Ate que a manha volte.

9 Janeiro 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

AS FOLHAS

O vento.
Manipulador dos leves,
e do poder de voar.

Ao ser como todas as folhas,
voava se me deixassem.
Somos parecidos, no fundo.

Semeados, e seguros ao ventre,
como mae e arvore que as alimenta .
Um rebento que nasce,
um esbracejar de vida que absorve o mundo,
a luz que nos transforma a sombra.

As folhas revelam, sem sequer pensar,
as veias de seiva que nos fazem crescer.
Mostramos ao mundo o que somos,
de que somos feitos, pela imagem,
e a alma que nos condena.

As folhas sao felizes ...
Surgem em rebento,
vivem sem sentimento,
morrem em bailado de vento.

Ao ler as folhas que voam,
e estas que me comem a tinta,
seria melhor ser como elas.
Mais simples,
Sem surpresas,
Sem saber que existo...

Nao me atrevo...
Sei que adoro as folhas,
estas que escrevo,
e as outras que voam.

Mas como arte nao morre...
nao deixo de querer ser,
como todas as folhas.


8 Janeiro 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

NASCE UMA CRIANCA

Nasce uma crianca...

A vida nao deixa de ser deliciosa!
Alegria emerge em todos nos,
como a energia do Sol nos anima...
Brilhante, e nos aquece o coracao.
De repente, sem procura distinta,
sinto felicidade ao sentir alguem feliz.

Nasce uma crianca...

Como os azuis em tons de ceu e mar,
ou as transparencias de um riacho,
o amor difere, mas existe inalteravel.
Mais intenso ainda!
Um poder imenso,
que escondido sempre encontramos,
que nos oferece a ternura do mundo.

Nasce uma crianca...

Um beijo divino, revela-nos algo sagrado,
Um grito choroso, faz-se notar...
reclama a vida, no direito de ser feliz!
Os labios riem ao tocar-lhe,
uma lagrima feliz,
uma conversa intima,
um cheiro de mae...
um sabor de vida!
Respiramos um quadro unico,
lindo, de amor supremo.

Nasce uma crianca...

Tocamos nossas maos enrugadas,
em maos tao lisas e tao belas.
Sentir o principio na essencia do existir,
ainda cheio de certezas glorificantes.
Sentir o fim da duvida, e incerteza da dor.
O poder do mundo renasce em nos,
na semente da vida...
Abrindo com medo os olhos, aprende
o respirar de um todo, do que nao faz ideia.

Nasce uma crianca...

Renovado se torna o Universo,
renovada se sente a esperanca.
O amor... uma crianca, que nos pertence.
Um rio de sangue novo,
que seguira percurso diferente,
no estuario da nossa vida.
Este seja um hino a todas as criancas,
na inocencia que alimenta a verdade!

Gritar o amor e preciso!
Garantir o direito de ser feliz!
sempre e quando...

Nasce uma crianca!


6 Janeiro 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

COMEÇAR POR UM BEIJO

Começo por te dar um beijo.
Imagino um tremor. E quero!
Quero que o jogo persista.
Sem findar este desejo,
Quero que o tudo exista,
E o nada se transforme.
Pintar o teu corpo com arte,
este nosso sentido de fome.
Uma musa que me intriga,
Troca fado por cantiga.
Alimentas tu o meu sangue,
no caminho a que o amor segue.

Começo por te dar um beijo.
Um toque fino de lábios,
paladares simples solitários,
em cada pequeno toque,
que por ti já nua eu vejo.
O calor que me envolve,
tem direccção e sentido.
Só o beijo me absorve,
ao gemeres no meu ouvido.

És mulher doce e sem malicia,
recusas sem vontade que pare,
teu tronco arqueia nesta ânsia,
no murmúrio de um toque suave.

Teu peito procura o meu tacto,
a minha entrega, o nosso prazer,
ao tocar-te sinto-me grato,
por tanta beleza sentir e ter.

Comecei por te dar um beijo,
beijei-te tão devagar horas a fio,
trocámos os cheiros e os fluidos,
nas memorias que sempre revejo,
num aproximar o clímax dos sentidos.

A olhar para ti me separo,
a hora chegou na partida,
ficas para sempre meu desejo,
relembro o corpo e reparo,
que me despeco de ti,
com um beijo.


5 Janeiro 2012

UM DIA POR DIA

Sao todos os dias.
dias onde a diferenca, tem dias ...
Sao todos os dias, um dia por dia.

Nao os divido nem quero,
passo por eles devagar como posso,
depressa como nao tenho escolha.

Serao muitos os dias?
Sao tantos que os nao conto,
sao tantos que os canto,
mas vivo por eles todos,
na alegria e no desencontro.

Nasci sem saber porque,
abri olhos, ao respirar chorei,
saltei para todos os dias.

Por aqui fiquei, quero ficar.
Respirar a luz do dia,
sentir a forca do Sol,
a pureza do mar... o cheiro do ar.

As sensacoes boas...
As emocoes fortes...
Sentir, imaginar novo dia,
dar valor ao que passou,
em correcta forma de estar.

Quero que o dia venha,
todos os dias.
Que o ontem, me traz hoje,
e amanha as alegrias.

Filtrar a curta vida que tenho,
goza-la sem rodeios distintos.

Adormecer a pensar,
sonhar sem acordar,
acordar sempre de novo,
viver um novo dia.

5 Janeiro 2012

GOSTAVA...

Gostava... de algo de novo.
Que o novo, fosse um retorno.
Retornar ao que o novo ja foi,
ao principio da felicidade.
Que as memorias nao o deixassem de ser,
que com elas evoluisse ao aprender,
usar as licoes que nao ligamos,
usa-las de novo, em como gostamos.
Gostava de me sentir como um livro,
onde se viram paginas do passado,
paginas que revemos na duvida,
que usamos na certeza do presente.
Gostava de ler um novo capitulo,
no livro da vida que todos os dias escrevo.
Gostava de o iluminar em cores fantasticas,
em ilustracoes unicas de felicidade.
Gostava que fosse possivel, reler o meu livro,
editar e emendar o que foi mal escrito.
Manter o mesmo enredo, alterado
de forma a rele-lo de novo em alegria.
Gostava de escrever de novo,
o mesmo livro que escrevi,
o novo livro da vida,
aquele que gostava de ler.

05 Janeiro 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

SOL

Desperta o dia...
Rasgam-se nuvens em raios de Sol,
diante dos meus olhos.


Entram raios em abuso, de toques no peito.
Sinto festas na pele em forma divina,
como agua que me tira a sede.

Energia doce que me alimenta a alma,
sinto um calor inigualavel invadir-me.
Tudo o que tenho, sorri em mim.

O meu corpo...A minha alma.
O meu espirito...O meu ego.
Todo o meu tesouro emerge,
envolto em forte apelo de energia.

Abraco sensacoes com o meu pensamento.
Renovo forcas que de tao fortes e tao fracas... absorvo,
toda esta energia, que me entrega o imaginario.
Escrevo sem sentir, ou saber o que sei.
Sinto apenas esta vontade de imaginar.

Esta luz... que me toca, e me transporta,
em tantas viagens por mundos paralelos.
Sinto toques de brisas como murmurios.
Tocam-me a pele, falam-me ao coracao.

Tudo me envolve ao sentir o Sol,
aumenta a vontade de procurar uma saida.
Petalas de rosas vermelhas caidas,
indicam-me o caminho mais doce.
Um caminho de formas romanticas,
um caminho unico que sinto.

Quando os raios de Sol me tocam,
aquecem e entregam-me,
toda a energia do mundo.

3 Janeiro 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A SOMBRA

Faz parte de mim.
Da noite... e do dia.
A sombra, sou eu... que me transformo.
Em existencia, que em mim nao existe.
Persiste teimosa, encostada ao meu corpo.
Abusa no toque, desliza...
Explora as fronteiras do meu ser.
Desfocada, altera aquilo que sou.
Como numa casa de espelhos magicos.
Fundamental sentirmos a sombra,
apesar de toda a sombra, ter seus perigos.
Deixar que nos envolvamos em demasia,
criando imagens que nao temos,
mostrando a pessoa que nao somos.
Tal como nos meus pensamentos,
aproveitando uma luz que nao e minha,
revela imagens que nem sempre sinto.
Imagens temporarias de felicidade.
Nem sempre sentimos, o simples de ser feliz,
ser feliz nao e dize-lo, ou tentar mostra-lo.
Ser feliz e senti-lo...quando estamos sozinhos.
Ilusoria como todas as sombras,
sou feliz sem ter de usa-la.
Faz parte da minha alma,
a sombra que se me revela.
Revela-me como sou,
apenas modificado nela.

02 Janeiro 2012

O PIANO

Ouvir um martelar envolvente.
Suave, e de pura harmonia.
O toque fragil, em teclas e dedos,
brancas e negras como tantos caminhos,
como tantas as fases que passo na vida.
Um som que me invade a pele,
que me cala e arrepia de prazer.
De cauda, electrico ou alto,
objecto de sempre finos sentidos.
Quando o tocam sente-se amor,
o amor que em som nos envia.
Nao ha som mais puro e intenso, que
a fina pureza de um piano concerto.
Abrupto, suave ou intenso,
enche-me o peito de melodias.
Por si se cria beleza complexa,
num afinar de sons em pautas escritas.
Ouvir os trechos dos mestres,
em leve martelar de dedos, em sabedoria.
Enche egos de prazer constante,
no deslizar de sons em alegria.
Sentir a Beleza em notas que voam,
ouvindo, ao ler o livro da vida.
Sinto-me sorrir com o mundo,
pela simplicidade ao ouvir um piano.


2 Janeiro 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

SERA DOENCA?

Nao!
Nao e doenca...
E sorrir ao desenhar com letras!
Sentir os dedos adormecer em veludo,
enquanto se escreve, escorrendo tinta.
Uma sensacao que anestesia a dor...
Dor que tantas vezes, nao existe.
Escrever, e um prazer indisfarcavel!
Sem sentirmos, criamos dor.
Oh Deus...
Tantas vezes criamos dor! mas...
sentindo as letras quando escrevo,
escrevo frases, que sao vacinas.
Vacinas que alimentam esta doenca.
Assim sim...
Assim, sinto o prazer de estar doente.
Doente por nao conseguir parar.
Nao parar de fluir tinta nesta sebenta.
Sera esta a doenca que me da alegria...
Ao sentir-me assim por escrever poesia.
Continuarei a penar por esta dor,
assim me doa a alma pela escrita,
com minhas veias cheias de tinta.
Quem escreve, nao procura ser imune.
Escrevendo acusa, mas torna-se alvo.
Ao desenhar frases com esta magia,
nao havera doenca mais imponente,
que adoecer ao tentar ser poeta,
mas nunca curar o virus da Poesia.
Poeta serei assim... talvez um dia.

1 Janeiro 2012

SABORES DO MUNDO

Os sabores estao misturados.
Em acordares enturpecidos na duvida...
Um espreguicar de musculos, tensos pela noite,
abrir os olhos de novo, de novo encarar a vida.
Sentir o cheiro de sabores novos.
Sem palato mas de todas as cores.
Imaginar novas e unicas sensacoes,
prever ano novo cheio de emocoes.
No rescaldo da festa, todos retornam,
num horizonte de novos sabores.
As festas sao efemeras, mas nos abracam,
nos sabores irreversiveis da vida real,
em retornos saudaveis nas vidas que passam.
Saborear os sonhos que persitem,
sentir sabores tao bons quanto possiveis.
Saborear amores e alegrias que existem,
bons conselhos ouvir, mesmo que nao audiveis.
Assim, saboreamos sabores diversos,
sabores da vida, sem cheiro particular.
Manter a alegria em tons intensos,
Saborear harmonia na forma de amar.
O meu desejo mantem uma finalidade,
sentir-me feliz, alegre e em saudade.
Lembrar momentos que tao grato passei,
Continuar a amar, mesmo quem nao amei.
Que o mundo seja feliz, na individualidade,
Nas gentes, nos povos, de toda a idade.
Saborear em Sabedoria  todo prazer,
ao respeitar o proximo, ao ajuda-lo a viver.
Que o mundo tome juizo!
Que na alegoria dos sabores,
possamos saborear o mundo!

1 janeiro 2012